O diretor da Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos (CIA, na sigla em inglês), John Ratcliffe, viajou para Moscou nesta terça-feira para participar de conversas não anunciadas, informou a rede de TV CBS.
A viagem não foi confirmada oficialmente por Washington ou Moscou, e ainda não se sabe com quem o chefe da agência americana deve se reunir.
Vale destacar que encontros presenciais entre autoridades de alto escalão dos Estados Unidos e da Rússia são raros.
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Ratcliffe teria chegado à capital russa no início desta terça-feira.
Dados de rastreamento de voos confirmaram que uma grande aeronave militar americana viajou dos Estados Unidos para a Rússia, passando pela Letônia.
O avião deixou o país europeu mais tarde nesta terça-feira.
Imagens publicadas nas redes sociais mostram um avião militar de transporte C-17 se aproximando do Aeroporto Internacional de Vnukovo, em Moscou.
Segundo dados do FlightRadar24, a aeronave deixou Riga, na Letônia, às 2h50 (horário de Brasília) e pousou na capital russa por volta das 4h04.
O avião retornou a Riga pouco antes das 14h.
Também circularam nas redes sociais imagens que supostamente mostram uma comitiva diplomática percorrendo as ruas de Moscou.
A viagem deve ser a primeira de Ratcliffe à Rússia desde que assumiu o comando da CIA, em janeiro do ano passado, embora o diretor tenha mantido contato com seus pares da inteligência russa.
Para John Foreman, que foi representante militar do Reino Unido em Moscou entre 2019 e 2022, a visita pode estar relacionada à tentativa de evitar uma escalada de tensões, em meio a especulações sobre uma possível ligação da Rússia com recentes atividades de drones na Alemanha.
— Os americanos normalmente não enviam um funcionário de tão alto escalão a Moscou, sem aviso e em curto prazo, a menos que algo esteja acontecendo — afirmou Foreman ao programa PM, da Radio 4.
Contexto: Terceiro drone e possível explosivo militar são encontrados perto de aeroporto na Alemanha
Segundo ele, outra possibilidade é que a viagem esteja relacionada à libertação de cidadãos americanos detidos na Rússia.
Ratcliffe participou das negociações para a libertação de Ksenia Karelina, cidadã russo-americana que ficou presa na Rússia por mais de um ano após ser acusada de apoiar a Ucrânia.
A CIA também participou de uma troca de prisioneiros com a Rússia em 2024, que resultou na libertação do jornalista do Wall Street Journal Evan Gershkovich, do ex-fuzileiro naval americano Paul Whelan e da jornalista russo-americana Alsu Kurmasheva.
As relações entre Estados Unidos e Rússia estão tensionadas desde o início da invasão em larga escala da Ucrânia, em 2022.
Desde então, Moscou sofreu isolamento internacional e foi alvo de sanções econômicas.
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Nas últimas semanas, especulou-se em várias ocasiões sobre uma possível viagem à Rússia dos enviados americanos Steve Witkoff e Jared Kushner, embora nenhuma data tenha sido confirmada.
Questionado sobre a visita durante sua coletiva de imprensa diária, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse não "dispor dessa informação".
Ele se limitou a dizer que não estava prevista nenhuma reunião no Kremlin com representantes do governo dos Estados Unidos nesta semana.
Se a viagem for confirmada, Ratcliffe será um dos mais altos funcionários americanos a visitar a Rússia desde o início do segundo mandato do presidente Donald Trump.
Trump se reuniu com o presidente russo, Vladimir Putin, em uma cúpula no Alasca no ano passado.
O encontro, porém, não resultou em avanços significativos.
Desde então, as negociações de paz entre Rússia e Ucrânia, lideradas pelos Estados Unidos, parecem ter perdido força.
