Antes de discursar na convenção do PT que confirma a sua candidatura à reeleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez uma autocrítica e reclamou sobre a falta de mulheres na programação do evento.
De improviso, o petista convocou a primeira-dama Janja da Silva pra fazer um discurso antes dele:
— Nós, mulheres, que fazemos marmita para nosso maridos, limpamos a casa, chegamos em casa às dez horas da noite, vamos te eleger — disse Janja.
Antes da abertura oficial do evento, Marina Silva, Simone Tebet e Benedita da Silva participaram de entrevistas transmitidas ao vivo.
Nos discursos oficias, contudo, não havia mulheres escaladas.
Antes de Lula discursaram o presidente do PT, Edinho Silva; o candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad (PT), e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).
Com Flávio Bolsonaro (PL), principal rival de Lula, estagnado nas pesquisas, a campanha do petista investe no binômio democracia e soberania.
As palavras são vistas em camisetas, bonés e faixas levadas por militantes ao evento do PT.
Primeiro a discursar na convenção, Edinho Silva, presidente nacional do PT, defendeu que o país precisará "fazer uma escolha" nas urnas entre a "pequenez política", representada por Flávio, e um "grande líder" da democracia no mundo, que seria Lula.
— O Brasil do presidente Lula vai enfrentar o intervencionismo, o autoritarismo e defender a soberania do povo — disse.
O ex-ministro Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, focou o discurso na disputa nacional e afirmou que o país precisa de um “marujo confiável”.
— Não é exagero dizer que o mundo está muito turbulento, o mar está revolto.
Hoje você tem guerras, você tem a ascensão da extrema direita, que ocupou espaço depois da crise de 2008, que ocupa cada vez mais espaço, sobretudo na Europa, nos Estados Unidos, e agora na América Latina.
No momento como esse, de mar revolto, você precisa de um marujo confiável, experiente, e uma pessoa que sabe manejar o barco, manejar o navio, que sabe acionar os instrumentos necessários para proteger o Brasil — disse.
Haddad também manteve o discurso de “nós contra eles” presente em toda a campanha e voltou a criticar a gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro.
— O presidente Lula sucedeu um presidente que desorganizou o país em todos os sentidos.
Desorganizou o fundo, desorganizou as finanças, desorganizou a educação, a ciência e tecnologia, assistência — disse.
Apesar de não comentar sobre a disputa em São Paulo, onde vai enfrentar o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), a própria militância fez questão de destacar, com hinos e palavras de ordem, o eventual embate.
“Ele é de Luta, é professor, Fernando Haddad governador”, cantaram os presentes.
Haddad relembrou a trajetória de Lula — das “entranhas” do país, em Garanhuns, até São Paulo, onde se estabeleceu.
Disse que o presidente nunca traiu seus princípios de vida desde que assumiu, em seu primeiro discurso no ABC, na Grande São Paulo.
E reforçou a parceria com Geraldo Alckmin, que segundo ele devolveu ao povo brasileiro o dinheiro que o ex-presidente Jair Bolsonaro “surrupiou”.
— Essa dupla [Lula e Aclkmin] recolocou no orçamento da saúde 100 bilhões que o Bolsonaro surrupiou.
Colocou no orçamento da educação outros 100 bilhões que o Bolsonaro surrupiou.
Fez o Brasil crescer o dobro do que vinha crescendo, com inflação controlada.
Fez ajuste, mas não fez ajuste no lombo do trabalhador — apontou.
Alckmin comparou o governo Lula com o anterior, criticando a "campanha negacionista contra as vacinas" na pandemia de covid-19 por parte do ex-presidente Jair Bolsonaro e a "depredação do meio ambiente" ocorrida durante o mandato do adversário político.
— Estivemos aqui, há quatro anos, para salvar a democracia, que estava em risco.
Se os nossos adversários, perdendo as eleições, tentaram um golpe de estado e tinham como projeto matar aqueles que foram eleitos pelo povo, imaginem se tivessem ganho as eleições.
Aliás, quem não acredita no voto popular nem deveria ser candidato a presidente — afirmou o vice-presidente.
Alckmin declarou ainda que o descrédito nas urnas demonstrado por Flávio numa reunião com diplomatas é "cheiro de derrota" e lembrou, de forma bem-humorada, do apelido "picolé de chuchu", criado pelo jornalista José Simão para descrever o seu estilo discreto.
— É um hit nas paradas de sucesso.
Lula com chuchu, vamos presidente!Durante a convenção, o partido fez entrevistas com aliados políticos antes da abertura oficial, de forma a tornar o evento "mais dinâmico".
Na prévia da propaganda eleitoral exibida, o governo Lula é apresentado como uma gestão de "entregas", citando programas como Pé-de-Meia e a isenção de IR para quem ganha até R$ 5 mil -- mas a "maioria do povo nem sabe o que foi feito", segundo dito numa das apostas de conteúdo, em formato de rap.
A convenção ocorre em um dos pavilhões do Expocenter Norte, na capital paulista.
Com o maior colégio eleitoral do país, o estado de São Paulo é o principal foco do presidente nesta corrida eleitoral.
Rejeição alta
A campanha petista está otimista neste momento da disputa, uma vez que Flávio não conseguiu fechar alianças com importante partidos do Centrão — a federação União-PP anunciou neutralidade na corrida nacional — e tem vivido reveses na comunicação da campanha, sem conseguir acertar o tom.
Lula, no entanto, precisa enfrentar um cenário de rejeição.
Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 24 mostrou que 46% dos entrevistados não votariam no petista de jeito nenhum.
Os números, contudo, são ruins para o bolsonarista também: 48% se posicionaram da mesma forma em relação a Flávio.
O levantamento apontou que o presidente Lula tem 40% das intenções de voto no cenário de 1º turno, oito pontos à frente do senador Flávio Bolsonaro, com 32%.
No levantamento anterior, divulgado em 20 de junho, o presidente tinha 41% e o senador, 31%.
Os números mostram um cenário de estabilidade.
Além de PT, PCdoB e PV, que integram a Federação Brasil da Esperança, PSOL, Rede, PSB e PDT vão compor a base de apoio à corrida de Lula pelo quarto mandato.
Assim como em 2022, a chapa terá Geraldo Alckmin como candidato a vice.
O nome foi oficializado em convenção do PSB realizada em Brasília na última quarta-feira.
Participam da convenção o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad, candidato ao governo de São Paulo, os governadores Elmano de Freitas (Ceará), Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Rafael Fonteles (Piauí), além da governadora Fátima Bezerra (Rio Grande do Norte).
