Drones, IA e hidrogênio: empresas do setor elétrico usam novas tecnologias para enfrentar desafios - QTU Questões do Universo

Drones, IA e hidrogênio: empresas do setor elétrico usam novas tecnologias para enfrentar desafios

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Juliano Dantas, vice-presidente de Inovação da Axia Energia
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A transição sem precedentes pela qual passa o setor elétrico combina a descentralização da oferta e consumo, impulsionada pela potencial abertura do mercado livre em 2028 e por mais de quatro milhões de prosumidores (consumidores que geram energia) de geração distribuída, a novos vetores de demanda, representados pela mobilidade elétrica e pelas robustas infraestruturas de dados.
Em outra frente, a crise climática exige repensar a resiliência dos ativos e se antecipar a eventuais problemas.
Diante desses desafios, o investimento em eficiência e inovação tornou-se imperativo de sobrevivência e competitividade.

Uma das dez mais inovadoras do país e líder no ranking setorial, a Axia Energia tem investido na melhor gestão das suas 80 usinas de geração e mais de 70 mil quilômetros de linhas de transmissão com base em investimentos em inteligência artificial (IA) e análise de dados para aumentar sua resiliência climática e aumentar eficiência.
A maior geradora e transmissora de energia elétrica do país desenvolveu um modelo de infraestrutura de computação em nuvem (neocloud), voltado para processamento de dados que exigem alto desempenho, como IA.

Em parceria com o Google, criou um sistema de previsão de clima que combina o uso de IA com modelos meteorológicos tradicionais.
O projeto pretende aumentar a precisão das previsões, o que é importante para as operações.
“Isso permite termos mais ferramentas para melhorar a gestão e a eficiência dos ativos por todo o país”, diz o vice-presidente de inovação, Juliano Dantas.

A Neoenergia consolidou seu posicionamento na transição energética com um aporte de R$ 528 milhões em Pesquisa, Desenvolvimento e Inovação (PD&I) ao longo de 2025.
Segundo o CEO Eduardo Capelastegui, o portfólio visa converter investimentos em eficiência operacional, descarbonização e resiliência de redes em resultados tangíveis para o negócio e a sociedade.
Um exemplo dessa estratégia é o projeto Noronha Verde, que recebeu R$ 350 milhões para descarbonizar o arquipélago em Pernambuco.
Em maio de 2026, a empresa concluiu a primeira fase da iniciativa com a instalação de 4.800 painéis solares e o início dos testes de injeção de energia na rede local.

Capelastegui, da Neoenergia: R$ 528 milhões investidos em 2025 em PD&I
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Quando finalizado, o complexo em Fernando de Noronha integrará mais de 30 mil módulos fotovoltaicos a sistemas avançados de armazenamento em baterias.
A estrutura terá capacidade instalada de 22 MWp e armazenamento de 49 MWh, o equivalente ao consumo de nove mil residências.
O empreendimento posicionará a localidade como a primeira ilha habitável da América Latina a atingir a descarbonização total.
O modelo servirá como referência real de sustentabilidade e resiliência para o setor elétrico brasileiro ao isolar o uso de combustíveis fósseis na geração local.

Na frente de combustíveis do futuro, a Neoenergia iniciou em 2025 a operação de sua planta piloto de Hidrogênio Verde (H2V) em Brasília, alimentada por uma usina fotovoltaica.
O projeto introduziu o primeiro ponto de abastecimento veicular (HRS) do país a operar em dois níveis de pressão.
A unidade utiliza uma tecnologia de eletrólise garantindo insumo 100% sustentável.

A rede de distribuição tem passado por transformações com o avanço da geração distribuída solar, o que traz desafios de controle de frequência e tensão e faz com que as distribuidoras tenham de atuar com mais eficiência sobre a gestão das redes, ganhando novas funções.
No fim do ano passado, a Energisa lançou uma plataforma de inovação aberta, o Energisa FlexLab. “Ele dá condições de desenvolver soluções que aumentam a capacidade da rede, reduzem custos sistêmicos e apoiam a transição para um sistema mais digital e distribuído, e a plataforma se abriu para um ecossistema internacional de inovação”, explica Letícia Dantas, diretora de inovação do Grupo Energisa.

