El-Erian diz que intervenção do Tesouro dos EUA em Treasuries mostra fraqueza e critica erros do Fed - QTU Questões do Universo

El-Erian diz que intervenção do Tesouro dos EUA em Treasuries mostra fraqueza e critica erros do Fed

Fonte: Bandeira da fonte

Em meio ao aumento da dívida pública nos Estados Unidos, Mohamed El-Erian, economista e consultor econômico da Allianz, avalia que a intervenção anunciada neste mês pelo Tesouro americano no mercado de Treasuries demonstra fraqueza aos olhos dos investidores.
Ao participar de um evento promovido pelo BTG Pactual, ele também disse que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) tem cometido muitos erros.

"Em vez de fazer uma consolidação fiscal, o Tesouro resolveu intervir.
Isso está sendo visto agora como um grande erro, que sinaliza fraqueza", disse El-Erian em um painel no evento.
Ele observou que, enquanto há um aumento na demanda por recursos para empréstimos e os juros estão subindo, três compradores de títulos americanos importantes estão se tornando menos confiáveis: a China, por questões geopolíticas; o Golfo, na medida em que os países da região têm precisado de maior financiamento interno; e o Japão.

Neste mês, o secre tário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, anunciou um aumento nas operações de recompra de títulos públicos de longo prazo, em uma tentativa de diminuir os rendimentos e trazer maior liquidez ao mercado.

El-Erian também considera que o Fed tem cometido erros, que têm sido "numerosos e frequentes", e acredita que a agenda de reformas trazida por Kevin Warsh, novo presidente da autoridade monetária, é "bem-vinda".
"A comunicação tem sido ruim e há muitos estudos que mostram que ela tem aumentado a volatilidade, em vez de diminuí-la", pontuou o economista, como um exemplo.
"Suas projeções têm sido ruins.
O Fed não conseguiu cumprir sua meta [de inflação].
E, como se não fosse suficiente, cinco autoridades do Fed tiveram que deixar seus cargos por acusações de irregularidades financeiras."

"Nós damos boas-vindas a isso [agenda de reformas no Fed], porque finalmente há alguém disposto a admitir que o mercado estava em outro lugar, que o Fed vinha sendo condicionado pela dependência de dados", disse o economista, em referência à agenda de reformas no Fed por parte de Warsh.
El-Erian acredita que há um certo descompasso na maneira como os participantes do mercado estão interpretando a postura do novo presidente do Fed, na medida em que os investidores estavam acostumados com um banco central dependente de dados e que "olha para trás" nos últimos anos.

"Warsh diz que quer ser orientado para o futuro, mas o mercado diz que está acostumado a um Fed que olha para trás", afirmou o economista.
Ele também acredita que Warsh não foi tão "hawkish" (propenso a subir juros) quanto interpretado pelos participantes do mercado em seu discurso no Jackson Hole, na sexta-feira.

O consultor econômico chefe da Allianz, Mohamed El-Erian
Leo Rodrigues/Valor