Eleições 2026: Lula resiste, Flávio perde fôlego e Cury bagunça o jogo presidencial - QTU Questões do Universo

Eleições 2026: Lula resiste, Flávio perde fôlego e Cury bagunça o jogo presidencial

Fonte: Bandeira da fonte

A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta quarta-feira (2), confirma que a eleição presidencial de 2026 entrou definitivamente em uma fase de maior
imprevisibilidade.
Lula (PT) permanece na liderança do primeiro turno, com 37% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro (PL) aparece com 29%.
A distância, portanto, está na faixa de sete pontos.
Não é pouca coisa, em um cenário polarizado – ainda mais quando se consideram os dados da pesquisa espontânea.
O dado mais significativo, porém, talvez esteja atrás dos dois primeiros colocados: o escritor e coach Augusto Cury, do Avante chega a 10%, depois de crescer oito pontos em relação ao levantamento anterior.
A pesquisa ouviu 2.004 eleitores entre 30 de agosto e 1º de setembro, com margem de erro de dois pontos percentuais.

Lula, portanto, continua demonstrando uma capacidade de resistência eleitoral que não pode ser subestimada.
Mesmo submetido a desgaste político,
ataques da oposição e a uma conjuntura na qual a aprovação de seu governo não transforma automaticamente popularidade em voto, o presidente segue
sendo o candidato mais competitivo no primeiro turno.
Na pesquisa espontânea, quando nenhum nome é apresentado ao eleitor, Lula aparece com
28%, contra 20% de Flávio.
Em outras palavras, a liderança petista não significa eleição resolvida, mas revela algo importante: até aqui, nenhum
adversário conseguiu retirar de Lula a condição de principal polo da disputa.
O problema está do outro lado.
Flávio Bolsonaro continua competitivo e
já transformou uma disputa que parecia amplamente favorável a Lula em uma corrida apertada para o segundo turno.
Há cerca de 45, Lula tinha 45% contra
37% de Flávio; agora, a relação é de 42% a 41%.
No primeiro turno, porém, Flávio praticamente não avançou: saiu de 28% para 29%, dentro da margem
de erro.
É aí que entra a ascensão de Cury.
O crescimento do candidato do Avante, de 2% para 10% na série da Quaest, sugere que parte do eleitorado
que procura uma alternativa à polarização pode estar encontrando nele uma opção.

Bolsonaro continua sendo o candidato mais rejeitado (55% dos entrevistados).
É um dado proibitivo – e há possibilidades de tal rejeição
aumentar, em especial com o andamento da campanha e com os avanços das investigações sobre o escândalo do Banco Master.
Novos fatos vêm surgindo
nas conexões financeiras entre o senador e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A ascensão de Cury é incômoda para o candidato do PL porque ocorre
justamente no espaço político em que Bolsonaro precisa crescer.
A direita radicalizada possui um eleitorado relativamente consolidado, mas a chegada
ao segundo turno exige ampliar a coalizão para além desse núcleo.
Cury aparece, neste momento, como uma espécie de terceira via renovada, explorando o cansaço de parcelas do eleitorado com a guerra permanente entre lulismo e bolsonarismo.

Não é possível afirmar, por ora, que os 10% de Cury constituam uma tendência irreversível, mas ignorar esse movimento seria um erro estratégico.
O fato de ele já aparecer em terceiro lugar também em outros levantamentos recentes reforça que não se trata de um fenômeno isolado de uma única
pesquisa.

E há uma segunda notícia ruim para a oposição tradicional: os demais nomes simplesmente não decolaram.
Na Quaest de agosto, Ronaldo Caiado e
Renan Santos tinham 4% cada, enquanto Romeu Zema aparecia com 2%.
Agora, Renan registra 3%, e Caiado e Zema ficam em apenas 1% cada.
O
cenário indica que o espaço disponível para uma candidatura antipetista não está necessariamente sendo ocupado por governadores ou lideranças políticas
tradicionais.
Está sendo disputado por quem consegue apresentar uma narrativa diferente – e o escritor, pelo menos momentaneamente, parece ter
encontrado essa porta de entrada.

Os números, portanto, não autorizam euforia de nenhum dos lados.
Lula ainda lidera, Flávio permanece competitivo, mas não cresce de forma consistente, enquanto Cury avança justamente sobre um eleitorado que rejeita a polarização.
A eleição, por enquanto, continua aberta.
O dado mais incômodo para os dois polos é que o eleitor começa a procurar alternativas fora da disputa que parecia previamente desenhada.