Uma equipe chinesa de resgate conseguiu chegar pela primeira vez nesta sexta-feira ao complexo da passagem fronteiriça de Gyirong, praticamente destruído pela avalanche de lama de quarta-feira, onde encontrou “apenas ruínas”, enquanto Nepal e China retomavam as operações de resgate nas áreas do Himalaia atingidas pelas inundações.
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O colapso de uma geleira na quarta-feira desencadeou uma enorme torrente de rochas, gelo, lama e detritos pelos sistemas fluviais das montanhas do Himalaia, matando pelo menos 579 pessoas no Nepal e sete no Tibete, na China.
O número de desaparecidos no Nepal quase dobrou, chegando a 1.924, informou nesta sexta-feira a autoridade de gestão de desastres do país.
Pelo menos 558 pessoas estavam desaparecidas no condado de Gyirong, segundo informou na quinta-feira a emissora estatal chinesa CCTV.
Entre os desaparecidos no desastre, pelo menos 540 são estrangeiros, muitos deles peregrinos hindus da Índia.
Imagens de câmeras de segurança do complexo da passagem fronteiriça de Gyirong, a área mais atingida, mostraram enormes torrentes de água e detritos engolindo prédios e pessoas que tentavam fugir.
As equipes de resgate só conseguiram chegar à região nesta sexta-feira.
A mídia estatal informou que a equipe chinesa, formada por 21 socorristas e um cão de busca e resgate, atravessou montanhas e vales e usou cordas para avançar por florestas e penhascos depois que as estradas que levavam ao complexo, cercado pelas encostas íngremes do Himalaia, foram destruídas.
“Não havia estrada...
era tudo mata virgem e penhascos íngremes”, afirmou o socorrista Zou Mingqi.
Ao chegar ao complexo, “até onde a vista alcançava, não havia nada além de ruínas”.
A Cruz Vermelha estima que mais de 90 mil pessoas tenham sido afetadas pelo desastre.
As inundações levaram à formação de um lago, que nesta sexta-feira começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli.
O transbordamento provocou pânico e alertas das autoridades no Nepal, levando à suspensão das operações de resgate por cerca de três horas.
O risco também levou à retirada de todos os socorristas e veículos chineses, de acordo com a CCTV.
Os dois países retomaram as operações de resgate depois que a ameaça diminuiu, e autoridades nepalesas disseram que ainda esperavam encontrar sobreviventes.
Essa esperança se concretizou para Matti Maya Tamang, de 28 anos, que se reencontrou nesta sexta-feira com o filho Zoyal Ghale, de 8 anos, depois de temer que ele e o irmão tivessem morrido quando a escola onde estavam foi destruída.
Zoyal Ghale, de 8 anos, que foi retirado de helicóptero de Rasuwa após ficar ferido nas inundações repentinas e no deslizamento de terra que deixaram mortos, conversa com sua mãe, Matti Maya Tamang, de 28 anos, dois dias depois de terem se separado durante as inundações, em um hospital em Katmandu, Nepal, em 28 de agosto de 2026.
Foto tirada com um celular
REUTERS/Ranup Shrestha
Ghale conseguiu escapar correndo para uma floresta e subindo em árvores enquanto a inundação avançava.
Mais tarde, ele foi encontrado com uma perna quebrada e cortes no rosto e levado de helicóptero a um hospital, onde jornalistas da Reuters o encontraram segurando duas notas de 10 rúpias que policiais lhe haviam dado para convencê-lo a acompanhá-los e receber atendimento médico.
A mãe conseguiu encontrá-lo depois de ligar para um número deixado por um jornalista da Reuters no hospital.
“Senti que minha vida tinha voltado”, afirmou Tamang, que também encontrou o filho mais novo com vida.
‘Todos os nossos se foram’
Dez corpos foram encontrados em três locais no Estado de Uttar Pradesh, no norte da Índia, em rios que descem do Nepal, informou a polícia à Reuters nesta sexta-feira.
Mais cedo, equipes de resgate nepalesas usaram helicópteros para procurar sobreviventes e lançar suprimentos de emergência para milhares de pessoas isoladas em cidades e vales.
Dibga Tamang estava entre as últimas pessoas resgatadas de Rasuwa na quinta-feira e foi transportada de helicóptero, junto com outras três pessoas, para uma base do Exército em Nuwakot.
“Todos os nossos se foram.
Estão mortos”, disse Tamang.
“Não tenho mais ninguém esperando por mim.
Tudo e todos se foram.
É o fim.”
Um grande número de pessoas chegou a uma base do Exército na região em busca de informações sobre familiares mortos ou desaparecidos.
Corpos eram levados para o quartel, e listas de pessoas resgatadas eram afixadas do lado de fora.
Em várias partes do mundo, parentes dos desaparecidos buscavam desesperadamente informações.
As Nações Unidas e seus parceiros estavam ampliando o envio de ajuda, com uma estimativa de que 20 mil famílias precisem de assistência alimentar e mais de 50 mil pessoas necessitem de água e apoio emergenciais, afirmou o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric.
Nesta foto divulgada pela agência de notícias Xinhua, equipes de resgate usam máquinas pesadas para liberar uma estrada que leva às áreas atingidas por deslizamentos de terra em Shigatse, na Região Autônoma do Tibete, no sudoeste da China, na quinta-feira, 27 de agosto de 2026
Xinhua via AP
Apesar das numerosas ofertas de assistência em operações de busca e resgate, o Nepal afirmou que não precisa da ajuda de outros países.
O Kathmandu Post informou que Índia, China, Estados Unidos, Reino Unido, Japão, Coreia do Sul, Sri Lanka e Bangladesh pediram ao governo autorização para que suas equipes de busca e resgate pudessem ajudar.
