O ministro Dario Durigan diz que pretende ouvir economistas identificados com o pensamento liberal.
Já conversou com Marcos Lisboa, ex-secretário de Política Econômica do primeiro governo Lula, e agora afirmou que quer ouvir o ex-ministro da Fazenda Pedro Malan e o ex-presidente do Banco Central Arminio Fraga.
Mas ouvir para quê? Para dar uma demonstração de que está levando em consideração o que eles dizem, inclusive na formulação das propostas de campanha ou de um eventual novo governo Lula? Eles serão de fato ouvidos ou usados como símbolo?
Pedro Malan, como se sabe, comandou o Ministério da Fazenda durante todo o período de consolidação da estabilidade econômica.
Atravessou diferentes crises, conduziu a política econômica e deixou o governo com superávit primário e avanços na gestão da dívida externa.
Tem uma reputação construída sobre a capacidade de enfrentar e superar problemas.
No período de implantação do Plano Real, Malan era presidente do Banco Central e, posteriormente, assumiu o Ministério da Fazenda no governo Fernando Henrique Cardoso, quando ocorreu a consolidação da estabilização.
Arminio Fraga chegou ao Banco Central em um momento de grande crise do Plano Real, em 1999, quando ocorreu a mudança do regime cambial.
Ele assumiu, alterou a âncora cambial, implantou o regime de metas de inflação e deixou o governo com a economia em uma situação mais favorável para o início do primeiro mandato de Lula.
Falar com eles é falar com uma espécie de boa marca.
Quando se olha para esses economistas, a mensagem é: eles sabem como resolver problemas porque já resolveram.
A questão é saber se Durigan está ouvindo-os para ouvir de fato ou apenas para usar seus nomes como uma espécie de selo de credibilidade.
Na campanha presidencial de 2022, Pedro Malan, Arminio Fraga, Pérsio Arida, André Lara Resende e outros economistas assinaram um documento declarando voto em Lula.
Naquele momento, fizeram isso porque consideravam que a democracia estava ameaçada — e são democratas.
Mas eles não podem ser usados como cortina.
O governo Lula precisa dizer como pretende enfrentar as dificuldades fiscais e da dívida pública, que estão se tornando cada vez mais graves e urgentes.
A situação, como expliquei nesta quinta-feira na coluna, é bastante complexa.
Flávio Bolsonaro também ainda não apresentou uma proposta para resolver o nó fiscal em que o país se encontra.
O candidato do PL à Presidência da República tem tratado a questão de forma bastante superficial.
A grande responsabilidade, porém, recai sobre quem está no governo, quem terá de deixar o Orçamento preparado para a próxima gestão e quem, segundo as pesquisas, hoje tem maior probabilidade de vencer a eleição.
Estamos em um momento de aumento do custo da dívida, saída de recursos das Bolsas e maior atenção dos investidores.
Até aqui, o que se vê dos dois principais candidatos é um tratamento superficial desse tema.
Agora, o ministro que coordena a agenda econômica da campanha do presidente Lula diz que vai chamar para conversar os economistas em quem o mercado confia, passando a impressão de que o governo pode adotar as medidas por eles defendidas.
Mas é preciso mais do que isso para reduzir as dúvidas em relação às contas públicas.
Durigan diz que quer conversar com Malan e Arminio. Mas quer ouvi-los para quê?
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