A candidata Vera Lúcia diz que pretende começar a reestatização do Metrô e da CPTM já no primeiro dia de governo, por meio de um decreto.
Mas a medida dependeria de mudanças legais e de decisões de outras instituições, além da Assembleia Legislativa.
Hoje, o PL tem a maior bancada da Alesp, com 21 deputados, seguido pelo PT, com 18.
A expectativa é de que o número de cadeiras dos dois partidos aumente depois das eleições.
Em entrevista à CBN, Vera afirmou que, se eleita, pretende mobilizar a população para pressionar o Legislativo a aprovar as medidas.
“A gente muda o Legislativo.
Se você faz plebiscito, se você faz assembleia, se você determina, você pode mudar.
Porque essas leis foram criadas por eles, trancado em quatro portas, com a população muitas vezes na frente, apanhando da polícia (...).
Finalmente, a Assembleia Legislativa vai passar a cumprir o seu papel, que é o papel de atender a maioria da população, coisa que hoje não é feita", declarou.
Tarifa zero no transporte
O plano também prevê tarifa zero universal no transporte público.
Questionada sobre como financiar a medida, Vera afirmou que parte dos recursos viria do Estado e o restante de empresários.
A proposta é que o setor privado ajude a bancar o transporte dos trabalhadores, enquanto o poder público continuaria subsidiando o sistema.
Rompimento de concessões e PPPs
Outra promessa é romper contratos de concessão e PPPs sem indenizar os grandes grupos econômicos.
A candidata admitiu que ainda não fez a conta de quanto custaria esse processo.
O rompimento de contratos de concessão, porém, envolve regras jurídicas e pode levar a disputas na Justiça.
Um dos exemplos citados pela própria candidata é o da Enel, cuja concessão é de responsabilidade federal.
No caso da distribuidora de energia, o processo de caducidade é conduzido pela ANEEL.
A agência abriu formalmente o processo em 7 de abril deste ano e, neste mês, rejeitou por unanimidade um recurso da concessionária, mantendo em andamento a análise que pode levar à recomendação da caducidade.
Mesmo diante desse exemplo, Vera defendeu que um governo estadual pode pressionar pela ruptura de contratos e afirmou que pretende mobilizar a população para isso.
Fim da PM
Entre as propostas mais radicais do plano está a extinção da Polícia Militar e a criação de uma polícia única e desmilitarizada.
A medida exigiria mudança na legislação federal, já que a Constituição prevê a existência das polícias militares.
À CBN, Vera reconheceu que seria necessário alterar a Constituição, mas defendeu que a mobilização popular pode mudar as instituições.
“Nós podemos fazer isso? Podemos.
Você muda o curso de um rio...
Por que você não muda uma instituição repressiva como é a Polícia Militar? Podemos mudar.
Nós podemos mudar tudo nessa sociedade se a classe trabalhadora quiser e estiver organizada.
E é isso que nós vamos estimular no Estado de São Paulo", defendeu.
Na área econômica, a candidata também promete enfrentar a concentração de riqueza e atingir grupos ligados ao crime organizado na Faria Lima.
Segundo Vera, é preciso chegar aos responsáveis pelos lucros dos negócios ilícitos, em vez de concentrar a atuação policial na repressão nas periferias.
Trajetória política
Vera Lúcia, candidata ao governo de São Paulo pelo PSTU
Divulgação
Vera Lúcia tem 54 anos, é natural de Inajá, em Pernambuco, e começou a trabalhar ainda adolescente.
Operária da indústria de calçados, é formada em Ciências Sociais e construiu sua trajetória política no movimento sindical.
Foi expulsa do PT em 1992, quando integrava a Convergência Socialista, corrente que posteriormente deu origem ao PSTU.
Ela já disputou a Presidência da República duas vezes, em 2018 e 2022, e foi candidata à Prefeitura de São Paulo em 2020.
Agora, concorre pela primeira vez ao governo paulista, acompanhada da candidata a vice Renata França, ativista do movimento pelo fim da escala 6 por 1.
