As principais mineradoras em operação no Brasil vivem sob um constante escrutínio da sociedade.
Essenciais para a vida moderna — são os recursos minerais que permitem a fabricação de automóveis, celulares, eletrodomésticos, entre inúmeras outras aplicações —, as operações necessárias para a extração das matérias-primas são objeto constante de questionamento pelos seus impactos ambientais e sociais, principalmente depois do rompimento das barragens de Mariana, em 2015, e Brumadinho, em 2019, ambas em Minas Gerais.
Para além de manter a vida como ela é, as necessidades do futuro dependem da mineração.
A transição energética para uma economia de baixo carbono, a instalação de data centers para atender às demandas impulsionadas pela inteligência artificial (IA) e a discussão global sobre minerais críticos e terras raras passam pela mineração.
O Brasil tem reservas relevantes de ferro, bauxita, nióbio, cobre e outros insumos estratégicos, o que o coloca em posição de fornecedor de peso nessas cadeias.
Transformar esse potencial em investimento, porém, depende de previsibilidade regulatória, de um licenciamento mais ágil e da capacidade do setor de responder às exigências ambientais e sociais que ganharam força desde os desastres socioambientais.
Conduzida por Francisco Góes, chefe da redação do Valor no Rio de Janeiro, e Celia Rosemblum, editora de Projetos Especiais do Valor, a mesa-redonda promovida pelo Valor com apoio do Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) para debater os desafios do setor reuniu Fernanda Lavarello, diretora de assuntos corporativos e comunicação da BHP Brasil; Eduardo Orban, CEO da Ipê Mineração; Ana Sanches, CEO da Anglo American Brasil; Carlos Neves, vice-presidente sênior de operações e COO da Hydro Bauxita & Alumina; e Pablo Cesário, diretor-presidente interino do Ibram.
A seguir, os principais trechos.
Valor: O governo sinalizou que vai publicar um decreto sobre cavidades naturais subterrâneas com mudanças de aspectos operacionais e ambientais.
Qual é a expectativa em relação a esse anúncio?
Ana Sanches: A expectativa é positiva.
É importante que um tema como esse tenha regulamentação mais clara, menos sujeita a interpretações amplas, porque quanto mais critérios bem estabelecidos, melhor para todos.
Isso não significa renunciar à proteção ambiental.
Ao contrário, é garantir parâmetros para o setor seguir atuando de forma responsável, com o licenciamento destravado.
Eduardo Orban: Do ponto de vista de quem decide investir, a mineração sempre envolve trade-offs.
Quando existe uma regra clara sobre o que pode e o que não pode, o investidor já sabe se um alvo é viável antes de começar a explorar.
Sem essa clareza, o projeto avança e, no meio do caminho, esbarra em uma restrição que paralisa o processo sem prazo para destravá-lo, o que afasta investimento e encarece a operação.
Valor: O setor considera que as licenças ambientais dos projetos são uma de suas principais dificuldades?
Pablo Cesário: Os órgãos ambientais têm papel fundamental, isso não está em discussão.
A questão central é como o país agiliza o processo dentro do novo marco legal, ainda não aprovado, que deve trazer prazos mais claros e responsabilidades bem definidas.
O desafio será implementá-lo e garantir capacidade técnica aos órgãos ambientais.
Valor: Essa previsibilidade depende de uma agência reguladora forte, mas a própria ANM [Agência Nacional de Mineração] foi parar nas páginas policiais: a Polícia Federal indiciou seu diretor-geral em um suposto esquema de exploração ilegal de minério em Minas Gerais.
Como o setor lê esse episódio?
Pablo Cesário: É saudável que haja investigação.
O setor precisa expurgar quem não faz as coisas certas, de qualquer lado.
Mas fortalecer a ANM é central.
A remuneração dos servidores, antes a menor entre as agências reguladoras federais, foi equacionada, mas ainda operamos com cerca de um terço do quadro autorizado, o que significa menos fiscalização, inclusive do garimpo ilegal.
Não dá para aceitar cortes de gastos e de fiscalização.
Valor: E no Congresso, há ameaças concretas a esse marco regulatório?
Pablo Cesário: Há uma que preocupa.
O Projeto de Lei 957, aprovado em regime de urgência e que seguiu direto para o plenário.
Entre outras mudanças, ele cria a figura da lavra de superfície, que separa o corpo minerário do subsolo daquilo que está no solo.
Na prática, isso pode colocar garimpeiros dentro de uma operação industrial que já roda com caminhões autônomos, um risco crítico de segurança.
