Empresa explica limitação do impedimento semiautomático que gerou queixas e admite possibilidade de atualizar sistema - QTU Questões do Universo

Empresa explica limitação do impedimento semiautomático que gerou queixas e admite possibilidade de atualizar sistema

Fonte: Bandeira da fonte

A tecnologia do impedimento semiautomático deu seu pontapé inicial no futebol brasileiro na última semana, nos jogos da Série A.
Apesar da expectativa de diminuição das polêmicas, neste primeiro momento elas ainda continuam presentes.
As queixas de torcedores e clubes agora são direcionadas à não divulgação da imagem do momento exato do passe.
Ciente das reclamações, a empresa responsável por operar o sistema assegura que as análises são feitas justamente a partir deste instante.
— Os torcedores e clubes podem ficar tranquilos, porque é feita uma análise.
O sistema é semiautomático por uma razão.
Apesar de ser muito automatizado, ele conta com o olhar dos árbitros (da cabine do VAR) para observarem o momento do passe, o atacante e o defensor que fazem parte da jogada — explicou ontem Guilherme Buso, líder de vendas da Genius Sports para a América Latina.
O brasileiro comandou um painel para apresentar a tecnologia e todas as suas funcionalidades durante a Rio Innovation Week, na região portuária.
Ele explicou que cada estádio adaptado para este recurso tem de 28 a 32 câmeras que filmam todo o jogo.
Todo o corpo dos atletas e do árbitro são mapeados pelo sistema, que lê e identifica cada movimento feito em campo.
Líder da Genius Sports na América Latina, Guilherme Buso apresenta a tecnologia do impedimento semiautomático no Rio Innovation Week
Rafael Oliveira
A projeção em 3D exibida nas transmissões, contudo, exibe apenas as linhas de impedimento sendo traçadas, deixando o momento do passe de fora.
Uma visualização diferente da feita na Copa do Mundo, cujo sistema é operado por outra empresa.
Segundo Buso, o da Genius prioriza a velocidade.
Enquanto na Copa a projeção das linhas levava alguns minutos para ir ao ar, no Brasileirão ela é exibida com mais rapidez.
Só que esta escolha tem um custo: a ausência do momento do passe na conversão da imagem real para a virtual.
— É uma tecnologia que desde sempre prezou por eficiência e rapidez.
Tanto que, se você avaliar como era antes e como é hoje, aquela imagem virtual que comprova o impedimento está sendo entregue em segundos.
E, quando a gente fala de impedimento, o momento do passe é crucial.
Obviamente, essa análise está sendo feita dentro da cabine.
O que talvez fique faltando nesse primeiro momento é o vídeo — afirmou Buso, que não descarta a inclusão no futuro:
— Para entregar a projeção virtual com essa velocidade, a gente ainda não consegue colocar o momento do passe.
Seria uma projeção que vai do vídeo para o virtual, o que a gente chama de “V to V”.
Hoje a gente só está entregando o virtual.
Mas é uma questão de adaptação, de desenvolvimento.
Outra queixa que os primeiros usos da tecnologia gerou foi em relação a um suposto excesso de rigor.
Na 20ª rodada, a primeira do Brasileiro a usar o semiautomático, Flamengo e Bahia tiveram gols anulados por uma diferença do bico da chuteira.
Neste caso, contudo, a solução não está nas mãos da empresa.
— A regra talvez esteja sendo contra o gol.
Uma vez que não tem margem de erro.
Mas o sistema é baseado na regra atual — explica Buso, referindo-se ao fato de não haver margem de tolerância para a marcação de impedimento nas competições CBF (ao contrário do que ocorre, por exemplo, no Carioca).