O dólar à vista opera em leve alta no pregão desta sexta-feira (31), devolvendo parte da queda que havia registrado na sessão de ontem.
Além de um ajuste de excessos, operadores mencionam mudanças em posições em fim de mês e possivelmente algum efeito marginal da abertura tardia de negociações nos contratos de mini dólar (os quais valem US$ 10 mil por contrato, enquanto os contratos grandes valem US$ 50 mil cada).
Perto das 13h, o dólar à vista era negociado em alta de 0,22%, cotado a R$ 5,0721, depois de ter tocado na mínima de R$ 5,0612 e batido na máxima de R$ 5,0872.
Já o euro comercial apreciava 0,09%, a R$ 5,8403.
No exterior, o índice DXY, que mede a força do dólar contra uma cesta de seis moedas de mercados desenvolvidos, avançava 0,20%, aos 100,063 pontos.
A sessão desta sexta-feira iniciou com atraso por conta de problemas na B3.
Como os preços do câmbio no mercado à vista são um espelho do movimento do mercado futuro, a demora da abertura dos derivativos atrasou também as negociações no mercado à vista.
Assim, em vez de abrir às 9h (horário de Brasília), o mercado iniciou às 9h35.
Em outros mercados o problema foi ainda pior, com a abertura a partir das 12h30 (como no caso dos contratos mini de dólar, os mais negociados no câmbio).
Para operadores de câmbio, o atraso nas negociações em dólar foi contido, já que os contratos grandes abriram ainda pela manhã, antes da formação da primeira Ptax.
“O problema seria se houvesse um atraso muito maior, sem as negociações dos contratos grandes, porque poderia afetar a formação da Ptax.
A pior coisa seria o Banco Central ter que mudar a regra por causa disso”, diz um trader.
O movimento do dólar nesta manhã esteve bastante alinhado com a dinâmica global, ainda que o real figurasse entre as cinco piores divisas mais líquidas.
Em nota, o estrategista Alvaro Vivanco, do Wells Fargo, diz hoje que o cenário externo tornou-se levemente mais favorável para as moedas emergentes com juros altos, mas os fatores determinantes e seus impactos diferem entre os países.
“Esta foi uma semana interessante.
O Federal Reserve (Fed) transmitiu uma mensagem mais ‘dovish’ do que o mercado esperava e a intervenção coordenada na Ásia deu suporte aos ativos de maior risco, incluindo as moedas latino-americanas”, diz.
Pare Vivanco, porém, as condições continuam restritivas.
“Acreditamos que as próximas semanas continuarão desafiadoras e, por isso, preferimos manter estratégias de valor relativo.”
Em maio, a casa havia encerrado a posição comprada em real contra o peso colombiano (aposta a favor do real e contra o peso colombiano).
O encerramento se deu por conta de ruídos políticos que começaram a perder força na Colômbia e crescer no Brasil, por causa da questão eleitoral.
Agora, segundo o profissional, o cenário mudou.
“Agora, acreditamos que as narrativas relativas entre os dois países foram longe demais e que os níveis atuais oferecem um excelente ponto de entrada para retomar uma posição.”
Segundo Vivanco, o real acumulou queda de cerca de 19% frente ao peso colombiano e está bem abaixo de suas médias de longo prazo.
“O carry levemente positivo não é o principal motivo da operação — os fundamentos são —, mas estar comprado em real também representa uma forma eficiente de ficar vendido em peso colombiano.”
Além disso, o estrategista diz que a reeleição de Lula passou a ser o cenário-base, e que grande parte do impacto negativo desse desfecho já foi incorporada aos preços do real.
“Avaliamos que, em comparação com a Colômbia, o ponto de partida dos fundamentos macroeconômicos do Brasil é mais favorável e não exige grandes ajustes.
Além disso, as contas externas brasileiras permanecem em uma posição bastante sólida e devem continuar sendo beneficiadas pelos preços mais elevados do petróleo e de outras commodities.”