Não dá para discutir as sutilezas técnicas dessa norma em plenário.
Valor: Como vocês veem a imagem da mineração junto à sociedade? A efervescência sobre os minerais críticos e estratégicos pode ampliar o debate em torno de uma mineração mais sustentável?
Fernanda Lavarello: A sociedade tem uma pré-concepção da mineração por dois motivos: o desconhecimento sobre a indústria e o trauma de duas tragédias [Mariana e Brumadinho] que marcaram o setor e não podem se repetir.
Por isso é preciso, de um lado, ajudar a sociedade a entender melhor a indústria e, de outro, prestar contas do que foi feito depois.
No caso de Mariana, o acordo de R$ 170 bilhões assinado em 2024 é uma resposta concreta sobre a reparação, com recursos para a fiscalização.
Fernanda Lavarello, Diretora da BHP Brasil: "acordo de R$ 170 bilhões por Mariana é uma resposta concreta sobre a reparação”
Gabriel Reis/Valor
Eduardo Orban: O momento nunca foi tão propício para falar bem da mineração.
Ao conectarmos os minerais críticos à inteligência artificial, ao celular e aos data centers, aproximamos a atividade da vida das pessoas.
Tenho consciência de que cometemos erros graves, mas o compromisso é não os repetir e seguir mostrando o impacto positivo que a mineração gera.
Valor: Como o setor atua junto ao governo para fechar brechas no que se refere ao garimpo ilegal e ao crime organizado?
Pablo Cesário: Em 2023, o Ibram e outras entidades ambientais e indigenistas entraram com uma ação no STF que derrubou a boa-fé objetiva na compra e venda de ouro.
Hoje é preciso comprovar a origem do metal, com nota fiscal ao longo da cadeia.
A produção declarada de ouro ilegal, que era quase metade do total, caiu, e operações da Polícia Federal atingiram as DTVMs, um dos mecanismos de lavagem.
O desafio agora é avançar na rastreabilidade sem inviabilizar o pequeno minerador.
Valor: O garimpo ilegal se concentra em terras indígenas, onde a mineração legal é proibida.
Como o setor se posiciona sobre a atividade nesses territórios?
Pablo Cesário: É um dos temas mais sensíveis do setor, e é preciso separar as coisas.
Hoje, a única mineração que não existe em terras indígenas é a legal: o que há ali é uma invasão de garimpo ilegal, com os impactos ambientais e sociais e o envolvimento do crime organizado.
Combater essa ilegalidade, catastrófica, é a prioridade.
Sobre a atividade legal, com um projeto em discussão no Senado, a posição é aprender com quem já fez isso bem.
Países como Canadá e Austrália partem da autonomia das comunidades e da repartição de benefícios.
Não é prioridade imediata das empresas, mas a gente está engajado.
Eduardo Orban: Vale inverter a pergunta.
Não cabe à mineradora decidir onde se pode minerar.
Existem leis que definem isso, e quem decide é o governo.
Se a atividade for feita da forma que buscamos, com impacto positivo, é possível que as próprias comunidades queiram participar e colher o benefício do que está no seu território.
Valor: Como o momento geopolítico atual, marcado pela disputa por minerais críticos, se traduz em oportunidades concretas para o Brasil e para as mineradoras em atuação?
Ana Sanches: Estamos em um momento de muitas oportunidades, com vantagens em relação a outros países.
O desafio é que empresas globais decidem investimentos a partir de um portfólio centralizado, cujo principal critério é a previsibilidade.
Não basta o potencial de retorno, é preciso a garantia de que ele vai acontecer no prazo esperado.
Licenciamentos que levam anos, com reviravoltas no caminho, afastam capital.
Pará, Goiás e Bahia já mostram a relevância crescente do setor, mas é preciso destravar gargalos.
Carlos Neves: Na Hydro, buscamos essa vantagem em outra frente.
O diferencial está em toda a cadeia, da extração ao produto final.
Investir em rastreabilidade e descarbonização posiciona nosso alumínio de forma diferente no mercado, e foi assim que a Mercedes-Benz nos procurou, depois de conhecer nossos projetos em Paragominas.
Nosso alumínio tem três vezes menos carbono que a média mundial, com meta de zerar emissões até 2050.
Em 2024 já trocamos caldeiras a gás natural por elétricas, cortando 1,4 milhão de toneladas.
Carlos Neves, COO da Hydro: “rastreabilidade e descarbonização posicionam nosso alumínio de forma diferente”
Gabriel Reis/Valor
Pablo Cesário: Nem tudo é a pauta high-tech.
