A governadora Raquel Lyra (PSD) e o ex-prefeito do Recife João Campos (PSB) travam uma disputa eleitoral que deve ser definida no detalhe, possivelmente já no primeiro turno, em Pernambuco.
A vitória poderá projetar qualquer um dos dois como liderança nacional, colocando o Estado novamente no centro da política no Nordeste pela primeira vez após a morte do ex-governador Eduardo Campos, em 2014, em acidente aéreo.
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Campos iniciou a campanha sob um cenário mais adverso do que previa quando decidiu se candidatar.
Até abril deste ano, as pesquisas mostravam vantagem confortável do ex-prefeito no embate estadual, mas cenário mudou rápido.
Quaest divulgada na terça-feira (25) mostrou que governadora Raquel Lyra assumiu a dianteira, registrando 44% das intenções de voto, contra 36% de Campos e 1% de Ivan Moraes (Psol).
Votos em branco e nulos somaram 7% e, indecisos, 12%.
O levantamento, encomendado pela Globo, foi realizado entre os dias 21 e 24 de agosto, com o primeiro 1.302 eleitores.
A pesquisa está registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob protocolo PE-017828/2026.
A diferença de oito pontos de vantagem não é única coisa que alerta o PSB.
A aprovação da governadora é hoje de 68% (24% desaprovam).
A avaliação do governo é positiva para 46% dos entrevistados, regular para 33% e negativa para 16%.
Embora as pesquisas só reflitam agora, a reação da governadora começou a ser desenhada em março de 2025, quando ela migrou do PSDB para o PSD de Gilberto Kassab.
Com o movimento, a governadora ampliou a aproximação com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, de quem dependia para destravar obras no Estado, e ao mesmo tempo, foi acolhida em um partido que tinha recursos e estrutura para sustentar a sua campanha de reeleição.
“Pernambuco pode sonhar com hipótese de Raquel Lyra ser presidente”, disse Kassab no evento de filiação de Lyra, no Recife.
Na época, Campos figurava como franco favorito segundo as pesquisas de intenção de voto para governador, e a declaração de Kassab soou desconectada da realidade.
Às vésperas da eleição, o PSD é hoje o maior partido de Pernambuco com 79 prefeitos dos 184 do Estado.
Considerando os partidos aliados, Lyra tem 130 prefeitos ao seu lado nesta eleição, mais do que o dobro que Campos.
“A melhora de governadora nas pesquisas tem muito a ver com o voto de estrutura, com uma maior movimentação das forças políticas em torno do palanque estadual”, afirma Priscila Lapa, cientista política.
Ao mesmo tempo, diz Priscila, houve uma aceleração nas entregas do governo estadual nos últimos meses, o que contribuiu para a percepção do eleitor de que se trata de um governo “acelerado”.
No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a economia de Pernambuco cresceu 5,1%, acima da média do Nordeste (2,7%) e da nacional (1,2%) no mesmo período, de acordo com Índice de Atividade Econômica calculado pelo Banco Central.
Parte do desempenho está diretamente ligado à recuperação da capacidade de investimento do Estado, que conseguiu melhorar sua nota de crédito, alavancar empréstimos e fechar parcerias com governo federal.
A malha rodoviária, um dos principais gargalos de competitividade de Pernambuco, está recebendo investimentos de R$ 5,2 bilhões com o programa PE na Estrada.
Um estudo conduzido pelo economista Ecio Costa (UFPE) calcula que, sozinho, o programa deve ser responsável por expansão de 3,95% do PIB do Estado.
A seu favor, Campos conta com o apoio oficial do presidente Lula, o que deve ser amplamente explorado pela campanha nos 4min21s de tempo de televisão que o candidato dispõe — 18 segundos a mais do que Lyra.
Reeleito em primeiro turno com votação recorde de 78,11% dos votos em 2024, Campos é um reconhecido fenômeno nas redes sociais e é uma das principais apostas para liderar a esquerda no pós-Lula.
Até dezembro de 2025, Campos fazia uma gestão de elevada popularidade — questionada pela oposição em relação em relação a gastos com publicidade e parceira com bets — praticamente blindada de noticiário negativo na prefeitura.
No dia 24 dezembro, Campos alterou o resultado de um concurso público beneficiando um filho do magistrado Rildo Vieira da Silva, que anulou medidas cautelares de uma operação que investigava contratos da prefeitura do Recife.
Com o aval de Campos, Lucas Vieira Silva foi reclassificado como portador de deficiência (PCD), apresentando laudo de autismo após a realização do certame.
Com repercussão negativa do caso na mídia, Campos voltou atrás e anulou a nomeação, mas o escândalo do ‘fura-fila’, como ficou conhecido o episódio, assombra a campanha do ex-prefeito.
Na semana passada, o CNJ solicitou que o Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) E que fizesse uma investigação sobre a conduta do juiz.
A governadora, por sua vez, faz uma ginástica para dosar o discurso, driblar polarização nacional e somar votos de todos os espectros ideológicos, sem ser taxada de bolsonarista.
Em entrevistas, a governadora tem dito que é “pernambuquista”, não declara voto para presidente, mas que diz grata a Lula pelas parcerias para realização de obras.
Segundo a Quaest, Lula tem 54% das intenções de voto em Pernambuco, contra 19% de Flávio Bolsonaro (PL).
Ronaldo Caiado (PSD) tem 3%, Renan Santos 2% e Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury têm 1% cada um.
Com a eleição para governo em aberto, a disputa para o Senado ganhou vida própria e pode ser fortemente impactada pela polarização nacional.
Segundo Quaest, Marília Arraes (PDT) tem 16% das intenções de voto, em empate técnico com Humberto Costa (PT), que registrou 13%.
Mendonça Filho, do PL, aparece em terceiro lugar com 9% dos votos, seguido por Eduardo da Fonte (PP), com 6%, e Túlio Gadêlha (PSD), com 3%.
Indecisos somam 26% e votos em branco e nulos, 24%.