No início desse ano, a empresa lançou uma chamada pública com projetos para serem desenvolvidos na plataforma.
Foram recebidas 296 propostas de 211 empresas de 13 países.
A ideia é selecionar entre cinco a dez projetos nesse ano com foco em soluções de flexibilidade.
As soluções serão desenvolvidas ou testadas em ambiente real, utilizando o ambiente de experimentação da plataforma, e poderão servir de base para novos modelos de negócio.
A Energisa mantém dois laboratórios para testes, um em Uberlândia (MG) e outro em Palmas (TO).

A inovação aberta integra as iniciativas da área.
Em 2025, ainda iniciou a aproximação com big techs, como Google, Amazon e Microsoft, promovendo imersões da empresa para firmar parcerias.
“A imersão com o Google, por exemplo, permite que tenhamos acesso ao modelo de desenvolvimento da holding deles que pode ser usada para pensar produtos e negócios”, afirma Dantas.

A transmissora de energia elétrica TAESA planeja investir mais de R$ 100 milhões até 2030 em sua estratégia de inovação, estruturada nos eixos de cultura interna e ecossistema colaborativo.
Prestes a completar um ano em agosto de 2026, a iniciativa TAESA Ventures já engajou 517 parceiros e impulsionou 22 desafios publicados.
Em inovação aberta, destacam-se ferramentas baseadas em IA e sustentabilidade.
Uma frente é buscar mapear e identificar problemas nos pouco mais de 15 mil quilômetros de linhas de transmissão em 18 Estados.
Fazer as linhas operaram perto de 100% de disponibilidade significa mais receita.

Frota de mais de cem drones da Taesa mapeia faixas de servidão por imagem de satélite
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Um exemplo é o projeto chamado de “Copiloto de Traçado”.
Desenvolvido em parceria com a Ambientare Geotech, ele utiliza IA para analisar 215 camadas de informações geoespaciais e automatizar o planejamento de novas linhas de transmissão, consolidando em um único ambiente dados ambientais, fundiários, econômicos e de engenharia para encontrar o traçado de menor impacto socioambiental.
Nos primeiros meses de execução já houve colaboração direta com órgãos ambientais e as áreas técnicas da TAESA estão utilizando a ferramenta.
“A entrada no mercado está prevista para os próximos meses”, diz Mauricio Dall'Agnese, Diretor de Negócios da TAESA.
Outro foco de atenção é o uso de uma frota de mais de 100 drones, que mapeiam faixas de servidão por imagem de satélite e já identificou 1.179 pontos de atenção.

Em 2025, a Equatorial consolidou uma estrutura integrada de PD&I, o que possibilita trabalhar com uma esteira de projetos capaz de organizar as iniciativas desde a fase de ideia até a sua implantação, com testes em ambientes controlados, avaliação de riscos, conformidade regulatória e planejamento para implementação em maior escala.

No início do ano, iniciou o projeto Minha Energia, uma iniciativa que busca criar novas opções de tarifas de energia e formas de faturamento e ainda ampliar o controle sobre o consumo de energia elétrica e incentivar hábitos eficientes com o objetivo de adequar a capacidade de pagamento do cliente.
Por meio dele, será aplicada um modelo que varia conforme o horário de consumo, em períodos específicos.
Pela tarifa planejada, o cliente é informado sobre horários em que poderá economizar na conta de luz: de 1h até 17h59, há uma oportunidade para usar equipamentos que consomem mais energia nesse período.
Já no horário das 18h às 0h59, é aplicada uma tarifa que exige mais atenção no uso da energia, pois pode impactar mais no valor da conta de luz.
A fase piloto está sendo testada nos municípios de Barreirinhas (MA) e Maragogi (AL) e terá duração de 12 meses.
A primeira etapa do projeto, que consistiu na instalação de medidores inteligentes, já foi concluída.

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