Em conversa com Trump, Lula defendeu integridade do processo eleitoral no Brasil - QTU Questões do Universo

Em conversa com Trump, Lula defendeu integridade do processo eleitoral no Brasil

Fonte: Bandeira da fonte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu par americano, Donald Trump, discutiram as eleições presidenciais brasileiras deste ano durante o telefonema desta sexta-feira (21).
Em meio à pressão dos Estados Unidos sobre o processo eleitoral, Lula reiterou a Trump a confiabilidade e a segurança do sistema de votação do país.
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O tema, segundo fontes, foi levantado pelo próprio americano no início da conversa, que durou 1h20, como uma forma de dar início ao telefonema.
De acordo com auxiliares, Trump citou a eleição brasileira e perguntou a Lula como estava a corrida presidencial.
O petista, então, respondeu que a campanha tinha acabado de começar, mas que estava transcorrendo bem.
Lula reiterou que há vários candidatos disputando o pleito, mas que o processo eleitoral brasileiro é confiável.

A avaliação de pessoas que participaram da conversa é que foi um diálogo restrito a um intercâmbio cordial e à troca de impressões entre dois chefes do Executivo.
Não houve réplica após a fala de Lula sobre a confiabilidade das urnas, e o tema se encerrou.
Um interlocutor avaliou o diálogo como adequado.
O telefonema foi solicitado por Lula e é considerado uma retomada de diálogo entre os dois presidentes, que se distanciaram nos últimos meses com as novas aplicações de tarifas americanas ao Brasil.
Segundo fontes, a conversa foi convergente, positiva, e ainda teve elogios.
Mesmo assim, não houve um grande nível de intimidade se comparado às últimas interações.
Em maio, por exemplo, Trump disse "I love you" ("Eu te amo", em português) ao líder brasileiro.
A perspectiva do governo Lula 3 é que o diálogo desta sexta-feira desencadeie um novo processo de retomada do diálogo entre os dois países.
Por conta disso, não foram citados temas considerados polêmicos, como o eventual envio de funcionários do Departamento de Estado para questionar a integridade das urnas eletrônicas antes das eleições de outubro, a alteração no visto da embaixadora do Brasil em Washington, Maria Luiza Ribeiro Viotti, e a concessão do agrément da indicação de Daniel Perez ao cargo de embaixador dos Estados Unidos em Brasília.

A leitura é que, como a relação entre os dois países foi afetada nos últimos meses, o foco do Brasil é que ela não se debilite ainda mais, e que sejam retomadas as negociações em torno do tarifaço.
Mesmo que o canal esteja se restabelecendo, a gestão brasileira não vê qualquer reversão no tarifaço no curto prazo.
A ideia é que a retomada das conversas tenha efeito apenas no período pós-eleição, já que, em uma eventual vitória de Lula em outubro, o presidente terá que lidar, ainda, com dois anos de gestão Trump nos Estados Unidos.
Dessa forma, o relançamento das conversas já cria uma base, na visão de fontes, para uma relação positiva entre os dois países em 2027.
Há uma interpretação no Palácio do Planalto de que essa volta do diálogo torna ainda mais difícil qualquer manifestação ou contestação de Trump em relação ao processo eleitoral brasileiro.
Mesmo assim, o governo ainda vê como possível novas manifestações de autoridades americanas ligadas ao Departamento de Estado dos Estados Unidos, visto como a ala mais ideológica do governo e próxima da família Bolsonaro, sobre o pleito.
Esta ala ainda é vista como um foco de interferência no processo brasileiro.
Segundo o auxiliar, não é possível baixar a guarda no momento.
De acordo com fontes, Trump não rebateu as críticas feitas por Lula sobre o tarifaço americano, mas respondeu de maneira genérica e propôs que integrantes dos países se reunissem para debater o assunto.
Na ocasião, não foi citada eventual adoção da reciprocidade de tarifas, mas, sim, a negociação.
Ao final da conversa, o líder americano fez questão de dizer que o presidente brasileiro tem acesso a ele e, se houver necessidade, pode falar diretamente com ele.
A mensagem que ficou, para fontes, é que o Brasil ainda tem um canal direto com os Estados Unidos, e que ele pode ser acionado a qualquer momento.
A ligação teve início por volta das 9h30, no horário de Brasília, desta sexta-feira, e durou 1h20.
A duração da conversa é considerada longa para chefes de Estado.
Não estão descartadas, no governo brasileiro, novas interações entre os líderes.
O telefonema faz parte, também, de uma série de conversas que Lula tem feito com líderes globais para tratar sobre temas mundiais, inclusive, como o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU).
A ligação desta sexta-feira (21), segundo fontes, foi dividida em três blocos de tema: comércio, crime organizado e geopolítica — nesta ordem.