Embraer dá início ao programa Proeco, para desenvolver aeronaves mais leves, eficientes e sustentáveis - QTU Questões do Universo

Embraer dá início ao programa Proeco, para desenvolver aeronaves mais leves, eficientes e sustentáveis

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A aviação ambientalmente sustentável é o foco de um dos principais projetos de inovação na Embraer, o Proeco, que pretende gerar tecnologias para projetar aeronaves mais leves e eficientes, capazes de reduzir a emissão de gases de efeito estufa.

O projeto ainda está em fase conceitual e os detalhes são mantidos em segredo pela companhia.
Segundo Leonardo Garnica, líder de inovação corporativa da Embraer, o Proeco prevê o desenvolvimento de novos processos produtivos, com manufatura mais eficiente e o uso de materiais compósitos, mais leves e resistentes, para a produção de novas partes e peças de alta eficiência aerodinâmica e estrutural, que poderão ser empregadas em todo o portfólio de aeronaves da empresa.

Também são objeto de pesquisas novos sistemas de automação que possibilitem o uso de rotas de navegação mais precisas durante os voos, com o objetivo de economizar combustíveis e proporcionar uma redução na carga de trabalho da tripulação.
“A meta é obter uma redução de até dois terços na emissão de CO₂ ao longo da operação das aeronaves”, diz Garnica.

Leonardo Garnica, líder de inovação da Embraer: “Demanda por aeronaves mais eficientes”
DIVULGAÇÃO
O setor de aviação é responsável por cerca de 2,5% das emissões mundiais.
A Organização Mundial da Aviação Civil (Icao) estabeleceu o compromisso de zerar as emissões líquidas de carbono até 2050.
“O Proeco vai fortalecer a competitividade da Embraer em um mercado global com demanda crescente por aeronaves automatizadas e sustentáveis”, diz Garnica.

Aviões na neve
Outra iniciativa recente da Embraer é um case de inovação que já gerou resultados comerciais, internamente chamado de “Programa Aspen”.
Situada na região das Montanhas Rochosas, no Colorado (EUA), Aspen abriga algumas das principais estações de esqui americanas.

Operar no aeroporto da cidade é um desafio para as companhias aéreas.
O aeroporto de Aspen conta com uma pista única de apenas 2.440 metros, está situado a 2.384 metros de altitude, onde o ar é rarefeito - o que afeta o desempenho das aeronaves -, sofre constantemente com situações meteorológicas adversas e é cercado de montanhas.
“É um aeroporto onde não há margem de erro para os pilotos”, diz Garnica.

Atendendo à solicitação de um cliente, a SkyWest Airlines, a Embraer promoveu um conjunto de alterações para adaptar seu jato E175, que conta com versões de 76 e 88 assentos, para operar em Aspen, aumentando a capacidade de transporte de passageiros e a segurança da operação.

As adaptações no E175 envolveram uma nova versão do motor, com maior empuxo para superar o ar rarefeito, adaptações nos sistemas eletrônicos que formam a aviônica da aeronave, melhorando as condições de navegação, e o estabelecimento de novos parâmetros de velocidade para pousos e decolagens.

O resultado foi um contrato de US$ 500 milhões para o fornecimento de 19 aeronaves, que deve ser concluído até o final de 2026.
“É uma inovação que demonstra a capacidade da Embraer em desenvolver soluções específicas para cada cliente”, diz Garnica.

Uma novidade que também resulta em novos negócios é o Sistema de Decolagem Aprimorado da Embraer (E2TS), uma tecnologia pioneira no mundo.
Desde o final dos anos 1960, as aeronaves já contam com sistemas automáticos de pouso, mas a decolagem ainda é manual.
Segundo Garnica, a automatização da decolagem irá proporcionar maior segurança e reduzirá o consumo de combustíveis.

O sistema já está disponível para a família de jatos comerciais E-Jets E2.
Um primeiro contrato foi fechado em setembro de 2025 com a companhia aérea americana Avelo Airlines, com uma encomenda de 50 jatos E195-ES por US$ 4,4 bilhões.
A Avelo também firmou direitos de compra para outras 50 aeronaves.
As entregas têm início previsto para 2027.

Voos pairados
inovação disruptiva da Embraer mais aguardada pelo mercado é o eVTOL, projeto que está a cargo da subsidiária Eve Air Mobility, empresa que nasceu em 2017 como uma incubada da aceleradora Embraer-X.
O eVTOL é uma aeronave elétrica compacta, para piloto e quatro passageiros, que utiliza um sistema de decolagem e pouso vertical, como os helicópteros, e deslocamento horizontal com asas, como fazem os aviões, e tem finalidade de uso na mobilidade aérea urbana.

A produção do eVTOL será realizada em Taubaté (SP), e a Eve já soma quase 3 mil pedidos de reserva.
Em maio, foram concluídos com sucesso testes práticos de voos pairados — que medem a capacidade da aeronave de ficar imóvel no ar em relação a um ponto fixo no solo.
A próxima etapa a ser superada são os testes de voo de transição, onde a aeronave altera o modo de subida vertical para o voo horizontal com asas.
Os testes estão programados para o segundo semestre.
O processo de certificação da aeronave está previsto para 2028.

Em 2025, a Embraer obteve a maior receita em seus 56 anos de atividades, R$ 41,9 bilhões, um crescimento de 18% em relação ao ano anterior.
O EBIT ajustado (lucro antes de juros e tributos) foi de R$ 3,6 bilhões.
A empresa entregou em 2025 um total de 244 aeronaves.

No primeiro semestre de 2026, foram 109 aeronaves, cerca de 20% mais do que o registrado no mesmo período de 2025.
A expectativa da companhia é entregar entre 240 e 255 aeronaves nos segmentos de aviação executiva e comercial em 2026.
A empresa não divulga projeções para as entregas em defesa e segurança.

Nos últimos 15 anos, a Embraer destinou em média 5% de seu faturamento para investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação (P&DI), mantendo cinco centros de pesquisas no Brasil, onde foram desenvolvidos projetos que resultaram em 221 depósitos de patentes no Brasil e 766 patentes internacionais.

“Na Embraer, é a inovação que habilita os negócios da empresa.
Não há como ser competitivo no ramo de aviação sem ofertar valor ao cliente na forma de aeronaves cada vez mais eficientes e seguras”, diz Garnica.

A Embraer mantém parcerias com universidades, centros de pesquisas, empresas que fazem parte da cadeia de fornecimento e startups.
O Embraer Startup Program conta com mais de 2 mil empresas cadastradas, com 60 projetos-pilotos realizados, sendo que 39 evoluíram para contratos com a companhia.

A empresa desenvolve ainda vários programas para envolver seus quase 20 mil funcionários no esforço para criar tecnologias.
Um deles é o Embaixadores da Inovação, onde cada gerência destaca um colaborador que tem a missão de ser o elo com a área de inovação da empresa, reunindo as demandas inovativas do seu setor.
“A ideia é fomentar a cultura da inovação em todas as diferentes atividades da empresa”, diz Garnica.

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