Economia digital deve pressionar demanda por energia e créditos de carbono, dizem especialistas - QTU Questões do Universo

Economia digital deve pressionar demanda por energia e créditos de carbono, dizem especialistas

Fonte: Bandeira da fonte

O avanço da inteligência artificial (IA) e dos data centers deve aumentar a demanda por energia limpa e estimular o mercado de créditos de carbono, avaliaram especialistas durante painel promovido nesta quarta-feira (5) pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), na Rio Innovation Week.

Segundo Danilo Gomes, engenheiro da Petrobras, o consumo de eletricidade pelos data centers já representa um desafio em ascensão.
Ele citou dados da Agência Internacional de Energia (IEA) que mostram que essas instalações consumiram 415 terawatts-hora (TWh) em 2024, cerca de 1,5% da demanda global de eletricidade.
A estimativa é que esse volume chegue a 945 TWh até 2030, patamar próximo ao consumo atual do Japão.
"O gargalo da economia digital deixou de ser o chip ou o data center.
Hoje, o desafio é garantir disponibilidade de energia, e esses novos consumidores já chegam exigindo eletricidade de baixa emissão", afirmou Gomes.
Na avaliação do executivo, a nova demanda tende a fortalecer mecanismos de certificação ambiental e de rastreabilidade das emissões, ampliando o interesse pelo mercado de carbono.
Segundo ele, empresas que operam grandes plataformas digitais e infraestrutura de IA buscam comprovar a origem renovável da energia consumida e reduzir sua pegada de carbono.
Gomes afirmou que a Petrobras estuda tecnologias para automatizar a certificação de emissões e evitar dupla contagem de créditos de carbono, utilizando ferramentas digitais para aumentar a confiabilidade das informações e reduzir custos de verificação.
Regulação
O debate ocorre enquanto o Brasil avança na implementação do Sistema Brasileiro de Comércio de Emissões (SBCE), criado por lei aprovada no fim de 2024.
A regulamentação prevê um período de cinco anos até o funcionamento pleno do mercado.
Ricardo Gedra, gerente de Desenvolvimento de Negócios da Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), explicou que os dois primeiros anos serão dedicados à definição das regras, metodologias e setores obrigados a participar do sistema.
Em seguida, haverá um período de adaptação das empresas, antes da entrada em operação do mercado regulado.
"O desafio é construir um sistema confiável e evitar sobreposição de obrigações.
Se isso não for bem desenhado, o custo pode aumentar sem trazer ganhos ambientais proporcionais", disse Gedra.
Gedra também espera que mercado regulado crie demanda por créditos de carbono, permitindo que empresas que reduzirem emissões além de suas metas comercializem certificados com aquelas que não conseguirem cumprir seus limites.
Entre os setores previstos para integrar a primeira etapa do SBCE estão papel e celulose, siderurgia, cimento, alumínio, petróleo e refino, além do transporte aéreo.
A regulamentação ainda está em consulta pública.
Os especialistas também destacaram que o Brasil parte de uma posição favorável na transição energética por contar com uma matriz elétrica majoritariamente renovável, característica que pode aumentar sua competitividade na atração de investimentos em data centers.