Do sono à disposição: por que suplementos viraram febre no TikTok - QTU Questões do Universo

Do sono à disposição: por que suplementos viraram febre no TikTok

Fonte: Bandeira da fonte

Ele aparece em vídeos sobre sono, cansaço, intestino, dores musculares e até composição corporal.
O magnésio se tornou um dos suplementos mais comentados nas redes sociais, onde diferentes versões do mineral são apresentadas como uma possível resposta para uma série de queixas do dia a dia.
Entre elas, o magnésio dimalato ganhou destaque no TikTok e passou a integrar a rotina de quem procura mais disposição e bem-estar.
Mas, diante de tantas promessas, é preciso separar o que já se sabe sobre o nutriente do que ganhou força no universo dos vídeos virais.
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O magnésio é um nutriente essencial e participa de centenas de reações bioquímicas do organismo.
Isso, segundo a médica nutróloga Mariana Comério, não significa que a suplementação seja necessária para todas as pessoas ou que doses maiores tragam, por si só, mais benefícios.
"O magnésio participa de inúmeras reações fundamentais para o funcionamento do organismo.
Ele está envolvido na produção de energia, no funcionamento muscular e neurológico e em diferentes processos metabólicos.
Mas existe uma diferença importante entre reconhecer a função de um nutriente e transformar sua suplementação em uma recomendação universal", explica.
O que é o magnésio dimalato?
O magnésio dimalato combina o mineral com o ácido málico.
Nessa formulação, o magnésio continua sendo o componente relacionado às funções metabólicas e participa de processos ligados ao funcionamento muscular e à produção de energia pelas células.
"Quando falamos em magnésio dimalato, estamos falando de uma forma de apresentação do mineral associada ao ácido málico.
O magnésio continua sendo o componente biologicamente relevante para diversas funções metabólicas.
Ele participa do funcionamento muscular, da produção de energia e de processos que acontecem em diferentes órgãos e tecidos", afirma Mariana.
É dessa relação com o metabolismo energético que surge parte da associação do dimalato com disposição e desempenho físico.
Isso não faz, porém, do suplemento um estimulante nem significa que ele ofereça uma espécie de energia imediata.
Magnésio engorda?
Outra dúvida que ganhou espaço nas redes é se o magnésio dimalato pode levar ao ganho de peso.
A resposta é não.
O mineral não tem como efeito direto o aumento de gordura corporal ou a retenção de líquidos.
"O magnésio não tem como característica provocar ganho de gordura ou retenção de líquidos.
Essa é uma associação que precisa ser desmistificada.
O que pode acontecer é uma melhora de determinadas funções do organismo em pessoas que realmente apresentavam alguma inadequação, e isso pode repercutir na disposição, no sono, na recuperação muscular e na capacidade de realizar atividade física", pontua.
O peso na balança, por sua vez, não conta sozinho a história da composição corporal.
Quem começa a treinar e ganha massa muscular, por exemplo, pode ver os números subirem sem que isso represente aumento de gordura.
"Quando avaliamos composição corporal, não podemos olhar apenas para a balança.
Uma pessoa pode ganhar massa muscular, reduzir gordura e melhorar medidas mesmo sem perder peso.
São fenômenos completamente diferentes", acrescenta a nutróloga.
O magnésio pode ajudar no sono e na recuperação?
O mineral participa de mecanismos relacionados ao funcionamento neuromuscular e ao metabolismo energético.
A presença adequada no organismo é importante, mas isso não significa que a suplementação seja uma resposta automática para sintomas como cansaço, insônia ou dor muscular.
"É possível observar benefícios quando existe uma necessidade específica, mas não devemos transformar o magnésio em uma resposta automática para qualquer queixa de cansaço, insônia ou dor muscular.
É necessário investigar a causa daquele sintoma", alerta Mariana.
Por isso, a indicação precisa levar em conta as condições de cada pessoa, incluindo alimentação, histórico clínico e outros fatores que possam interferir na ingestão ou na disponibilidade do nutriente.
O que as redes sociais não contam sobre o magnésio?
O sucesso do magnésio acompanha um movimento maior nas redes sociais, em que nutrientes e suplementos são apresentados como respostas rápidas para queixas que podem ter origens diferentes.
Para a nutróloga, é justamente aí que uma informação correta pode ganhar proporções que não correspondem às evidências.
"Um suplemento pode ser útil quando existe indicação, mas não substitui alimentação adequada, sono, atividade física ou tratamento de uma doença.
O risco das redes sociais é pegar uma informação verdadeira, como o fato de o magnésio ser importante para o organismo, e transformá-la em uma promessa que vai muito além da evidência", pondera.
A decisão de suplementar também não deve partir apenas da presença de sintomas.
Alimentação, histórico clínico e medicamentos em uso estão entre os aspectos considerados na avaliação.
"Não existe uma dose ideal que sirva para todo mundo.
A necessidade deve ser avaliada individualmente, inclusive porque o excesso de determinados nutrientes também pode trazer consequências.
Mais suplemento não significa necessariamente mais saúde", ressalta.
Oleaginosas, sementes, leguminosas e alguns vegetais estão entre os alimentos que fornecem magnésio e podem contribuir para a ingestão do mineral.
A popularidade do suplemento nas redes, portanto, não é suficiente para transformá-lo em uma solução para diferentes queixas.
O magnésio tem funções importantes no organismo, mas seus possíveis benefícios dependem do contexto em que é utilizado e, principalmente, da necessidade de cada pessoa.
"A melhor estratégia é sair da lógica do 'mineral da moda' e voltar para a lógica da necessidade individual.
O magnésio pode fazer parte de um cuidado nutricional adequado, mas a suplementação deve ter objetivo, indicação e acompanhamento", conclui Mariana.