Diego Marconatto: “A intuição não foi abolida pela era digital.
Digamos que ela foi enriquecida pelos dados”
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Empresas de médio porte mais lucrativas e com melhor desempenho têm em comum gestores que conseguem equilibrar razão e emoção ao tomar decisões.
Esse perfil de liderança costuma conquistar resultados superiores aos alcançados por gestores puramente racionais ou intuitivos.
Além de saber dosar a racionalidade e a intuição, os gestores de empresas de alta performance conseguem transformar dados em ação, valorizam investimentos em tecnologia da informação e inteligência artificial (IA) para orientar decisões e preservam a cultura que abre espaço para o debate de ideias.
Esses foram os principais achados da pesquisa desenvolvida pelo Centro de Inteligência de Médias Empresas (Cime), da Fundação Dom Cabral (FDC), que investigou como o segmento de médio porte com alto desempenho transforma decisões em vantagens competitivas.
Apresentada durante a 11ª edição do Fórum Anual de Médias Empresas, realizada pela FDC, em São Paulo, nos dias 1º e 2 de setembro, a pesquisa “Arquitetura da Decisão: como decidem as médias empresas brasileiras de alta performance” levantou dados de 522 companhias de médio porte em todas as regiões do país.
Diego Marconatto, professor do doutorado da FDC e um dos autores do estudo, diz que a cultura de dados não é mais um diferencial, ela se transformou em um requisito, portanto não basta que as empresas organizem bancos de dados.
Na avaliação dos pesquisadores, a vantagem competitiva está na forma como os líderes usam esses dados, combinados a ferramentas de IA, para tomar decisões mais assertivas.
“Nossa pesquisa mostra que o diferencial não é apenas ter dados, mas ter esses dados estruturados.
Além de gestores capazes de priorizar investimentos de tecnologia e alocar capital de maneira inteligente dentro do negócio.
Esse gestor é cada vez mais um maestro de dados e de IA”, diz Marconatto, que desenvolveu a pesquisa com os professores Plínio Monteiro, Marcos Bardagi e Wagner Alledo, sob a coordenação de Áurea Ribeiro.
O estudo indica que 45% dos líderes das empresas pesquisadas combinam razão e intuição; o estilo majoritariamente racional foi destacado por 30% dos executivos, enquanto 25% afirmam tomar decisões com base na intuição.
“A intuição não foi abolida pela era digital.
Digamos que ela foi enriquecida pelos dados”, diz Marconatto.
Com relação à cultura de dados, 72% das empresas fora do grupo de alta performance (que tiveram crescimento médio anual de 12% no faturamento, entre 2023 e 2025) reconhecem os dados como um ativo estratégico.
Esse resultado surpreendeu os pesquisadores, porque a valorização da cultura de dados no grupo das organizações de alta performance foi menor (61%).
Por outro lado, na maioria de empresas de alto desempenho (77%), os líderes afirmam mudar de opinião quando os dados apontam um caminho diferente do que eles haviam decidido.
Esse comportamento é verificado em 63% das demais empresas pesquisadas.
De um modo geral, os resultados apontam que não basta produzir indicadores e relatórios, é preciso disposição para transformar dados em decisão, mesmo quando a informação está na direção oposta à experiência ou intuição do líder.
“É particularmente perigoso aquele tomador de decisão intuitivo que desconsidera os dados”, diz Marconatto.
Os achados do estudo indicam ainda relação entre o reconhecimento da importância das ferramentas de IA e o desempenho das organizações.
Em 61% das empresas de alta performance pesquisadas, a alta gestão apoia os projetos de IA.
Esse percentual cai para 42% nas demais organizações.
Para a maioria dos líderes (51%) das empresas de alto desempenho, está claro como aplicar a IA para obter resultados, nas demais empresas, 36% têm essa clareza.
Os pesquisadores alertam que a ausência de infraestrutura de dados e software leva as empresas a inchar em vez de crescer, porque a complexidade interna aumenta.
“O que controla essa complexidade, o que evita que essa complexidade desacelere ciclos posteriores de crescimento, é a capacidade superior de gestão, que só pode ser dada por infraestrutura de dados, software e IA”, diz Marconatto
O resultado dos negócios de médio porte também é impactado pela segurança psicológica.
Empresas que deixam os funcionários seguros para questionar, contribuir ou discordar de seus líderes têm, em média, três vezes mais chances de integrar o grupo de alta performance.
“Preocupem-se com a segurança psicológica das suas equipes.
Ela tem que existir na diretoria e no conselho.
O conselheiro precisa ter segurança para dar uma opinião.
Segurança psicológica precisa existir em todos os níveis”, diz Marcos Bardagi.
Os dados da pesquisa foram coletados com os principais tomadores de decisão das organizações.
Cerca de 99% dos respondentes ocupam cargos de alta liderança (CEO, presidente, diretor ou sócio-administrador).
Aproximadamente 45% são fundadores do negócio.
Equilíbrio entre razão e emoção eleva desempenho
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