A decisão dos Emirados Árabes Unidos de suspender todas as transações financeiras e econômicas com o Irã por tempo indeterminado, após atribuir a Teerã uma escalada militar envolvendo uma ameaça de mísseis, voltou a colocar em evidência a conturbada relação entre o grande produtor árabe de petróleo do Golfo e o Irã.
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Os Emirados Árabes, um importante aliado dos Estados Unidos e potência regional, foram o país do Golfo mais atingido por Teerã nas fases iniciais da guerra no Oriente Médio.
O último ataque registrado em território emiradense, porém, havia ocorrido em 4 de maio, contra o porto de Fujairah, importante centro de exportação de petróleo.
A decisão dos Emirados de romper os vínculos comerciais ocorreu depois que o Ministério da Defesa afirmou ter detectado dois mísseis balísticos lançados a partir do Irã, no primeiro episódio em meses a levar moradores a receber alertas por telefone sobre possíveis ameaças.
Em comunicado, o ministério afirmou que, segundo suas avaliações, os mísseis tinham como alvo o “tráfego marítimo”.
Ambos os armamentos caíram no mar.
Os Emirados também enviaram um alerta aos celulares dos moradores na terça-feira informando que a situação estava segura e que a população poderia retomar suas atividades normalmente, após o aviso anterior.
O Ministério das Relações Exteriores do Irã rejeitou a afirmação dos Emirados de que seus mísseis tinham como alvo o tráfego marítimo, classificando-a como “sem fundamento”.
Miniaturas de bombas de petróleo produzidas por impressão 3D e uma bandeira dos Emirados Árabes Unidos aparecem nesta ilustração feita em 2 de março de 2026
REUTERS/Dado Ruvic/Ilustração/Foto de arquivo
Emirados dizem manter compromisso com diálogo
Dubai, principal centro comercial dos Emirados Árabes, é uma das mais importantes conexões econômicas de Teerã com o exterior.
Afra Al Hameli, diretora do Departamento de Comunicações Estratégicas do Ministério das Relações Exteriores dos Emirados, afirmou que o país continua comprometido com o diálogo e a cooperação para promover a paz, a estabilidade e a prosperidade na região.
Al Hameli disse que, diante das escaladas regionais que ameaçam a paz e a segurança regional e internacional, todo o comércio, as trocas comerciais e as transações financeiras com o Irã foram suspensos.
Anwar Gargash, assessor diplomático do presidente dos Emirados, afirmou em publicação no X que os rumores sobre o “fornecimento de facilidades financeiras ao Irã” são “falsos e fazem parte de campanhas midiáticas desesperadas”.
Os Emirados foram arrastados para o conflito mais amplo na região, iniciado em fevereiro com os ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã.
Os ataques de Teerã em território emiradense cessaram em maio, embora tenham continuado nos vizinhos Kuwait e Bahrein.
Os ataques no mar contra embarcações dos Emirados, por outro lado, não pararam.
Em agosto, a Abu Dhabi National Oil Company (Adnoc), uma das maiores produtoras de energia do mundo, afirmou estar sendo significativamente afetada pelo que classificou como ataques não provocados contra seus funcionários e ativos, enquanto buscava continuar atendendo às necessidades dos clientes em um “ambiente excepcionalmente desafiador”.
A Adnoc afirmou em comunicado que várias de suas embarcações foram atacadas por mísseis e drones enquanto atravessavam o Estreito de Ormuz desde o início do conflito.
O lançamento de mísseis atribuído pelos Emirados ao Irã ocorreu após o fim, sem avanços, do prazo de 60 dias para as negociações de paz entre Estados Unidos e Irã, aumentando os temores de uma nova escalada do conflito.
A guerra vem prejudicando a navegação pelo Estreito de Ormuz desde fevereiro e provocando turbulências nos mercados globais.
O Irã não reivindicou a autoria dos ataques contra embarcações da Adnoc.
A Guarda Revolucionária iraniana já ameaçou agir contra navios que atravessem o estreito caso estejam ligados a adversários de Teerã ou não cumpram as determinações iranianas.
Um entregador de comida anda de moto por uma rodovia em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, em 29 de abril de 2026.
Foto tirada com um celular
REUTERS/Stringer/Foto de arquivo
