Edinho defende ex-assessor e diz que Marcola precisou de empréstimo porque passava

Edinho defende ex-assessor e diz que Marcola precisou de empréstimo porque passava 'por dificuldades'

Fonte: Bandeira da fonte

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, defendeu nesta quarta-feira (5) o ex-assessor Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, e reafirmou ter confiança no aliado.
O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu afastamento da campanha petista hoje após a repercussão da informação de que recebeu dinheiro da empresária Roberta Lushsinger, citada em inquéritos da Polícia Federal.

Marcola era um quadro próximo de Lula e trabalhou na chefia do gabinete presidencial até 21 de julho, quando deixou o cargo para integrar a campanha à reeleição do presidente.
Edinho, também coordenador da campanha, afirmou em entrevista à CNN Brasil que partiu dele o convite para Marcola trabalhar na campanha.

"Quero dizer da nossa confiança no Marcola.
Marcola é uma figura que inclusive eu conheço há décadas.
Foi meu assessor quando eu fui deputado estadual em São Paulo (entre 2011 e 2015).
É uma figura por quem eu tenho muito respeito.
É uma pessoa íntegra, honesta.
Até porque eu nunca vi desonesto pedir dinheiro emprestado", afirmou Edinho.

O ex-assessor tinha como função a organização da agenda eleitoral de Lula.
Nesta manhã, ele comunicou a Edinho a decisão de sair da campanha para, segundo o dirigente, se dedicar a sua defesa no caso.

O dirigente disse ter certeza que Marcola provará sua honestidade.
Edinho afirmou que o ex-assessor passava por dificuldades e por essa razão pediu dinheiro emprestado à empresária.
"Pede dinheiro emprestado quem vive da sua renda, quem vive do seu salário.
Portanto o Marcola passou por dificuldades como quantas pessoas no Brasil passam e pedem dinheiro emprestado", afirmou.

De acordo com informações do Portal da Transparência do governo federal, a remuneração básica bruta de Marcola era de R$ 31.919,27.
O ex-chefe de gabinete também recebia R$ 12,4 mil em honorários (jetons) por integrar conselho da Companhia Imobiliária de Brasília (Terracap).
Em junho, ele recebeu ainda R$ 15,9 mil de gratificação natalina.
Ficha de remuneração de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, ex-chefe de gabinete do presidente Lula
Reprodução/Portal da Transparência
Empresária citada em inquéritos
A saída de Marcola da campanha petista foi tomada dois dias após o site Poder360 revelar que Roberta Luchsinger fez transferências para Marcola.
A empresária é amiga próxima de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, um dos filhos do presidente.
Ela é citada em inquéritos sobre o esquema de fraude em descontos associativos de aposentados e pensionistas do INSS.
Ela teria prestado serviços para Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS.

Na terça-feira (4), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou a abertura de um terceiro inquérito envolvendo Lulinha por suspeita de tráfico de influência em setores do governo.
Os detalhes do procedimento ainda são desconhecidos, mas, segundo fontes a par do caso, a apuração tem como alvos principais o ex-chefe de gabinete e a empresária.

A defesa de Marcola negou haver irregularidades e, em comunicado, o ex-assessor disse que os R$ 249 mil recebidos de Luchsinger eram um empréstimo pessoal, já quitado.
"Recebi com surpresa a matéria que trata um empréstimo pessoal contraído e já quitado como algo ilegal.
Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", declarou.