O ministro Gilmar Mendes vai defender ao presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, a retirada de delegados da Polícia Federal que atualmente trabalham nos gabinetes de integrantes da Corte.
A proposta será discutida em meio à crise interna provocada pelos desdobramentos das investigações sobre o Banco Master e pela escalada da tensão entre o ministro André Mendonça e integrantes da cúpula da PF.
A informação foi revelada pela Folha de S.
Paulo e confirmada pelo GLOBO.
Gilmar e Fachin devem conversar nesta quinta-feira sobre a crise que se instalou no tribunal após a Polícia Federal identificar Alexandre de Moraes como interlocutor do ex-banqueiro Daniel Vorcaro em mensagens apreendidas durante as investigações.
O decano já vinha discutindo a presença de delegados nos gabinetes antes do episódio, mas a controvérsia ganhou novo peso diante dos questionamentos sobre a atuação de policiais que auxiliam diretamente Mendonça nas investigações sob sua relatoria.
A avaliação de Gilmar é que a presença de integrantes da PF nos gabinetes pode criar uma relação inadequada entre investigadores e ministros responsáveis pela condução dos inquéritos.
Nos bastidores, um dos questionamentos levantados durante a atual crise é sobre o grau de influência que policiais cedidos podem exercer sobre a condução das apurações.
Atualmente, cinco delegados da Polícia Federal estão cedidos ao Supremo.
Quatro trabalham diretamente em gabinetes de ministros e um atua na área de segurança da Corte.
André Mendonça conta com dois policiais: Graziela Machado e Thiago Marcantonio.
Fábio Shor trabalha com Alexandre de Moraes, enquanto Fábio Lucena está no gabinete de Luiz Fux.
Raphael de Mello Batista atua na Polícia Judicial.
A eventual adoção da medida, portanto, não atingiria apenas Mendonça, que está no centro do atual embate com a Polícia Federal.
Também alcançaria o gabinete do próprio Moraes, pivô da crise desencadeada pelas mensagens de Vorcaro, e o de Fux.
Dados divulgados anteriormente pelo Supremo apontam a presença desses cinco delegados na Corte.
O tema já havia provocado tensão entre o STF, a Polícia Federal e o governo nos últimos meses.
Em junho, o Ministério da Justiça enviou ofícios a mais de 50 órgãos públicos solicitando a devolução de policiais federais cedidos para reforçar o efetivo da corporação no combate ao crime organizado.
O Supremo, porém, ficou fora da lista.
À época, a justificativa apresentada por integrantes do governo foi evitar prejuízos a investigações em andamento.
A possibilidade de retirada dos delegados já havia causado preocupação especialmente no gabinete de Mendonça.
Thiago Marcantonio atua como assessor do ministro desde 2025 e auxilia o magistrado em processos relacionados tanto às fraudes no Banco Master quanto às investigações sobre desvios no INSS.
A movimentação do governo para recuperar policiais cedidos chegou a ser interpretada por integrantes da PF e do STF como uma tentativa de atingir a estrutura montada pelo relator para conduzir essas apurações.
A discussão ressurge agora em um contexto mais delicado.
Mendonça e a cúpula da Polícia Federal vêm acumulando divergências sobre a condução das investigações, que se aprofundaram depois que o ministro determinou à corporação que identificasse interlocutores de Vorcaro mencionados no material apreendido.
Em meio à crise do caso Master, Gilmar vai defender retirada de delegados da PF de gabinetes do STF
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