Enchentes no Nepal: entenda como queda de geleira pode ter provocado desastre - QTU Questões do Universo

Enchentes no Nepal: entenda como queda de geleira pode ter provocado desastre

Fonte: Bandeira da fonte

Um enorme bloco de gelo que se desprendeu de uma geleira pode estar entre as causas das fortes inundações que atingiram o Nepal e o Tibete nesta quarta-feira (26).
O desastre deixou ao menos 160 mortos e cerca de 400 pessoas desaparecidas, além de destruir casas, estradas e pontes na região do Himalaia.

Segundo uma análise inicial de cientistas ouvidos pelo The New York Times, o bloco de gelo tinha cerca de 600 metros de largura e teria despencado aproximadamente 1.200 metros até o fundo do vale.
O impacto pulverizou parte da geleira e formou uma mistura de gelo, água e rochas que avançou em alta velocidade pela região.

VEJA MAIS

[[(standard.Article) Trabalhador nepalês se salva de inundação ao se segurar em árvore, número de mortos aumenta]]

[[(standard.Article) Ao menos 95 morrem e 384 turistas desaparecem após inundações no Nepal]]

Como a geleira provocou a inundação?

De acordo com os pesquisadores, o desprendimento ocorreu de maneira repentina.
A massa de gelo estava localizada a cerca de 5.200 metros de altitude e, ao cair, ganhou uma grande quantidade de energia.

O geólogo Daniel Shugar, da Universidade de Calgary, analisou imagens de satélite e afirmou ao New York Times que o local do impacto ficou com aparência semelhante à de uma explosão, devido à quantidade de material deixado pela geleira.

O fluxo formado pela queda avançou pelo vale em direção ao rio Lhende Kola, que deságua no Bhote Koshi, na região de fronteira entre o Nepal e o Tibete.

O fenômeno é conhecido como avalanche de gelo.
Quando uma grande massa de gelo se desprende e cai de uma altura elevada, ela pode ser pulverizada durante o impacto e se transformar em um fluxo de gelo, água e sedimentos.

O que causou a queda do bloco de gelo?

Ainda não existe uma explicação definitiva para o desprendimento da geleira.
Os cientistas avaliam que diferentes fatores podem ter contribuído para o desastre.

Uma das possibilidades é o aumento das temperaturas na região.
O Himalaia vem registrando um processo acelerado de aquecimento, o que pode provocar o derretimento de geleiras e deixar algumas estruturas mais instáveis.

Imagens de satélite analisadas pelos pesquisadores mostram uma redução da cobertura de neve no dia anterior ao desastre, um possível indicativo de temperaturas mais elevadas.

Um terremoto também chegou a ser apontado inicialmente como possível causa.
O Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) registrou, no momento do evento, um tremor de magnitude 4,4.

Posteriormente, porém, o órgão concluiu que o sinal sísmico havia sido provocado pelo próprio deslizamento, e não o contrário.
Segundo o USGS, a força do movimento de terra correspondeu a uma magnitude de 5,2.

Por que o desastre chamou atenção dos cientistas?

A quantidade de água observada nas imagens do desastre chamou a atenção dos especialistas.
Daniel Shugar afirmou que o volume aparenta ser muito maior do que o registrado em outros eventos recentes envolvendo geleiras.

Por isso, os pesquisadores ainda não descartam que outros fatores tenham contribuído para a inundação.

A geomorfóloga Kristen Cook, da Universidade Grenoble Alpes, também analisou registros sísmicos da região.
Segundo ela, os dados indicam que uma grande massa se deslocou repentinamente por volta das 8h40 no horário local, seguida por um sinal compatível com uma inundação.

O episódio também foi comparado a um desastre ocorrido na Índia em 2021, quando o rompimento de uma geleira no Himalaia provocou uma grande inundação no estado de Uttarakhand e deixou mais de 100 mortos.

Com o avanço do aquecimento no Himalaia, especialistas alertam que o derretimento das geleiras pode criar condições cada vez mais favoráveis para avalanches, deslizamentos e inundações de grande proporção.