Em meio à busca de grande parte da população por formas de viver mais e melhor, o Guinness World Records reconheceu três brasileiras como as irmãs vivas mais velhas do mundo.
Juntas, Levita de Deus Nunes, de 109 anos, Zoraide de Deus Mota, de 104, e Zulina de Deus Nunes, de 103, somam 316 anos e 302 dias de vida.
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Moradoras do Rio de Janeiro, elas passaram a ser objeto de um estudo científico que investiga os fatores relacionados ao envelhecimento saudável.
Como era de se esperar, o caso despertou interesse internacional e também chamou a atenção dos pesquisadores do Projeto DNA Longevo, iniciativa coordenada pela geneticista Mayana Zatz no Centro de Estudos do Genoma Humano da Universidade de São Paulo (USP).
O objetivo da equipe é identificar os fatores biológicos e os possíveis genes de proteção que permitem a algumas pessoas alcançar idades tão avançadas preservando as capacidades físicas e cognitivas.
O fato de três mulheres centenárias, plenamente lúcidas, pertencerem à mesma família reforça a hipótese de que a herança genética tenha um papel importante na longevidade.
Ainda assim, especialistas afirmam que esse fenômeno não pode ser explicado apenas pela genética.
Segundo Ben Meyers, diretor executivo da organização LongeviQuest — responsável por verificar os registros biográficos das irmãs antes do reconhecimento pelo Guinness —, a genética exerce um papel relevante quando vários integrantes de uma mesma família ultrapassam os 100 anos de idade.
No entanto, ele ressalta que fatores como a proximidade entre os familiares, a convivência comunitária e uma forte rede de apoio também são fundamentais para a qualidade de vida das três irmãs.
Da esquerda para direita: Zulina, Levita e Zoraide
Reprodução/ Guinness World Records
Como elas chegaram aos 100 anos?
A trajetória das três brasileiras é marcada pelo trabalho constante e pelo apoio mútuo ao longo da vida.
Levita, a mais velha, nasceu em 1917.
Passou boa parte da juventude cuidando da família na zona rural e, mais tarde, trabalhou durante 12 anos na Rede Globo.
Zoraide, nascida em 1921, iniciou a carreira como professora rural e, depois de se mudar para o Rio de Janeiro, em 1944, tornou-se enfermeira.
Também criou cinco filhos.
Já Zulina, nascida em 1923, dedicou-se aos trabalhos manuais, à costura e ao bordado, atividades que garantiram o sustento da família enquanto criava seus seis filhos.
Na metade do século passado, as três voltaram a viver na mesma cidade, fortalecendo ainda mais o vínculo familiar que permanece até hoje.
Além das análises genéticas, as próprias irmãs atribuem a longevidade a uma alimentação natural e a uma vida fisicamente ativa.
Zulina relembra uma infância sem alimentos ultraprocessados e sem geladeira, marcada por banhos de rio e muita atividade física.
Já Zoraide destaca a importância do aleitamento materno.
A pesquisa também pretende comparar pessoas centenárias saudáveis com indivíduos que apresentam comprometimento cognitivo.
A expectativa é analisar pelo menos 500 casos para obter conclusões mais consistentes sobre os fatores que favorecem um envelhecimento saudável.
Elas têm 109, 104 e 103 anos: as três irmãs brasileiras que têm o segredo da longevidade e que a ciência quer descobrir
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