O eclipse solar total de 12 de agosto permitiu aos investigadores observar um fenômeno raro, no céu e também no comportamento dos animais.
Durante a redução repentina de luminosidade, 13 zoos e aquários da Península Ibérica acompanharam, simultaneamente, diferentes espécies e puderam perceber que aproximadamente metade delas apresentou alguma alteração comportamental.
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O estudo, coordenado pela Associação Ibérica de Zoos e Aquários (AIZA), utilizou câmaras de alta definição e equipamentos de gravação de sons.
Aves, mamíferos, répteis e outras espécies foram observadas antes, durante e depois do eclipse solar, permitindo comparar as reações perante o mesmo fenômeno natural.
O que mudou quando o dia pareceu terminar mais cedo?
Com a diminuição repentina da luz, não houve uma reação comum a todos os animais.
No entanto, alguns deles apresentaram comportamentos normalmente associados ao amanhecer ou ao fim do dia.
No Parque de la Naturaleza de Cabárceno, na Espanha, os leões ficaram mais ativos e inquietos à medida que o ambiente escurecia.
Já no Bioparc Fuengirola, um macho de sitatunga aumentou a atividade reprodutiva, realizando várias tentativas de cópula com as fêmeas.
Entre os primatas, os investigadores também registraram respostas curiosas.
Orangotangos observados no Zoo de Santillana del Mar permaneceram no exterior e olharam repetidamente para o céu.
Depois da volta da luz, um deles apresentou vocalizações e sinais de inquietação, enquanto a mãe abraçou a cria.
No Río Safari Elche, os chimpanzés começaram a preparar os locais onde dormem, adotando comportamentos característicos do fim do dia.
Os elefantes também fizeram parte das análises e apresentaram resultados mais discretos.
Em Cabárceno, uma manada de elefantes africanos permaneceu junta e imóvel durante o período de maior escuridão, retomando a atividade quando a luminosidade voltou.
Já no zoológico Terra Natura Benidorm, as elefantas asiáticas mantiveram-se tranquilas, embora tenham sido captadas algumas vocalizações.
No Zoo Aquarium de Madrid, uma família de elefantes-de-Sumatra, que incluía uma cria com apenas uma semana de vida, manteve o comportamento protetor habitual sem alterações significativas.
O caso de Algarve
O parque temático Zoomarine, no Algarve, foi a única instituição portuguesa envolvida no projeto e teve um eclipse solar parcial, que ocorreu próximo do pôr do sol.
Sendo assim, a maioria dos animais acompanhados não apresentou mudanças significativas.
Os leões-marinhos permaneceram a dormir e as aves mantiveram níveis de atividade semelhantes aos registados nos dias anteriores.
As borboletas, contudo, tiveram uma resposta mais evidente.
A atividade diminuiu gradualmente durante o eclipse e os insetos permaneceram imóveis sobre as folhas.
A ausência de alterações nos restantes animais também é considerada relevante para o estudo, já que mostra que a resposta aos eclipses depende não apenas da espécie, mas também das condições ambientais e da intensidade da alteração da luminosidade.
Próximos eclipses serão novas oportunidades
A intenção da AIZA é continuar as pesquisas durante os próximos grandes fenômenos astronómicos visíveis na Península Ibérica.
Entre as próximas oportunidades, estão no calendário o eclipse solar total de 2 de agosto de 2027 e o eclipse solar anular de 26 de janeiro de 2028.
A continuidade das observações permitirá comparar as respostas dos animais em eclipses com diferentes níveis de intensidade e perceber melhor de que forma a luz influencia os ritmos e comportamentos das espécies.
Mais do que mostrar que os animais “reagem” a um eclipse, o projeto procura compreender como uma mudança breve e inesperada no ambiente pode interferir com os seus relógios biológicos e com comportamentos que normalmente acontecem ao amanhecer ou ao anoitecer.
*aluna do curso Jornalismo do Futuro sob supervisão de Daniel Biasetto.
Era dia, mas parecia noite: estudo destaca como os animais reagiram ao eclipse solar total
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