Dois milhões de seguidores em uma semana e recorde de buscas: Cury vive boom digital, e rivais veem movimento artificial - QTU Questões do Universo

Dois milhões de seguidores em uma semana e recorde de buscas: Cury vive boom digital, e rivais veem movimento artificial

Fonte: Bandeira da fonte

Candidato à Presidência da República pelo Avante, o escritor e psiquiatra Augusto Cury passou a crescer em número de seguidores nas redes sociais e em menções nas plataformas de buscas nos últimos dias.
Dados de um levantamento feito pela consultoria Ativaweb a pedido do GLOBO mostram que, no Instagram, o candidato teve o segundo maior engajamento em seus posts, atrás somente de Renan Santos, apesar de feito a metade do total de posts publicados pelo presidenciável do Missão.
O salto, no entanto, é visto com ceticismo por adversários, que argumentam que o fenômeno não seria orgânico — o que a campanha de Cury nega.
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Com 2% de intenção de voto na última rodada do Datafolha, o escritor ganhou na última semana cerca de 2,2 milhões de seguidores, uma alta de 27%, alcançando 10,7 milhões de perfis no Instagram até esta sexta-feira.
Em segundo lugar, Renan teve um salto de 74,5 mil seguidores no mesmo período, enquanto o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ganhou 54 mil, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) teve um acréscimo de 14 mil e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) cresceu em 2 mil.
Já o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo) perdeu 5 mil seguidores, conforme a análise feita pela Ativaweb.

A consultoria aponta, no entanto, que Renan sai na frente no percentual de engajamento de suas publicações (2,61%), média obtida a partir de 62 publicações, enquanto Cury tem um índice menor (1,18%), alcançado por 30 posts.
Entre os candidatos do Avante e do Missão, aparece Flávio, que registra um engajamento intermediário (1,67%) com 24 publicações.
Todos os outros presidenciáveis apresentam índices inferiores a 1%.

Dados do Google Trends também indicam que, na última semana, a procura pelo nome de Cury registrou uma curva ascendente na ferramenta de buscas.
O primeiro pico ocorreu na noite de domingo, durante o debate entre os presidenciáveis promovido pela Band, quando a procura por ele chegou a 45 pontos.

Novos picos de popularidade aconteceram ao longo da semana, alcançando as máximas de 100 e 97 pontos entre a quarta-feira e a quinta-feira.
No intervalo, o Google Trends também indica picos de menções ao psiquiatra em países como os Estados Unidos, Reino Unido, Espanha, Bolívia, Índia e Vietnã.

Reação de adversários
O crescimento, visto como repentino, acendeu o alerta de campanhas adversárias, como a do candidato do Missão, que tem suspeitado de que o aumento na procura e do número de seguidores não é orgânico, e sim comprado.
A tese foi refutada por Cury durante sua participação na sabatina do GLOBO, CBN e Valor, na qual ele disse ter gastado somente R$ 20 mil com o impulsionamento de conteúdo online, enquanto os adversários teriam desembolsado valores mais altos.

— Tem milhares (de influenciadores) falando da nossa campanha, agradeço profundamente, sem gastar um real.
Gastamos 20 mil nas redes, enquanto Lula e Flávio gastam 50 milhões por mês — disse Cury na ocasião.
A possibilidade de engajamento não orgânico também foi negada por Sérgio Lima, marqueteiro responsável pela campanha de Cury, que atribuiu o interesse no presidenciável à carreira como autor de livros como "O Vendedor de Sonhos" e "Ansiedade: como enfrentar o mal do século".
— Zero impulsionamento por parte da equipe, é tudo realmente orgânico, uma prova desse impacto que ele tem, desses mais de 30 anos escrevendo livros.
Ele impactou muita gente.
Para a gente tem sido surpreendente, melhor do que a gente esperava.
Isso só é a prova de que a população está cansada mesmo da polarização — afirmou Lima.

Outro argumento usado por adversários para o crescimento repentino de Cury nas redes sociais tem sido a ligação do escritor com o empresário e influenciador Pablo Marçal (PRTB), que também lançou-se à Presidência, mesmo estando inelegível.
O ex-coach protagonizou uma ascensão similar ao concorrer à Prefeitura de São Paulo nas eleições de 2024.
Na época, os conteúdos produzidos por ele ganharam maior alcance a partir de um campeonato de cortes promovido pelo então candidato, que prometia ganho financeiro aos participantes, o que resultou em condenação na Justiça Eleitoral.
Apesar de a equipe de campanha de Cury negar qualquer vínculo, em pelo menos duas ocasiões os candidatos tiveram trocas públicas recentes.
A primeira delas ocorreu por iniciativa de Marçal, que dedicou uma parcela final da entrevista que concedeu ao canal do YouTube da produtora Brasil Paralelo para elogiar o escritor, o qual classificou como um "cara ideal", e se ofereceu para ajudar na postulação dele caso fique impedido de concorrer.
Já o segundo episódio aconteceu no domingo, minutos antes do primeiro debate presidencial, quando o candidato do Avante entrou em live nas redes com o ex-coach e afirmou que não participaria do encontro, decisão da qual voltou atrás pouco depois.
Outro "elo" de ligação entre os dois seria o cineasta e empresário Nahuel Gómez Medina, que trabalhou na campanha de Marçal à Prefeitura de São Paulo em 2024.
Medina virou notícia na época ao protagonizar um episódio de violência contra o marqueteiro Duda Lima, responsável pela campanha à reeleição do prefeito Ricardo Nunes (MDB), nos bastidores de um debate realizado na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Em seu perfil oficial no Instagram, ele postou recentemente foto ao lado de Cury e compartilhou um vídeo oficial da campanha do escritor.
(*Aluno do curso de Jornalismo do Futuro sob supervisão de Luã Marinatto)