A SpaceX, empresa espacial e de inteligência artificial (IA) do bilionário Elon Musk, divulgou hoje o seu primeiro balanço de resultados financeiros após sua oferta pública inicial (IPO), em junho, que bateu recorde na compra de ações por investidores.
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A receita da SpaceX superou as expectativas de Wall Street, com uma receita de US$ 7,8 bilhões, acima da estimativa média de US$ 6,81 bilhões feita por analistas consultados pela Bloomberg.
A empresa também revelou um prejuízo operacional de US$ 1,26 bilhão em seu negócio de inteligência artificial, resultado melhor do que a expectativa do mercado, que previa uma perda de US$ 2,39 bilhões.
Os tão aguardados resultados trimestrais da SpaceX encerram um período de forte volatilidade desde que a empresa captou US$ 86 bilhões na maior estreia da história do mercado de ações.
Desde então, seus papéis despencaram em meio à turbulência típica do período pós-IPO e à ampla liquidação das ações ligadas à inteligência artificial, eliminando mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde o pico e fazendo com que Elon Musk perdesse o posto de primeiro trilionário da história.
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O ‘diabo’ está no fluxo de caixa
Aumentando ainda mais a sensação de incerteza, mais de US$ 100 bilhões em ações passarão a poder ser negociados pela primeira vez no fim desta semana, o que pode exercer uma pressão adicional de baixa sobre os papéis.
As ações da SpaceX caíram cerca de 2% nas negociações pós-fechamento dos mercados nos Estados Unidos, depois que a empresa divulgou um prejuízo de US $ 0,09 por ação, melhor do que a perda de US$ 0,24 por ação projetada por Wall Street.
Starlink, única lucrativa
A SpaceX informou que seus investimentos de capital (capex) somaram US$ 18,37 bilhões no trimestre, ligeiramente abaixo dos US$ 18,58 bilhões esperados pelos analistas.
A empresa também informou que o número de assinantes da Starlink, seu serviço de internet via satélite — atualmente seu único negócio lucrativo —, alcançou 12 milhões até o segundo trimestre, abaixo da expectativa dos analistas, que projetavam 12,19 milhões de clientes.
A Starlink fornece conexão de banda larga para consumidores, governos e empresas por meio de uma constelação de mais de 10 mil satélites em órbita baixa da Terra.
A decisão de Musk de abrir o capital da SpaceX esteve diretamente ligada aos esforços da companhia para desenvolver centros de dados baseados no espaço, uma aposta que surge em resposta às crescentes limitações de recursos e de consumo de energia enfrentadas pelos data centers terrestres.
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Essa estratégia, cara e ainda pouco testada, prevê o lançamento de uma rede de satélites capazes de utilizar energia solar de forma contínua para processar dados em órbita e, posteriormente, transmitir essas informações de volta à Terra.
A SpaceX já fechou uma série de contratos para comercializar sua capacidade computacional existente.
Em junho, a Alphabet, controladora do Google, concordou em pagar US$ 920 milhões por mês como parte de um contrato de serviços em nuvem com vigência até meados de 2029.
A SpaceX também assinou um acordo semelhante com a Anthropic.
Durante a teleconferência com analistas, a expectativa é de que Elon Musk seja pressionado a fornecer mais detalhes sobre os elevados investimentos da empresa em inteligência artificial, seus planos para expandir o negócio de internet via satélite Starlink e a rapidez com que o Starship será capaz de lançar satélites e transportar pessoas, diante do histórico de desenvolvimento marcado por contratempos e testes explosivos.
A avaliação de mercado da SpaceX, de aproximadamente US$ 1,6 trilhão — comparável à de diversas gigantes da tecnologia e superior à da Tesla, também controlada por Musk —, tem sido impulsionada pelas ambições do empresário bilionário de alcançar escala e promover avanços tecnológicos de caráter futurista em todas as áreas de atuação da empresa.
A empresa de satélites, exploração espacial e IA entrou na Bolsa em junho a US$ 135 por papel, e desde então os papéis passaram por uma verdadeira montanha-russa: dispararam para US$ 225 nos primeiros dias de negociação e depois caíram para abaixo do preço da oferta.
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Na segunda-feira, fecharam cotados a US$ 114,53, queda de 15% em relação ao IPO e de 49% em relação ao pico registrado em 16 de junho, apagando mais de US$ 1 trilhão em valor de mercado desde aquele topo.
As ações da SpaceX, no entanto, subiram 5,7% só na segunda-feira, após despencarem 37% em julho, e voltaram a avançar hoje, na expectativa do balanço.
Os papéis subiram 9,43%, cotados a US$ 125,33.
A divulgação dos resultados é uma oportunidade para os investidores de reavaliar a ação e as expectativas dos analistas, que ainda mantêm uma visão otimista sobre a empresa.
O problema é que a SpaceX ainda não é lucrativa e opera em um negócio altamente especulativo neste momento.
Assim, os resultados podem acabar levantando mais dúvidas do que respostas.
Mesmo após a forte queda das ações, elas continuam sendo negociadas a uma avaliação extremamente elevada, o que dificulta atrair novos compradores.
Os resultados da SpaceX chegam logo após uma forte temporada de balanços das grandes empresas que vêm investindo pesadamente em inteligência artificial, incluindo Alphabet, Microsoft e Amazon.
Os investidores têm recompensado especialmente as empresas que demonstram retorno claro sobre seus elevados investimentos de capital.
Como exemplo, as ações da Amazon e da Microsoft dispararam após a divulgação de seus resultados.
O principal desafio enfrentado pelas ações da SpaceX continua sendo sua avaliação extremamente elevada.
O papel é negociado a cerca de 448 vezes o lucro estimado para os próximos 12 meses, o maior múltiplo entre todas as empresas do índice Nasdaq 100, além de aproximadamente 26 vezes a receita estimada, uma das dez maiores relações preço/vendas do índice.
Para tornar o cenário ainda mais desafiador, uma enxurrada de novas ações da SpaceX está prestes a chegar ao mercado.
O primeiro período de lock-up — que impede investidores iniciais de venderem suas ações — termina dois dias após a divulgação do balanço.
Cerca de 911,5 milhões de ações, avaliadas em mais de US$ 100 bilhões, serão liberadas para negociação em 6 de agosto.
E isso será apenas o começo: bilhões de ações adicionais poderão ser negociadas antes do fim do ano.
Esse aumento expressivo na oferta de papéis tende a pressionar os preços simplesmente pela dinâmica de oferta e demanda.
