Em estreia na TV, Tarcísio ignora Flávio e relembra ação após tragédia; Haddad traz Lula e pede voto sem preconceito - QTU Questões do Universo

Em estreia na TV, Tarcísio ignora Flávio e relembra ação após tragédia; Haddad traz Lula e pede voto sem preconceito

Fonte: Bandeira da fonte

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tenta a reeleição em São Paulo, ignorou o senador Flávio Bolsonaro (PL), que concorre a presidente, e levou para o primeiro horário eleitoral gratuito em TV depoimentos de vítimas dos deslizamentos de encostas de São Sebastião, no litoral paulista, em 2023.
O objetivo era apresentar-se como um político “humano”, um “homem de Deus” e um “herói sem capa” que “agiu rápido” diante do episódio e entregou moradias a quem perdeu tudo.
Fernando Haddad (PT), por sua vez, fez um apelo aos eleitores para decidirem o voto a partir de uma análise crítica da atual gestão, tirando a “venda dos preconceitos partidários”.
O programa fez elogios às suas passagens como ministro da Educação e da Fazenda, bateu na tecla do aumento dos feminicídios e da queda de posições no ranking de educação dos estados e mostrou discursos do presidente Lula (PT) e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB).

O episódio da Vila Sahy costuma ser citado pelo governador, nos bastidores, como um exemplo de ação eficiente do poder público, mas a campanha mantinha o mistério sobre o conteúdo.
“São Paulo conhecia ali quem era o seu governador”, narra uma mulher no programa eleitoral do republicano.
Tarcísio cumprimenta pessoas, conversa com uma senhora dentro da sua nova casa e, à sua maneira, enumera o que foi feito na ocasião, como parcerias com a rede hoteleira e envio de caminhões-pipa.
Ao ouvir um pedido de abraço, Tarcísio se emociona.
O material encerra com uma frase do governador em um fundo preto, aos moldes de um filme biográfico, em que defende as medidas como uma homenagem às 64 vidas que foram perdidas.

Haddad, com tempo mais curto à disposição, interveio com um vídeo produzido com inteligência artificial (uma reportagem atribuída à CNN Brasil na tela tinha frases em outros idiomas), onde as pessoas retiram faixas dos olhos ao ouvir sobre problemas do estado.
Seriam as tais “vendas” do antipetismo entre os eleitores paulistas.
Numa tentativa de transmitir dinamismo, Haddad caminha em direção às câmeras enquanto critica o governo do rival.

A partir disso, o petista tem seus feitos no governo apresentados, como a criação do Prouni, a expansão das universidades e dos institutos federais, quando era ministro da Educação, e as atuais taxas de desemprego e inflação, as “menores da história”, agora que deixou a Fazenda.
A chapa inteira dá as caras com frases pinçadas dos discursos da convenção estadual do PT, dia 25 de julho.
“São Paulo é muito grande e, na mão do Haddad, vai ser muito maior”, declara Lula, antes do jingle de campanha, com um “desperta aê” no meio, finalizar o bloco.
Mais cedo, em dois horários reservados nas rádios, Tarcísio destacou o "fim da Cracolândia", entendido como a dispersão do fluxo antes concentrado numa praça na região central de São Paulo, também sem qualquer menção a Flávio.
O candidato do Republicanos disse que espera "uma campanha leve, sem baixaria" e manifestou compromisso com "mulheres, jovens e com cada paulista".
Um jingle curto reforçou o seu número de urna, que é diferente do PL de Jair Bolsonaro: "nesta eleição, não pode errar".
Haddad também partiu para o ataque nas rádios, alegando que Tarcísio "teve quatro anos para fazer e não fez" e que "a água está cara, a violência está aumentando e tem pedágio em tudo quanto é lugar".
O petista detalhou o seu histórico políticou e, a exemplo do programa de TV, pediu aos eleitores para que retirem "o véu das paixões políticas" na hora de decidir o voto.
"Governar é enfrentar os problemas, foi assim que conduzi minha vida pública, enfrentei crises e interesses de poderosos para beneficiar a maioria", declara.
Além dos postulantes ao governo, o programa desta sexta teve espaço destinado aos candidatos ao Senado e a deputado estadual em São Paulo.
Marina Silva (Rede) e Simone Tebet (PSB), ex-ministras do governo Lula, concorrem na chapa de Haddad.
Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL) são os candidatos de Tarcísio e Flávio.
Soninha Francine (Cidadania) e Geraldo Rufino (Podemos) também pediram votos na TV, e o restante dos partidos não cumprem os requisitos para ter direito.

Divisão da propaganda
Tarcísio conta com mais do que o dobro do tempo de propaganda de Haddad nas eleições de 2026, de acordo com a divisão oficial do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP).
A coligação do atual governador, formada por 10 partidos, responde por 6 minutos e 20 segundos.
Haddad, que repete a coligação de Lula em nível federal, conta com 2 minutos e 39 segundos.
Carlos Machado (PCB), Izadora Dias (PCO), Policial Edjane (Agir), Vera Lúcia (PSTU) e Vivian Mendes (UP) registraram-se na disputa, mas concorrem de maneira isolada e seus partidos não superaram a cláusula de barreira nas eleições passadas para a Câmara dos Deputados, o que inviabiliza a participação no horário eleitoral gratuito.
Os programas de TV são exibidos duas vezes por dia, primeiro às 13h e depois às 20h30.
No rádio, a transmissão ocorre às 7h e ao meio-dia.
Os blocos começam com os candidatos ao Senado e passam pelos concorrentes a deputado estadual antes de Tarcísio e Haddad.
Essa apresentação acontece a cada dois dias, intercalando com os programas de presidente e deputados federais e exceção feita aos domingos.
Os candidatos também aparecem no meio da grade, com inserções diárias que contemplam todos os cargos estaduais e a disputa à Presidência da República.
Tarcísio, neste caso, acumula 690 programas até o dia 1º de outubro, contra 289 de Haddad.
As abordagens têm, por padrão, 30 segundos, mas é possível juntar duas para completar um minuto ininterrupto de propaganda eleitoral.