O ex-banqueiro Daniel Vorcaro depôs na última quinta-feira (27) perante um juiz auxiliar do gabinete do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, e relatou, sem apresentar provas, que a Polícia Federal teve má vontade com sua proposta de colaboração, pois ele poderia implicar o diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues.
O depoimento foi tomado na Papudinha, onde Vorcaro está detido, sem a presença da PF.
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O Valor apurou com fontes ligadas ao caso que o depoimento foi visto pelos investigadores como "inócuo", já que o acordo poderia ter sido feito somente com a Procuradoria-Geral da República, que rejeitou também sua proposta.
O relato foi visto ainda como uma tentativa da defesa de tratar diretamente com o ministro relator do caso, já que foi solicitado diretamente pela defesa, no esforço para tentar alguma colaboração premiada.
Em seu relato, Vorcaro mencionou que teria sido mal tratado e recebido indiretas nas ocasiões em que foi transportado pela PF para as prisões em que foi levado, em São Paulo e em Brasília.
O ex-banqueiro foi preso pela primeira vez em novembro do ano passado, em Guarulhos (SP), solto e depois voltou a ser preso em março deste ano.
Nessas prisões ele foi levado mais de uma vez para a carceragem da Polícia Federal em Brasília e, segundo apurou o Valor, ele teria relatado que ouviu de agentes durante o transporte que o "chefe" deles iria "se lascar".
Vorcaro mencionou os episódios para argumentar que a PF teria tido uma má vontade com sua proposta de colaboração, pois a corporação saberia que ele poderia citar Andrei Rodrigues em sua proposta.
Vorcaro, porém, não apresentou nenhum dado concreto que poderia ter relatado sobre o diretor-geral da PF.
Além disso, o ex-banqueiro fez, na introdução de seu depoimento, uma explicação sobre sua trajetória e seus negócios.
Neste relato, segundo apurou a reportagem, ele teria reconhecido que cometeu alguns erros, mas defendeu alguns negócios e não reconheceu alguns crimes, tendo inclusive alegado que a proposta do Master ao BRB teria sido produtiva, pois ele já havia acertado a venda do seu banco para um grupo estrangeiro quando foi preso, em novembro do ano passado.
As investigações da PF, com base em relatórios do Banco Central e perícias da própria corporação, identificaram que o BRB teria adquirido carteiras podres de cerca de R$ 12 bilhões do Master que não tinham lastro, além de outras operações suspeitas que causaram um rombo nas contas do banco estatal de Brasília, que até hoje busca uma saída para o prejuízo causado pelos negócios com o banco de Vorcaro, que foi liquidado no ano passado pelo BC.
O relato foi visto pelos investigadores como frágil.
Os investigadores consideram ainda que, desde que sua colaboração foi rejeitada, a defesa de Vorcaro vinha sinalizando o interesse dele de tentar falar diretamente com o relator do caso.
Procurada, a PF ainda não se manifestou sobre o depoimento.
A defesa de Vorcaro informou que não iria se manifestar.