Há uma emergência de curto prazo no enxofre.
Antes da guerra, a tonelada custava US$ 100.
Hoje passa de US$ 1.200, e metade do consumo mundial passa pelo Estreito de Ormuz.
Ele é insumo do ácido sulfúrico, essencial para fertilizantes, tratamento de água e a indústria química.
O Brasil não tem estoque para além de setembro, e uma unidade de fertilizantes já parou.
Esse é o retrato de um mineral crítico: às vezes, não há de onde comprar.
Valor: Essa busca por diferenciação também passa pela tecnologia.
O que a inteligência artificial mudou na operação das minas?
Eduardo Orban: A digitalização é um caminho sem volta.
Já operamos com caminhões 100% autônomos.
O Mining Hub, ecossistema que conecta mineradoras a startups, gerou soluções que melhoram custo, recuperação, circularidade e segurança, além de tornar a indústria mais atrativa para os jovens.
Fernanda Lavarello: Na BHP, anunciamos uma parceria com a Microsoft para usar inteligência artificial na separação do minério de cobre ainda na mina.
A tecnologia também ampliou o perfil de certas funções por meio de operações remotas.
Com operações remotas, a tecnologia ampliou o perfil de quem pode ocupar determinadas funções.
Foi dessa maneira que conseguimos atingir o equilíbrio de gênero e temos 40% de mulheres nas operações globais da BHP.
Soluções de tecnologia também abrem espaço para pessoas com deficiência, por exemplo.
Isso nos permite enfrentar o desafio de refletir a diversidade da sociedade na mineração.
Uma empresa mais diversa é mais produtiva.
Ana Sanches: A diversidade começa na liderança e precisa guiar toda a organização.
Se a liderança não for diversa e não enxergar esse valor, o discurso não se sustentará.
Tenho orgulho do meu comitê executivo, com forte presença de mulheres, diversidade racial, pessoas de diferentes faixas etárias e com relacionamentos homoafetivos.
Essa variedade de vivências traz um leque enorme de pontos de vista e enriquece o nível das discussões.
A meta agora é permear isso por toda a companhia.
Eduardo Orban, CEO da Ipê Mineracao: “se a atividade tiver impacto positivo, as comunidades podem querer participar”
Gabriel Reis/Valor
Valor: Depois de Mariana e Brumadinho, como está a segurança das barragens de mineração no país?
Pablo Cesário: As barragens de alteamento a montante estão proibidas e todas em descomissionamento.
O principal desafio hoje não é mais a barragem, e sim as pilhas de disposição a seco: mais seguras, mas com riscos geotécnicos e ainda sem norma específica.
Uma norma da ABNT já saiu e as equipes da ANM estão sendo formadas, com regulamentação prevista para o início do ano que vem.
Valor: Os preços das commodities minerais estão em um bom nível.
Isso facilita a decisão de investir?
Eduardo Orban: O preço do minério está bom, não ótimo, e o frete marítimo subiu muito mais rápido, pressionando a margem de quem, como nós, não tem frota própria.
Preços altos favorecem o investimento, mas a pergunta é por quanto tempo vão durar.
Os superciclos mostram que investir na baixa costuma ser mais acertado do que na alta.
O desafio é ter fôlego para atravessar os ciclos ruins.
Ana Sanches: Por isso tratamos preço com parcimônia e focamos em resiliência.
A única certeza é que um dia o preço vai cair, tirando o ouro, que parece só subir.
Concentramos energia no que controlamos: eficiência, produtividade, segurança e relação com as comunidades.
Quem investe olhando só o pico de preço não mira o horizonte de médio e longo prazo.
Valor: A formação e a atração de mão de obra qualificada aparecem como um dos principais gargalos do setor.
Como isso se manifesta na prática?
Eduardo Orban: É um problema real e crescente.
Estamos em um país de emprego praticamente pleno para esse perfil, e a maioria das contratações puxa talento de outra mineradora, não do desemprego.
A engenharia se forma nos grandes centros, enquanto as minas são dispersas, em regiões sem universidades por perto.
E há menos gente nessas carreiras.
Quem se forma engenheiro ou geólogo tem ido para outras indústrias, para o mercado financeiro e para consultorias, que disputam o mesmo profissional.
Ana Sanches: Justamente por isso investimos pesado na formação local.
Em 2024 fechamos um acordo voluntário com a Prefeitura de Conceição do Mato Dentro, de R$ 500 milhões, para infraestrutura, saúde e educação na região, incluindo cursos de engenharia para que os jovens não precisem sair dali para estudar.
