Espanha convoca embaixador italiano após Meloni afirmar que Itália deveria fechar circulação entre países - QTU Questões do Universo

Espanha convoca embaixador italiano após Meloni afirmar que Itália deveria fechar circulação entre países

Fonte: Bandeira da fonte

O embaixador italiano em Madri, Giuseppe Buccino Grimaldi, foi recebido pelo Diretor de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores da Espanha para protestar contra as declarações do ministro das Relações Exteriores italiano, Antonio Tajani, e da primeira-ministra, Georgia Meloni, que afirmou ser 'favorável' ao fechamento do espaço Schengen devido ao receio de uma onda de migrantes vindos da Espanha em decorrência da crise em Ceuta.

O espaço é uma livre circulação entre 29 países europeus.
Em uma publicação no X na noite passada, o ministro das Relações Exteriores espanhol, José Manuel Albares, classificou a mensagem como 'indigna' vinda do ministro das Relações Exteriores de 'um país parceiro e amigo, do qual esperamos solidariedade europeia e não demagogia partidária', antecipando a convocação do embaixador.
Além disso, a Espanha convocou seu embaixador de volta da Itália após o episódio.
Tajani relacionou a atual a crise migratória com a entrada em Ceuta a uma decisão recente do governo espanhol de regularizar a situação de mais de 500 mil imigrantes sem documentos residentes na Espanha.
O Ministério do Interior espanhol informou nesta sexta-feira (31) que cerca de 49 mil migrantes entraram no enclave de Ceuta, no norte da África, nas últimas 24 horas, chegando por mar e por terra vindos de Marrocos.
A região, localizada na África, faz parte da Espanha e seria uma entrada para chegar até o território espanhol ou para conseguir cidadania.
O número de mortes de migrantes que tentam nadar até Ceuta, partindo de Marrocos, está aumentando.
As autoridades informaram que foram confirmadas 27 mortes.
Rachid Sbihin, chefe da associação que representa os oficiais da Guarda Civil espanhola em Ceuta, disse anteriormente que muitas pessoas se afogaram, enquanto outras morreram em um tumulto.
Centenas de imigrantes tentam entrar em Ceuta, enclave espanhol na África.
Lucia Diaz/AFP
A Espanha mobilizou suas forças armadas para restabelecer a ordem na fronteira com Marrocos, em Ceuta.
As autoridades locais de Ceuta haviam solicitado reforços ao governo central em Madri para gerenciar a crise na fronteira, que vinha se agravando antes de explodir ontem, com grandes multidões rompendo a cerca da fronteira.
O governo espanhol afirmou que enviará as Forças Armadas para auxiliar a Guarda Civil 'na manutenção da segurança na cidade de Ceuta'.
Em meio a isso, a imprensa local de Ceuta relata que grupos de imigrantes que entraram estavam pensando em retornar aos seus países por causa da incerteza e do medo de ficarem abandonados sem transporte, recursos ou assistência em Ceuta.
Com os centros de acolhimento sobrecarregados, muitos não tiveram outra opção a não ser dormir nas ruas, em parques e praças, ou nas praias onde chegaram.
Voluntários da Cruz Vermelha e de ONGs estão distribuindo alimentos, roupas secas e água, mas as necessidades superam em muito os recursos disponíveis.
O número de pessoas que retornam ao Marrocos aumenta a cada hora.
Em muitos casos, são os próprios soldados, mobilizados ontem pelo governo nacional para apoiar a Guarda Civil, que acompanham aqueles que solicitam o auxílio até as passagens de fronteira.
Alguns, no entanto, estão até optando por voltar a nado.
E muitos relatam violência, ataques e maus-tratos por parte de moradores de alguns bairros, que em diversos casos teriam sido apedrejados e ameaçados com armas.
Em meio a isso, o ministro do Interior francês, Laurent Núñez, afirmou que os controles de fronteira com a Espanha serão reforçados e que está em contato com o governo espanhol para receber atualizações sobre a crise causada pelo fluxo maciço de migrantes vindos de Marrocos.
Imigrantes entram em enclave espanhol na África, Ceuta.
Reprodução/Redes Sociais