A intensificação do El Niño pode agravar a insegurança alimentar em diversas regiões do planeta.
Segundo um alerta divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), o fenômeno pode levar 49 milhões de pessoas adicionais à insegurança alimentar aguda até o fim de 2027.
De acordo com o Programa Mundial de Alimentos (PMA), atualmente 225 milhões de pessoas vivem em situação de insegurança alimentar aguda no mundo.
Com os impactos esperados do El Niño em 2026/27, esse número pode crescer cerca de 22%, chegando a 274 milhões de pessoas.
O cálculo considera perdas na produção agrícola, eventos climáticos extremos e dificuldade de acesso aos alimentos.
A ONU lembra que o último El Niño muito intenso, registrado entre 2015 e 2016, afetou a segurança alimentar de 60 milhões a 100 milhões de pessoas.
Para o episódio atual, as projeções indicam que milhões de pessoas que hoje não enfrentam fome aguda podem passar a integrar esse grupo, especialmente em regiões vulneráveis da África, Ásia, América Latina e Caribe.
Os maiores impactos devem acontecer na América Central e na porção sul da África.
Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), o fortalecimento do El Niño deve elevar as temperaturas globais e alterar os padrões de chuva, favorecendo secas, enchentes e incêndios florestais em diferentes partes do mundo.
A agência destaca que esses efeitos podem ser potencializados pela atuação simultânea de um Dipolo Positivo do Oceano Índico, fenômeno que altera os ventos, provocando fortes chuvas na África Oriental e secas severas na Oceania.
Diante desse cenário, as agências da ONU defendem a adoção de medidas antecipadas para reduzir os impactos sobre as populações mais vulneráveis e reforçar a assistência humanitária antes que a crise se agrave.