A ideia é devolver à região conhecimento, qualificação e mais mão de obra para o próprio setor.
Pablo Cesário: Um dado da CNI ajuda a explicar a disputa.
A indústria mineral paga cerca de 30% acima da média salarial do país, puxada pela produtividade mais alta do setor.
"Fortalecer a AMN é central", diz Pablo Cesário, Diretor-presidente interino do Ibram
Gabriel Reis/Valor
Valor: Como o setor pode se firmar como fornecedor dos minerais que a transição energética e a tecnologia vão demandar?
Pablo Cesário: A mudança de percepção está em curso.
O setor foi visto como um problema e hoje é entendido, cada vez mais, como parte da solução.
Não há resposta para os desafios da humanidade sem mineração.
Eduardo Orban: A indústria avançou muito, mas não temos carta branca.
O importante é não perder essa essência.
Temos que seguir no foco daquilo em que acreditamos, ouvir todos os atores e fazer as coisas do jeito certo, com responsabilidade sobre o impacto que geramos e sobre o que deixamos para as próximas gerações.
Ana Sanches: Acredito no potencial deste país e lembro do peso da nossa caneta, que carrega a responsabilidade de transformar a realidade e deixar um legado real para a sociedade.
Ana Sanches, CEO da Anglo American Brasil: “é preciso a garantia de que o potencial de retorno vai acontecer no prazo esperado"
Gabriel Reis/Valor
Redesigning mining operations
Brazil’s leading mining companies operate under constant public scrutiny.
Although minerals are indispensable to modern life, their extraction is continually questioned over its environmental and social impacts, particularly following the tailings dam failures in Mariana in 2015 and Brumadinho in 2019, both in Minas Gerais.
Beyond sustaining modern life, mining is also indispensable to the future.
Brazil holds significant reserves of iron ore, bauxite, niobium, copper, and other strategic minerals, positioning the country as a key supplier in these global value chains.
Converting that potential into investment, however, requires regulatory predictability, a more efficient permitting process, and the industry’s ability to meet the increasingly stringent environmental and social standards that have emerged since the sector’s worst disasters.
Moderated by Francisco Góes, Valor’s Rio de Janeiro bureau chief, and Célia Rosemblum, editor of special projects, the roundtable—organized by Valor with support from the Brazilian Mining Institute (Ibram)—brought together Fernanda Lavarello, director of corporate affairs and communications at BHP Brasil; Eduardo Orban, CEO of Ipê Mineração; Ana Sanches, CEO of Anglo American Brasil; Carlos Neves, senior vice president of operations and COO of Hydro Bauxite & Alumina; and Pablo Cesário, acting CEO of Ibram.
The following are excerpts from the discussion.
Valor: The government has signaled that it will issue a decree on caves, with changes to operational and environmental aspects.
What do you expect from this announcement?
Ana Sanches: We are optimistic.
It is important for an issue like this to have clearer regulations, less open to broad interpretation —the more clearly defined the criteria, the better for everyone.
That doesn’t mean weakening environmental protection.
On the contrary, it means setting clear parameters that let the industry keep operating responsibly while removing unnecessary bottlenecks from licensing.
Valor: How do you think society sees mining? Could the buzz around critical and strategic minerals broaden the debate around more sustainable mining?
Fernanda Lavarello: Society has a preconceived view of mining for two reasons: limited understanding of the industry, and the trauma of those two tragedies [Mariana and Brumadinho], which profoundly marked the sector and must never happen again.
So we have a dual responsibility: to help society better understand mining, and to show what has been done since.
In Mariana’s case, the R$170 billion settlement signed in 2024 is a concrete response on reparations, including resources dedicated to oversight and monitoring.
Valor: How is the sector working with the government to close loopholes related to illegal mining and organized crime?
Pablo Cesário: In 2023, Ibram, with environmental and Indigenous organizations, brought a case before Brazil’s Supreme Court that eliminated the legal presumption of good faith in gold trading.
Today, the metal’s origin must be documented throughout the supply chain via electronic invoices.
As a result, officially declared illegal gold production—once nearly half of the total—has declined, and Federal Police operations have targeted securities distributors [DTVMs], a principal channel for laundering illegally mined gold.
The next challenge is improving traceability without pushing small-scale miners out of business.
Valor: Illegal mining is concentrated in Indigenous territories, where mining is prohibited.
How does the industry view mining in these areas?
Pablo Cesário: This is one of the industry’s most sensitive issues, and it’s important to distinguish legal from illegal activity.
