Dos 19 aos 73: Sertões coloca gerações separadas por 54 anos na mesma trilha - QTU Questões do Universo

Dos 19 aos 73: Sertões coloca gerações separadas por 54 anos na mesma trilha

Fonte: Bandeira da fonte

Quando Alberto Castro tinha a idade de Gabriela Weirich, os equipamentos que hoje orientam uma navegação no Sertões sequer existiam.
Aos 73 anos, ele é o competidor mais velho da edição de 2026.
Aos 19, ela ocupa o outro extremo do grid.
Entre os dois há 54 anos de diferença, mas, a partir deste fim de semana, o desafio será o mesmo: atravessar os mais de 4 mil quilômetros da maior prova off-road das Américas.
Gabriela é navegadora de UTV e chega ao primeiro Sertões carregando uma experiência construída dentro de casa.
Foi o pai Alessandro quem a apresentou ao rali, ainda criança.
Há seis anos, ela passou a competir em provas de regularidade e agora dá o passo para o rally raid de velocidade.
— Apesar da minha pouca idade, o Sertões sempre foi um rali do qual eu quis participar, realmente um sonho.
Então estar aqui é a realização desse sonho.
É um desafio bem grande, mas é incrível — conta.
A pouca idade, diz, não se transforma em intimidação diante de competidores com décadas de estrada.
— Na verdade ajuda, porque tem muita troca de conhecimento e experiência.
Todos são amigos, então sempre querem compartilhar, ajudar.
E, com certeza, experiência conta muito para o rali.
Alberto concorda.
Para ele, condição física e juventude têm peso em uma competição longa, mas existe algo que só os anos conseguem oferecer.
— Os dois contam, mas acredito que a experiência conta mais — afirma.
Uma escola que atravessa gerações
Aos 73, Alberto resume em uma palavra a razão para ainda enfrentar uma prova que exige horas dentro do carro durante oito dias: “superação”.
— Isso me motiva e me faz ter uma preparação exclusiva para esse desafio.
Ao saber que divide a edição com uma competidora de apenas 19 anos, ele prefere olhar para o outro lado da linha do tempo.
— Fico muito feliz vendo a nova geração chegando, porque o rali é uma escola para a vida.
Grandes lições o rali traz para todos.
É justamente nessa troca que aparecem as diferenças entre as gerações.
Alberto destaca conhecimento de terreno e controle de ritmo como lições que só muitas provas conseguem ensinar.
— Tipo de terreno, ritmo de prova, isso só o tempo pode dar para cada um.
Dos mais jovens, porém, ele diz absorver características que não necessariamente fizeram parte de sua formação.
— Aprendo muito sobre ser mais arrojado e sobre o uso das tecnologias.
Do papel ao tablet
Para Gabriela, é aí que sua geração parte com uma vantagem natural.
Ela cresceu em um rali já digitalizado.
— De longe, a principal diferença é a tecnologia.
Um tempo atrás nem usavam o tablet e agora todo mundo anda pelo tablet.
É uma diferença muito brusca.
A minha geração já começou aprendendo com ele, então tem uma familiaridade muito grande.
Alberto acompanhou a transformação pelo caminho.
Veículos, equipamentos de navegação e sistemas de ultrapassagem mudaram radicalmente desde que começou.
— A evolução é gigantesca.
Tanto os veículos quanto os equipamentos de navegação e ultrapassagem estão muito evoluídos.
Isso melhorou a competitividade entre pilotos e navegadores.
Gabriela também não chega à prova dependendo apenas da facilidade tecnológica de alguém de 19 anos.
As temporadas ao lado do pai deram a ela uma base que agora precisa ser adaptada à velocidade.
— Apesar de ser meu primeiro Sertões, navego no regularidade há muitos anos com meu pai.
Desde pequena eu olhava planilha e tudo mais.
Há seis anos comecei a competir de fato.
Isso traz uma bagagem de conhecimento muito grande e facilita bastante aqui.
Óbvio que a navegação é diferente e cada prova tem seus detalhes específicos, mas navegar é navegar.
O pai estará novamente ao lado dela nesta edição, agora fora do cockpit.
— Foi ele quem me apresentou ao rali, começou a andar comigo.
O apoio dele está sendo um diferencial para eu estar nessa prova.