Em caso de transplante ‘extremamente raro’, pai doa parte do fígado e do intestino para salvar o filho - QTU Questões do Universo

Em caso de transplante ‘extremamente raro’, pai doa parte do fígado e do intestino para salvar o filho

Fonte: Bandeira da fonte

Harry Jackson nasceu com má rotação intestinal, uma anomalia do intestino que ocorre quando o bebê está se desenvolvendo no útero.
Com seis anos de idade, ele corria risco de sofrer um vólvulo, consequência dessa má rotação, na qual o intestino se torce, interrompendo o fluxo sanguíneo para essa parte do intestino.

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Além disso, ele tinha desenvolvido uma doença hepática associada à insuficiência intestinal (IFALD), uma condição hepática progressiva causada por anos recebendo alimentação intravenosa para controlar seu quadro.
Em uma reunião, os médicos de Harry se juntaram com os pais do menino, Gary Jackson e Annie Cerveno, para discutir a possibilidade de um transplante, caso algum dos dois fosse compatível.
De pai para filho
Por obra da genética — ou do acaso — Gary, após testes, se mostrou 98% compatível com o filho no antígeno leucocitário humano (HLA): seus sistemas imunológicos eram especialmente parecidos e, em janeiro de 2025, o pai de Harry passou por uma cirurgia de 17 horas, em que doou cerca de 20% do seu fígado e 1,5 m do seu intestino delgado ao seu filho.
As informações são da Sky News.
Harry, quando estava à caminho do transplante
X/@gwjackson08
"Continua sendo o maior privilégio da minha vida”, afirma Harry: "Ver a recuperação dele e saber que pude desempenhar um papel tão importante em dar-lhe essa oportunidade é algo que nunca conseguirei descrever completamente em palavras"
Annie, mãe do menino, afirmou que o casal acreditava que a necessidade de um transplante ainda “demoraria anos”: "Como pais, nos sentimos completamente impotentes ao ver nosso filho esperando por algo tão incerto".
"A ideia de que um de nós pudesse doar e dar a Harry essa oportunidade era algo que queríamos explorar imediatamente.
Se houvesse alguma possibilidade de o ajudarmos nós mesmos, tínhamos que tentar”, adiciona.
Harry antes e depois de transplante
X/@gwjackson08
Transplante ‘extremamente raro’
Apenas três a cada 100 transplantes de fígado feitos no Reino Unido são de doadores vivos, que, segundo Miriam Cortes-Cerisuelo, cirurgiã consultora de transplante de fígado e chefe clínico de cirurgia de transplante no King's College Hospital, onde o transplante de Harry foi realizado, são os com maiores chances de darem certo.
"O órgão doado é de excelente qualidade, proveniente de um doador saudável, e o processo permite uma melhor preparação e planejamento para a cirurgia”, afirma a médica.
Só que o caso de Harry é ainda mais especial: um transplante de um doador vivo não só de fígado, como também de intestino delgado são extremamente raros: segundo ela, são apenas dez casos em todo o mundo, de todos que envolvem crianças.