Em sabatina, Lula diz que filho deve pagar se cometeu

Em sabatina, Lula diz que filho deve pagar se cometeu 'ilícitos' e que deseja 'recuperar território' do crime

Fonte: Bandeira da fonte

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, candidato à reeleição, foi questionado sobre uma série de temas durante entrevista ao Jornal Nacional na noite desta quinta-feira (27).
Entre os principais assuntos, estavam as investigações da Polícia Federal que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro Santana, conhecido como Marcola.
Sobre as suspeitas de tráfico de influência envolvendo Lulinha, Lula afirmou que o filho tem a obrigação de não ter cometido nenhum erro e classificou as acusações como “ilações”.
O presidente, no entanto, disse que não pretende proteger o filho e afirmou que, até o momento, não existem provas contra ele, mas apenas conversas telefônicas.
Lula também relembrou que já foi alvo de investigações durante a Operação Lava Jato.
O presidente também defendeu Marcola, que foi seu chefe de gabinete e trabalhou ao seu lado por mais de oito anos.
Lula afirmou que a relação entre os dois era “quase de pai e filho”.
Questionado se as acusações contra o ex-assessor poderiam respingar no Palácio do Planalto, Lula reconheceu que o caso gera desconfiança, inclusive sobre ele próprio.
O presidente disse estar deprimido e chateado com as acusações, mas afirmou ter certeza da inocência do filho.
Outro tema abordado foi o escândalo envolvendo descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Lula afirmou que, na próxima semana, pretende anunciar o fim da fila do instituto, que atualmente teria cerca de 250 mil pessoas.
Segundo o presidente, a fila está praticamente zerada e chegou a três milhões de aposentados quando ele assumiu o governo.
Lula elogiou a atuação da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União nas investigações sobre as fraudes, mas voltou a associar o esquema ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
Segundo ele, a “quadrilha” teria sido montada em 2019 e descoberta e presa durante seu governo.
O presidente afirmou ainda que R$ 3,5 bilhões já foram devolvidos aos aposentados e disse que nenhum beneficiário que teve dinheiro descontado indevidamente ficou sem receber o valor de volta.
A preocupação com a dívida pública também foi abordada.
Lula afirmou que pretende entregar o ano com superávit de 0,1% do Produto Interno Bruto (PIB).
A projeção, porém, ainda não consta das contas oficiais do governo.
O presidente também declarou que, se existe alguém com responsabilidade fiscal no país, é ele.
Na entrevista, Lula falou ainda sobre a crise financeira dos Correios.
Ele afirmou que a empresa pública enfrenta dificuldades desde 1985 e atribuiu parte dos problemas à falta de adaptação às mudanças do mercado, especialmente com o surgimento de novas empresas de entrega de mercadorias.
Lula rejeitou a possibilidade de privatização dos Correios e afirmou que o governo vai recuperar a empresa para que ela volte a oferecer serviços de qualidade.
Segundo o presidente, sempre que a situação financeira da estatal vem à tona, surgem propostas para a venda da companhia, mas essa não é a intenção do governo.
Segurança pública, tecnologia e inteligência artificial também estiveram entre os temas discutidos.
Lula defendeu investimentos em inteligência como caminho para enfrentar a criminalidade e afirmou que nenhum governador conseguiu resolver sozinho o problema da segurança pública.
O presidente também disse que alguns governadores não quiseram a participação do governo federal na busca por soluções, citando entre eles o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.
Na área da educação, Lula foi questionado sobre medidas para melhorar a qualidade do ensino e citou o Ceará como exemplo de estado que apresentou avanços no setor.