Do Morro do Dezoito ao Rock in Rio! Hitmaker celebra primeiro show no festival e relembra infância: 'As coisas não foram fáceis' - QTU Questões do Universo

Do Morro do Dezoito ao Rock in Rio! Hitmaker celebra primeiro show no festival e relembra infância: 'As coisas não foram fáceis'

Fonte: Bandeira da fonte

Hitmaker está feliz da vida e emocionado para estrear no Rock in Rio.
O produtor é o segundo artista a se apresentar no Espaço Favela nesta sexta-feira (4), primeiro dia do festival.
Em entrevista ao EXTRA, ele celebra essa fase da carreira e ainda relembra as origens no Morro do Dezoito, na Zona Norte do Rio, ainda criança, quando começou a investir na música em uma linda relação com a avó, Dona Nice.
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— Sou de Piedade, Água Santa, por ali, bem como quase toda a minha família.
Durante a minha vida, as coisas não foram fáceis, porque eu não tinha uma condição financeira muito boa.
Apesar disso, a música sempre esteve em evidência na minha história.
E tudo isso começou pela minha avó — diz o produtor, continuando: — Quando eu tinha 12 anos, ela adoeceu, teve câncer e outras preocupações mais sérias.
Na época, eu não entendia direito o que era depressão.
De repente, ela passou a ficar quietinha, por não poder mais fazer nada.
E eu senti que precisava fazer algo.
Quando Nice adoeceu, conta o neto, a família também estava sem televisão.
Foi quando Hitmaker teve a ideia de pedir emprestado o cavaquinho de um vizinho para entreter a matriarca.
O instrumento tinha apenas duas cordas e um papelão na parte de trás colado pelo músico.
Hitmaker, que deixou de lanchar para consertar cavaquinho, celebra primeiro show solo no Rock in Rio
Arquivo pessoal
— Me sentei na cama da minha avó, toquei e cantei; ela dormiu.
No dia seguinte, me disse: “Vai não me botar para dormir de novo?”.
Foi a primeira vez em que vi a ficha técnica em um CD.
Li que existia compositor, produtor, músico, arranjador...
Descobri que não era o Alexandre Pires quem fazia tudo sozinho, entendi por que minha avó gostava tanto desse cara.
Pensei: “Preciso ser igual a ele”.
Na época, eu disse: “Vó, vou consertar esse cavaco, aprender a cantar, conhecer o Alexandre Pires e tocar na rádio.
Tudo pela senhora”.
E assim, o artista que agora tem um espaço só seu em um dos maiores festivais de música, na época enfrentou dificuldades para se inserir no universo artístico.
— Eu tinha R$ 2 por dia para ir e voltar da escola de ônibus, mas ia a pé.
Eu deixava de comer também, o que dava mais uns R$ 2 para juntar e comprar revistinha de cifra e arrumar o cavaquinho.
Eu era conhecido como menino do cavaquinho, porque onde eu ia eu estava com esse cavaco embaixo do braço — conta o músico.
— Meus amigos me incentivavam na escola.
Eu tinha um professor de matemática que era tecladista e começou a me ajudar me dando aula de teoria musical também.
Depois de três meses dessa rotina, estava chegando em casa para mostrar para minha avó a música que ela mais gostava.
Mas, infelizmente, eu não pude porque ela faleceu nesse mesmo dia.
Hitmaker, que deixou de lanchar para consertar cavaquinho, celebra primeiro show solo no Rock in Rio
Divulgação/Rock in Rio
Desse dia em diante, ele decidiu se dedicar na carreira como músico para honrar as promessas que fez para a avó:
— Eu falo que o menino Wallace (Vianna, nome do músico) faleceu junto naquele dia.
Porque dali em diante, eu não soube o que é jogar bola, soltar pipa, nada.
Eu só faço música.
Depois eu me vi na caminhada como compositor, aos poucos fui virando cantor e comecei no pagode, embora muitas pessoas não saibam.
Acabei assinando um contrato errado no meio do caminho...
Depois me envolvi com o funk.
Agora estou aqui, compondo, produzindo, cantando e cumprindo as promessas que eu tinha feito.
Relação com o Rock in Rio
O artista é um dos grandes nomes do funk e do pop do Brasil atualmente, tendo parcerias com Ana Castela, Tati Quebra Barraco e mais artistas brasileiros.

— O Rock in Rio representa muita coisa na minha história.
Como compositor, produtor, fã...
Sempre quis ter uma música que tocasse no festival — diz o músico, relembrando: — Meu primeiro match com ele foi quando eu escrevi a canção “Favela chegou” e o público gritava a letra nos shows de Anitta e Ludmilla.
Foi a realização de um sonho para um cara que foi criado no Morro do Dezoito.
Hitmaker e a filha, Maitê
Reprodução/Instagram
Hitmaker sempre quis curtir o festival, mas nunca conseguiu antes.
A primeira vez que pisou na Cidade do Rock foi em 2024, na última edição, quando foi convidado por Akon para tocar um remix de um de seus hits no Palco Mundo, logo o principal do evento.
A participação ocorreu graças a um pedido especial feito por Maitê, filha do músico, de 9 anos.
Ele explica:
— Tudo começou por causa de um remix que eu fiz para minha filha.
Toda vez que eu a levo e busco na escola, coloco para tocar alguma música que ela goste, mas na minha versão.
É um combinado que temos.
Ela escolhe a canção, remixo e nós dois curtimos.
Na época, Maitê escolheu “Lonely”, do Akon.
Coincidentemente, eu e ele somos da mesma gravadora.
Foi marcado um encontro entre nós antes do show dele no Rock in Rio, quando fiz um pedido como fã para que ele botasse o funk no palco, mostrei o remix para ele e recebi o convite.
Agora, Hitmaker terá um show próprio no Espaço Favela.
E Maitê já é presença confirmada na plateia:
— A voz do “Hi-t-ma-ker” (bordão presente em todas as músicas do artista) é dela, isso é um marco.
Ela sempre quis ir no Rock in Rio também, mas ainda não podia por ser muito novinha.
Na última edição, eu queria ter levado ela.
Mas foi tudo muito rápido e fiquei receoso de estar sendo convidado e ainda pedir para levá-la.
Mas agora...
(ele se emociona).
Dessa vez acredito que será muito especial.
Minha filha vai poder entender que nunca deve desistir dos sonhos dela.