Today, the only type of mining absent from Indigenous territories is legal mining.
What exists there is invasion by illegal miners, with all the environmental and social damage that entails, plus the involvement of organized crime.
Combating that catastrophic illegality is the immediate priority.
As for legal mining, the subject of a bill now before the Federal Senate, our position is that Brazil should learn from countries that have handled this successfully.
It’s not an immediate priority for mining companies, but ignoring it also has costs.
Eduardo Orban: I’d turn the question around.
It isn’t up to mining companies to decide where mining should or shouldn’t happen —that’s determined by law, and ultimately by government.
If mining is carried out the way we believe it should be, with a positive impact, local communities themselves may well want to participate and benefit from the resources on their lands.
Valor: How does today’s geopolitical landscape translate into opportunities for Brazil and operational mining companies?
Carlos Neves: At Hydro, our advantage lies across the entire value chain, from extraction to final product.
Investing in traceability and decarbonization differentiates our aluminum in the marketplace.
That’s precisely why Mercedes-Benz approached us after visiting our operations in Paragominas.
Our aluminum has a carbon footprint three times lower than the global average, and we’ve committed to net-zero emissions by 2050.
In 2024 alone, we replaced natural gas boilers with electric systems, cutting emissions by 1.4 million tonnes.
Pablo Cesário: Not every critical issue revolves around high technology.
We’re facing an immediate challenge with sulfur.
Before the war, sulfur cost around $100 a tonne; today it exceeds $1,200, and half the world’s supply passes through the Strait of Hormuz.
Brazil has inventories only through September.
That illustrates what a critical mineral really is: sometimes there’s simply nowhere to buy it.
Valor: How has artificial intelligence changed mining operations?
Eduardo Orban: Digitalization is irreversible.
We already operate fleets of fully autonomous haul trucks.
Mining Hub, the innovation ecosystem connecting mining companies with startups, has generated solutions that improve costs, recovery rates, circularity, and safety, while making the industry more attractive to younger generations.
Valor: Has diversity and inclusion also become part of this transformation agenda?
Fernanda Lavarello: At BHP, we use artificial intelligence to separate copper ore directly at the mine, in partnership with Microsoft.
This technology has widened the range of people who can do certain jobs through remote operations.
As a result, we’ve achieved gender balance, with women representing 40% of our global operations workforce, while creating more opportunities for people with disabilities.
Ana Sanches: Diversity begins with leadership and must guide the entire organization.
If leadership isn’t diverse and doesn’t genuinely value diversity, the message will never be credible.
I’m proud of our executive committee, which includes strong female representation, racial diversity, people from different generations, and LGBTQ+ members.
This diversity of experience brings a wide range of perspectives and greatly enriches our discussions.
Our next objective is to extend that diversity throughout the company.
Valor: Following Mariana and Brumadinho, what is the current state of mining dam safety in Brazil?
Pablo Cesário: Upstream tailings dams have been banned and are all being decommissioned.
Today’s primary challenge is no longer the dams themselves but dry-stack waste facilities.
They’re considerably safer, but still carry geotechnical risks and aren’t yet governed by mandatory technical regulations.
The Brazilian Association of Technical Standards [ABNT] has already issued a standard, and the National Mining Agency [ANM] is training inspection teams, with formal regulation expected early next year.
Valor: Mineral commodity prices remain relatively high.
Does that make investment decisions easier?
Ana Sanches: We approach prices cautiously and focus instead on resilience.
The only certainty is that prices will eventually decline.
We concentrate on what we can control: operational efficiency, productivity, safety, and our relationship with local communities.
Companies that invest solely based on peak commodity prices aren’t taking the medium- and long-term view this business requires.
Valor: Training and recruitment of qualified workers has become one of the industry’s main bottlenecks.
How are companies addressing this?
Ana Sanches: We invest heavily in developing local talent.
In 2024, we signed a voluntary R$500 million agreement with the municipality of Conceição do Mato Dentro to improve infrastructure, healthcare, and education, including engineering programs so young people no longer need to leave the region for higher education.
The goal is to return knowledge, qualifications, and a stronger workforce to the region, benefiting both the local community and the industry.
Valor: How can Brazil establish itself as a reliable supplier of the minerals required for the energy transition and future technologies?
Eduardo Orban: The mining industry has made tremendous progress, but we haven’t been given a blank check.
It’s essential that we preserve that awareness.
We must stay focused on what we believe in, listen to all stakeholders, and keep doing things the right way—responsible for the impacts we create and the legacy we leave future generations.
