'Escola de Brincante': livro traz a voz do Arraial do Pavulagem na cultura popular da Amazônia

Fonte: Bandeira da fonte

"A cultura popular só continua existindo quando é compartilhada".
Essa colocação do cantor e compositor Ronaldo Silva está nas páginas do livro "Escola de Brincante", livro gratuito em formato digital que o Instituto Arraial do Pavulagem acaba de lançar.
Ronaldo é cofundador do Arraial do Pavulagem tem seu trabalho musical atrelado em muito ao Instituto, e o livro vem justamente narrar a trajetória, saberes e atuação desse grupo na cultura popular da Amazônia, ou seja, o público tem acesso a histórias, imagens e informações sobre os cortejos, processos formativos, símbolos e detalhes sobre as diferentes frentes de atuação do Instituto.
Link para o livro aqui.  

Desse modo, quem participa dos eventos do Instituto ou quem quer conhecer essas atrações culturais do Estado do Pará pode mergulhar nos ciclos de cortejos do Arraial do Pavulagem, passando pelo Arrastão do Pavulagem, Arrastão do Círio, Cordão do Peixe-Boi e Cordão do Galo, e suas relações com cultura popular, fé, meio ambiente e territórios amazônicos.
O livro ganhará versão impressa.

Escola viva

São quase quatro décadas de história e atuação do Arraial do Pavulagem na cultura popular amazônica.
Como é pontuado em "Escola de Brincante": "O Arraial do Pavulagem pode ser entendido como um espaço pedagógico vivo.
Seu trabalho não se resume à realização de grandes cortejos ou shows públicos.
O que aparece na rua é a culminância de um processo que ocorre com antecedência, se desenvolve com tempo e método e produz efeitos que transcendem o momento da festa".
Esse trecho refere-se a toda uma pesquisa que é feita pelo Instituto acerca das expressões artísticas amazônicas e às oficinas de formação dos brincantes dos eventos. 

No livro, os leitores conhecem a história da manifestação cultural desde as primeiras brincadeiras musicais em Belém.
O conteúdo apresenta os caminhos que levaram à construção de um trabalho continuado de cultura, transmissão de saberes, cidadania e ocupação das ruas.
"A publicação registra uma história coletiva de quase quatro décadas.
É uma forma de preservar essa memória e contribuir para que esses saberes continuem atravessando gerações", destaca Júnior Soares, músico e cofundador do Arraial do Pavulagem.

Por meio de textos, fotografias e ilustrações, o livro traz diferentes aspectos que compõem o universo do Arraial do Pavulagem.
Entre eles, estão seus brinquedos, personagens, ritmos, elementos visuais e referências ligadas ao imaginário amazônico.
Como explica Ronaldo Silva, "os cortejos são a parte mais visível de um trabalho que acontece durante todo o ano".
"A publicação permite compartilhar com o público um pouco dos processos que mantêm essa brincadeira viva", completa.

No Arraial, música não é apenas o reconhecimento de notas, as batidas das barricas, alfaias, caixas de boi, o ronco do tambor-onça, o chacoalhar das maracas, platinelas, o roçar do reco-reco, o dedilhar dos banjos, o balançar dos badalos; é desenvolvimento da audição em grupo.
A dança não é apenas decorar uma coreografia, diferenciar os ritmos regionais; é sentir o corpo, perceber o espaço e a energia coletiva.
Aprender a caminhar em cortejo não é apenas seguir uma trajetória; é entender que cada pessoa é protagonista da manifestação, constituindo
uma totalidade, um sistema maior", é destacado em "Escola de Brincante".

A publicação tem como coordenadores Júnior Soares, Ronaldo Silva e Walter Figueiredo; produção executiva de Walter Figueiredo; textos de Alison Castilho, Leandro Moreira e Mary Jane Sousa; projeto gráfico de Carol Abreu; ilustrações de Drika Chagas; fotos do Acervo Instituto Arraial do Pavulagem, Armando Teixeira, Carlos Borges, Filipe Bispo, Marx Vasconcelos e Fernando Sette; ficha catalográfica a cargo de Cleidiomar Rodrigues e, como colaboradores, Allan Carvalho, Alison Castilho, Diene Sena, Ingrid Bittencourt, Ivana Karen, João Guilherme, Leandro Moreira, Mary Jane Sousa, Ronaldo Melo e Silvana Pimentel.

A publicação é realizada pelo Instituto Arraial do Pavulagem, com patrocínio da Petrobras, por meio da Lei Federal de Incentivo à Cultura, e do Ministério da Cultura.
O Arraial do Pavulagem possui reconhecimento como Patrimônio Cultural de Belém (Lei Municipal nº 9.305, de 12/07/17), Patrimônio Cultural do Estado do Pará (Lei Estadual nº 9.108, de 17/08/20) e como Manifestação da Cultura Nacional (Lei Federal nº 14.961, de 04/09/2024).