Num mundo marcado por exibicionismo e ausência de privacidade, características favorecidas pela crescente adesão a aparatos tecnológicos, ainda há espaço para o envolvimento romântico.
É o que parece dizer Jorge Furtado por meio das jornadas de Rubem (Daniel de Oliveira), Grace (Luisa Arraes) e Nalva (Samantha Jones).
O primeiro recebe de herança um motel falido, onde mora a segunda, ex-funcionária do estabelecimento.
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Diante da falta de perspectiva financeira, eles pedem à terceira para ajudar na gravação da intimidade sexual dos clientes.
Eles passam a comercializar os vídeos, alterando, porém, as identidades visuais dos que são filmados clandestinamente.
Mas nem tudo sai conforme o previsto.
Mariana (Drica Moraes), mãe de Grace, atrapalha os planos do trio.
E Rubem e Grace se aproximam afetivamente.
A expectativa amorosa e a dificuldade de sobrevivência, questões já abordadas no cinema de Jorge Furtado — vale lembrar o ótimo “O homem que copiava” (2003) —, retornam aqui.
Em todo caso, o diretor prioriza a comédia.
As reviravoltas da história (roteiro de Furtado) não garantem diversão constante, como acontecia em “Saneamento básico” (2007).
Mas “Muito prazer” (título semelhante ao do filme de David Neves, de 1979, centrado em outro universo de relações) reúne qualidades consideráveis: o trabalho entrosado do elenco, a direção de arte (de Fiapo Barth e Dayane Paz) intencionalmente kitsch — a julgar pelas ambientações personalizadas dos quartos do motel — e a oportuna referência à atriz Hedy Lamarr.
Cotação: Bonequinho olha.
