O setor de diagnóstico por imagem no Brasil vive um paradoxo que vem moldando decisões de investimento: a demanda por exames cresce de forma consistente, puxada pelo envelhecimento da população e pela sofisticação das técnicas diagnósticas, enquanto a oferta de radiologistas qualificados não acompanha esse ritmo, sobretudo fora dos grandes centros urbanos.
Escassez de radiologistas virou gargalo estrutural do setor
Radiologistas subespecializados, capazes de interpretar exames de maior complexidade, continuam concentrados majoritariamente nas regiões Sul e Sudeste, deixando lacunas relevantes em cidades do interior e nas regiões Norte e Nordeste.
Somente o SUS realizou mais de 101 milhões de exames de imagem em 2023, respondendo por mais de 60% do volume nacional, o que dá a dimensão da pressão sobre uma mão de obra que não cresce na mesma velocidade da demanda.
Dr.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues observa que esse descompasso não é um problema conjuntural, que se resolve sozinho com o tempo, mas uma característica estrutural do setor: formar um radiologista subespecializado leva anos, enquanto a demanda por exames responde a mudanças demográficas e tecnológicas muito mais rápidas.
Consolidação: grandes redes avançam sobre cidades menores
Diante desse cenário, redes como Rede D'Or, Fleury e DASA vêm expandindo sua presença para cidades secundárias, apostando em horários estendidos de atendimento e em eficiência operacional viabilizada por inteligência artificial para sustentar essa expansão com o quadro de radiologistas disponível.
Os centros de diagnóstico por imagem crescem hoje a um ritmo superior ao de outros segmentos do setor de saúde, atraindo capital que antes se concentrava quase exclusivamente em hospitais.
Para o Dr.
Vinicius Rodrigues, essa consolidação reflete uma lógica direta: redes de maior porte conseguem diluir a escassez de especialistas entre várias unidades, por meio de telerradiologia e escalas compartilhadas, algo que uma clínica isolada dificilmente consegue reproduzir sozinha.
IA como resposta ao gargalo de mão de obra especializada
O investimento em inteligência artificial aplicada à radiologia deixou de ser experimental e passou a compor a infraestrutura básica de operações que buscam sustentar volume crescente de exames com um número limitado de especialistas.
Ferramentas de apoio à leitura de imagem já demonstram capacidade de reduzir significativamente o tempo dedicado pelo radiologista a casos mais simples, liberando atenção para exames que exigem análise mais criteriosa.
O radiologista pondera que essa tecnologia não substitui o profissional, mas redefine sua função: de alguém que processa manualmente grande volume de exames repetitivos para alguém que revisa criticamente casos complexos e atua como consultor clínico, papel que tende a se tornar ainda mais central à medida que a automação avança sobre as tarefas mais simples.
Perspectivas para investidores do setor de diagnóstico por imagem
O mercado brasileiro de ressonância magnética, uma das modalidades mais dependentes de radiologistas subespecializados, já é avaliado em mais de 300 milhões de dólares e deve seguir crescendo nos próximos anos, com destaque para o segmento de imagem oncológica.
Para investidores que acompanham o setor de saúde, a combinação entre escassez de mão de obra qualificada, consolidação de redes e investimento em IA tende a favorecer companhias que já estruturaram operações capazes de escalar diagnóstico sem depender proporcionalmente de mais radiologistas contratados, um modelo que o Dr.
Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues descreve como o principal diferencial competitivo do setor nos próximos anos.
Empresas de telerradiologia também têm capturado parte desse movimento, oferecendo a redes menores e hospitais do interior acesso a especialistas que, de outra forma, não conseguiriam contratar diretamente.
Esse modelo de negócio, ainda em expansão no país, tende a se beneficiar tanto do aumento estrutural da demanda por exames quanto da persistência da desigualdade regional na distribuição de radiologistas, características que devem continuar moldando o setor de diagnóstico por imagem no Brasil pelos próximos anos.
Dr. Vinicius Tadeu Sattin Rodrigues analisa a consolidação do mercado de diagnóstico por imagem no Brasil
Fonte:
