Empresa de irmão do genro de Trump deve liderar investidores para compra das competições da Fifa, diz jornal - QTU Questões do Universo

Empresa de irmão do genro de Trump deve liderar investidores para compra das competições da Fifa, diz jornal

Fonte: Bandeira da fonte

A empresa de capital de risco fundada por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deve liderar o grupo de investidores e adquirir uma participação de 20% das competições da Fifa.
A informação é do jornal New York Post, destacando que o valor liderado pela Thrive Eternal será de pouco mais de US$ 4,2 bilhões.
A Fifa enviou uma carta oficial para todas as 211 associações que são oficialmente parte da entidade máxima do futebol, sugerindo um valor de US$ 40 milhões para apoio ao plano de venda de participações nas principais competições organizadas por ela, entre essas a Copa do Mundo.
A iniciativa, considerada controversa e que já tem resistência entre europeus e asiáticos, teria como objetivo 'abrir' a Fifa para investimentos externos, já que poderão adquirir participações na empresa e receber lucros das publicidades e vendas dos torneios.
Segundo a rede de TV britânica BBC, uma carta foi enviada para as federações com prazo de resposta para 19 de setembro.
O texto é assinado pelo presidente, Gianni Infantino.
As que aceitarem já receberão um montante inicial de US$ 20 milhões, disponíveis a partir de 1º de janeiro de 2027.
Esse dinheiro viria da 'liquidação de uma parte minoritária' da participação da Fifa na subsidiária que aumentaria as receitas através de investimentos privados.
A polêmica também foi grande na política interna da entidade, visto que, segundo a BBC, Infantino teria mantido o plano escondido, sem avisar a oito vice-presidentes (presidentes de federações) sobre o plano.
O valor total de arrecadação previsto seria de US$ 10 bilhões.
Apesar disso, a Fifa afirma que o presidente apresentou a ideia na reunião com os membros antes da final da Copa do Mundo 2026.
Rodri levanta a Copa do Mundo
ANGELA WEISS / AFP
Até mesmo por isso, algumas federações afirmam que foram enganadas e criticaram as negociações.
Além disso, há uma espécie de oposição em andamento, afirmando que o caso não possui um andamento legal.
Uma porta-voz da Federação Inglesa disse para a rede de TV que não havia 'conhecimento algum dessa proposta e não possuímos detalhes substanciais, incluindo qual é a proposta em si e quais condições estão atreladas a ela'.
'Com base nas informações limitadas, estamos profundamente preocupados com a falta de processos e governança para chegar a este ponto, bem como com a aparente substância e os princípios envolvidos'.
O projeto foi rechaçado imediatamente pela UEFA (Europa), Concacaf (América do Norte) e AFC (Ásia).
A maior situação foi da entidade europeia, emitindo uma resposta antes do anúncio dos planos, afirmando que eles 'ultrapassaram todos os limites'.
Há uma expectativa de uma reunião com os 55 membros nesta semana.
Algumas entidades, inclusive, afirmaram a necessidade de um boicote nas competições da Fifa, entre elas a Copa do Mundo.
A Fifa argumenta a necessidade de aumentar o futebol de forma global, com discussões sobre uma Copa do Mundo de 64 seleções já na próxima edição, em 2030.
No entanto, os países europeus afirmam que a situação geraria problemas no calendário já muito apertado para os atletas.
A relação entre a entidade máxima e a UEFA também não anda bem, com críticas de ambos os lados a decisões da Copa do Mundo, como no caso de Folarin Balogun, jogador dos EUA que teve a suspensão de cartão vermelho retirada.
Por conta de decisões polêmicas no torneio neste ano, o presidente da UEFA, Aleksander Ceferin, boicotou a final da Copa do Mundo.
A Concacaf, que participou da sede da Copa de 2026, afirma estar preocupada 'com a falta de devido processo legal'.
'Partilhamos a decepção de muitos na nossa região e no mundo do desporto pelo facto de este nível de detalhe ter sido concebido e divulgado publicamente antes de qualquer discussão com os órgãos de governação e partes interessadas relevantes'.
Já a Confederação Asiática destacou a 'importância de explorar abordagens inovadoras que possam fortalecer o futuro do futebol mundial'.
Apesar disso, defende que essas mudanças 'devem ser fundamentadas nos princípios da boa governança, transparência e consulta significativa'.
A Associação Europeia de Clubes de Futebol, organização que representa mais de 850 clubes, afirmou que teria sido 'apropriado' que a Fifa os consultasse sobre 'uma proposta de tal magnitude'.
Por fim, a Fifpro, associação internacional de jogadores de futebol, pediu à Fifa que'reconsidere sua proposta sem mais demora'.
A entidade afirmou ter 'tomado nota com profunda preocupação da proposta de transformar a Copa do Mundo da FIFA e outras competições da FIFA em ativos de investimento para capital privado'.
O comunicado completa dizendo que a medida 'remodelaria fundamental e irreversivelmente os incentivos que sustentam as competições' e que era 'particularmente preocupante que um projeto desta magnitude tenha sido desenvolvido em grande parte a portas fechadas', quando tinha 'implicações potencialmente abrangentes para o bem-estar dos jogadores, o calendário de jogos internacionais e a futura governança do esporte'.
Presidente da FIFA, Gianni Infantino
Sports Press Photo/Sports Press Photo/Fotoarena/Agência O Globo