Escritora transforma infância da filha em jogo feito com IA e emociona a internet - QTU Questões do Universo

Escritora transforma infância da filha em jogo feito com IA e emociona a internet

Fonte: Bandeira da fonte

O que começou como um fim de semana sem compromissos terminou com um projeto que emocionou milhares de pessoas nas redes sociais.
A escritora e redatora publicitária Michele Contel, de 34 anos, criou em cerca de 12 horas um jogo inspirado na filha Maria, que completa 4 anos em outubro, usando ferramentas de inteligência artificial.
Batizado de "A Biblioteca da Maria", o game nasceu de uma pergunta simples: como mostrar que os livros mudam a forma como enxergamos o mundo?
Tela do jogo A Biblioteca da Maria
Redes sociais
"Eu sou escritora e a gente lê muitos livros.
A Maria tem muitos livros e eles vão mudando.
Tem livros que eu li 400 vezes antes dela dormir e ela já não curte tanto.
Queria lembrar dessas coisas e não esquecer desses momentos corriqueiros", contou Michele à Época NEGÓCIOS.
A ideia surgiu depois que o sobrinho de 11 anos criou uma versão da filha de Michele em estilo 16 bits.
"Na hora veio a ideia de fazer o joguinho.
Foi muito automático ser sobre livros, porque é algo que a gente gosta de fazer juntas."
Ela começou o projeto na noite de sexta-feira e passou o sábado aperfeiçoando o jogo.
Aos poucos, foi adicionando elementos da rotina da filha: os livros favoritos, os primos e afilhados, a gata da família, o sorvete de porquinho da sorveteria preferida, o cookie favorito e até a fase musical atual, marcada por Katy Perry.
Inspirado nos videogames de plataforma da era do Super Nintendo, cada fase representa um pedaço da infância de Maria.
A principal mecânica do jogo também funciona como metáfora: conforme o personagem coleta livros, o mundo ganha mais cor e nitidez.
Tela do jogo A Biblioteca da Maria
Divulgação
Apesar de já ter experiência com HTML por manter um blog há muitos anos, Michele diz que esse foi seu primeiro projeto mais elaborado usando IA.
"Foi meu primeiro teste com inteligência artificial.
O máximo que eu tinha feito antes era um joguinho de cartas de quebra-gelo."
Ela utilizou planos pagos de ferramentas de IA, incluindo o Claude, e afirma que a programação em si não foi a parte mais difícil.
"Até que não foi tão difícil.
A mecânica era muito simples de fazer.
O que mais demandou tempo foi a parte visual.
Sou muito exigente com estética.
Quando a imagem é reduzida, ela perde qualidade, então fiquei ajustando muitos detalhes."
A referência aos videogames também veio da infância.
"Nunca fui muito de videogame, mas joguei muito Super Nintendo quando era criança.
Não tinha Netflix, mas tinha videogame."
A repercussão, porém, surpreendeu.
Michele publicou primeiro no Instagram e depois decidiu compartilhar o projeto no LinkedIn, imaginando que seria um trabalho interessante para mostrar aos colegas da área de comunicação.
"Fiquei bem surpresa.
Passou de 134 mil impressões e chegou a 87 mil usuários."
Post no Linkedin de Michele Contel
Redes sociais
A principal aprovação, no entanto, veio da própria Maria.
Segundo Michele, a menina ainda não consegue controlar o personagem para andar e pular ao mesmo tempo, mas adorou a experiência.
"Foi como ver um filminho sobre ela.
Ela amou."
Um efeito inesperado apareceu depois de jogar: Maria voltou a ouvir "Yellow Submarine" e retomou o interesse pelos Beatles, uma das referências incluídas pela mãe no jogo.

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