Mais de 530 alunos de 40 escolas se enfrentaram em torno de tabuleiros neste fim de semana durante a 44ª edição do Intercolegial O GLOBO/Sesc.
Em uma verdadeira batalha de concentração, estratégia e raciocínio, os estudantes disputaram seis rodadas por categoria, na unidade Cascadura do Santa Mônica Rede de Ensino.
Pela primeira vez, o número de participantes fez com que a competição fosse dividida em dois dias: no sábado (22), foi a vez dos meninos, e no domingo (23), das meninas.
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A programação foi dividida em quatro categorias em cada dia.
No masculino, competiram atletas sub-13, sub-15 e sub-18 não federados, além do sub-18 livre.
No feminino, as mesmas categorias foram disputadas no domingo.
Cada escola pôde inscrever até quatro alunos por categoria.
À frente da organização do xadrez no Intercolegial há 19 anos, o coordenador da modalidade, Élcio Mourão, acompanha de perto a evolução da competição.
Segundo ele, a quantidade de participantes cresceu a ponto de tornar inviável reunir meninos e meninas no mesmo dia, como acontecia anteriormente.
— Há alguns anos, fazíamos masculino e feminino no mesmo dia.
Hoje, devido ao número de participantes ser tão grande, temos que dividir em dois dias para caber todo mundo no espaço físico.
Sábado é o masculino; e domingo, o feminino — explica Élcio.
Segundo o coordenador, cerca de 350 alunos participaram das disputas masculinas no sábado.
O número, além de mostrar a dimensão da modalidade, também aparece no nível técnico dos confrontos.
Élcio atribui o crescimento a uma combinação de fatores, que passa pelo trabalho dos professores nas escolas, pela divulgação da competição e pela organização do torneio.
— Tecnicamente, o Intercolegial está cada vez mais forte.
Os alunos estão mais bem preparados para a competição.
Foi uma disputa muito bacana, muito intensa no tabuleiro e nas categorias específicas.
Deu tudo certo.
É o trabalho de todos.
Os professores reconhecem a modalidade e fazem um bom trabalho nos colégios, além da organização da competição, começando no horário e terminando no horário.
Tudo isso incentiva a participação.
E o xadrez é uma modalidade nobre, que trabalha o raciocínio lógico, a concentração e a disciplina.
Eu costumo dizer que é a ginástica do raciocínio — disse.
A expansão da modalidade também aparece em histórias como a da professora de xadrez Mell Manhães, de 22 anos, do Centro de Formação Nogueira Mineiro, de Duque de Caxias.
Em sua primeira participação no Intercolegial como técnica, ela conduziu quatro alunos ao pódio nas disputas masculinas, com dois títulos.
A relação de Mell com o xadrez começou dentro de casa.
Seu pai, Aldenir Manhães, é professor de xadrez e foi quem apresentou o esporte à filha ainda na infância.
Antes de ocupar o lado do tabuleiro reservado aos técnicos, ela acumulou experiência como atleta.
A estreia na função de treinadora tornou a conquista ainda mais especial.
— A vitória dos alunos é bem melhor do que quando é você ganhando.
Significa muito mais.
E, mais do que a vitória, quando você vê o aluno levando seus princípios, o lado da ética como adversário, sabendo lidar com as derrotas e vibrando pelos outros colegas, isso é emocionante.
Entre os resultados conquistados pela escola, Enzo Oliveira ficou em primeiro lugar no sub-18 não federado, em sua última participação no Intercolegial antes de concluir o ensino médio.
A equipe também conquistou terceiros lugares no sub-13 e no sub-15, além de outros resultados individuais.
Bicampeã no feminino
No domingo, o destaque ficou com o GEO Martin Luther King.
Entre as campeãs estava Yasmin Davino, de 13 anos, que conquistou pelo segundo ano consecutivo o título do sub-15 não federado.
O contato da estudante com o xadrez começou no 6º ano, quando entrou em uma escola voltada para a prática esportiva.
Até então, ela não tinha familiaridade com a modalidade.
Três anos depois, o esporte já ocupa espaço importante na rotina da adolescente.
— Eu não imaginava que ia chegar tão longe.
Ser bicampeã é algo que eu nunca imaginei que pudesse ser.
Fico até emocionada de pensar que meu esforço deu o que eu mais queria, que era reconhecimento.
É um esporte pelo qual eu tenho muito carinho e do qual guardo lembranças boas.
Se eu puder, vou continuar seguindo no xadrez — afirmou.
Colega de equipe, Lívia Xavier, de 15 anos, também terminou a competição no lugar mais alto do pódio na categoria sub-15.
A trajetória dela no xadrez, porém, começou quase por acaso.
Antes de se dedicar aos tabuleiros, Lívia fazia parte da equipe de atletismo da escola.
Uma lesão fez com que ela passasse a frequentar as atividades de xadrez.
A princípio, a modalidade não despertava seu interesse:
— Eu não gostava muito.
Mas comecei a me interessar mais.
Este ano comecei a ganhar mais coisas e foi muito legal ter ganhado hoje.
Foi a segunda vez que peguei um pódio e, com um ano de xadrez, fiquei muito feliz com o primeiro lugar.
Próximas disputas
Com o xadrez, a programação de agosto do Intercolegial chega ao fim.
No próximo fim de semana, sábado (29) e domingo (30), será a vez do vôlei de praia, na unidade Nova Iguaçu do Sesc.
Em setembro, o calendário segue com as semifinais do basquete, no dia 12, no Sesc Nova Iguaçu, e a decisão, no dia 19, no Sesc São João de Meriti.
Na sequência, estão previstas as disputas de natação, no dia 20, e badminton, nos dias 26 e 27.
— O programa de setembro também será muito forte.
Depois da final do basquete, teremos a natação e o badminton.
São duas competições de grande procura, e esperamos um grande número de colégios e alunos participantes — afirma Roberto Garofalo, diretor-geral da Abadai, produtora que realiza o evento para O GLOBO.
O Intercolegial é realizado pelo GLOBO, com patrocínio do Sesc-RJ e apoio da Afya.
