Caso a proposta de venda de parte das competições da Fifa seja seguida por Gianni Infantino, Espanha e Portugal planejam retirar a candidatura da Copa do Mundo de 2030, que seria realizada nos dois países ao lado de Marrocos.
A informação foi divulgada nesta sexta-feira (31) pelo jornal El Español.
O veículo traz que, ao se alinharem com a decisão da UEFA de boicote das competições da Fifa, inclusive a Copa, isso representaria também uma desistência de ser sede do torneio.
Além de jogos nos três países, as primeiras partidas do torneio ocorreriam em celebração aos 100 anos da Copa, no Uruguai, Argentina e Paraguai.
A Confederação Asiática de Futebol se junto à UEFA e à CONCACAF, confederação das seleções da América do Norte, ao afirmar que a FIFA não deve prosseguir com seus controversos planos de investimento.
Em um novo comunicado divulgado nesta sexta-feira (31), a AFC afirmou que considera que a FIFA 'não consegue, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar'.
'A Copa do Mundo da FIFA é o ápice do futebol mundial e sua força deriva da participação de todas as confederações e das principais nações do futebol mundial.
Qualquer proposta que ameace minar a unidade e o caráter universal da competição deve ser reconsiderada'.
Presidente da FIFA, Gianni Infantino
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Não chegou ao ponto da UEFA de ameaçar um boicote, mas exigiu que a FIFA se reformasse em vista da controvérsia.
A AFC afirmou que a questão 'expôs fragilidades fundamentais"' dentro da FIFA, em relação aos seus processos de consulta e tomada de decisão, afirmando que isso precisa ser 'resolvido agora'.
Sendo assim, solicitou à FIFA que 'realizasse uma revisão urgente de sua estrutura de governança e tomada de decisões'.
Já a CONCACAF afirmou em comunicado que rejeitou as propostas após uma reunião de emergência com suas associações membros realizada nessa quinta-feira (30).
Durante a reunião, os membros 'expressaram profunda preocupação com a falta de devido processo legal em torno da proposta, o prazo artificialmente curto imposto e a ausência de qualquer revisão ou aprovação pelos órgãos de governança relevantes da FIFA'.
'Além disso, se questionou a necessidade de investimento de capital privado para financiar os programas FIFA Forward, novos e já existentes, após a Copa do Mundo da FIFA mais lucrativa da história', acrescentou.
Na quarta-feira (29), logo após a divulgação dos planos da FIFA, a AFC emitiu um comunicado dizendo estar 'decepcionada' por não ter sido consultada sobre a proposta.
A oposição coletiva das confederações da Ásia (47 membros), América Central e do Norte (41 membros) e Europa (55 membros) significa que 143 membros da FIFA se opõem ao plano.
A FIFA precisava de 106 dos seus 211 membros para vencer a votação, número que não conseguiria ser alcançado dessa forma.
Enquanto isso, o comitê executivo da confederação africana se reúne na próxima semana para avaliar a proposta; a confederação da Oceania, o menor bloco regional, afirmou que discutirá a proposta em uma reunião no próximo mês; E a CONMEBOL, entidade que rege o futebol sul-americano, ainda não se pronunciou publicamente.
Diretor da Fifa afirma que funcionários foram 'enganados' por Infantino em ideia de venda: 'projeto de uma pessoa'
Diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour.
Divulgação
O diretor de operações da FIFA, Kevin Lamour, afirmou nesta sexta-feira (31) que os funcionários da entidade foram 'enganados' pela falta de transparência de Infantino em relação aos seus planos para o esquema de investimento privado.
Os funcionários 'merecem algo melhor do que desprezo e intimidação', disse ele à Associated Press em um comunicado.
Lamour chamou os planos para a Copa do Mundo de 'projeto de uma pessoa'.
'Este projeto não só não deve prosseguir...
como chegou a hora de os líderes políticos do futebol se questionarem corretamente e tomarem as decisões certas'.
Ele afirmou que não iria se demitir, mas que estava se manifestando por dever para com seus colegas, dizendo que 'se isso significar perder meu emprego, que assim seja'.
'Pelo menos vou dormir bem esta noite', acrescentou.
A notícia surge no mesmo dia em que o principal assessor de Gianni Infantino, Carlos Cordeiro, renunciou em protesto contra as medidas do presidente da FIFA de vender participações na Copa do Mundo.
Cordeiro é o principal assessor de Infantino dentro da entidade, tendo já sido presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos e vice-presidente do Goldman Sachs.
'Como conselheiro sênior do presidente da FIFA, ex-banqueiro e fã de futebol de longa data, não posso ficar de braços cruzados enquanto a FIFA considera vender uma participação na Copa do Mundo.
Deixe-me ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta e me oponho a ela inequivocamente.
É um mau negócio para as Associações Membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro do esporte a longo prazo', declarou no comunicado.
Cordeiro foi nomeado ao cargo em 2021, com decisão, segundo Infantino, por ele ter construído uma carreira de negócios e em bancos de investimentos na Europa.
Além disso, em 2025, foi escolhido pelo presidente americano, Donald Trump, como Conselheiro Sênior da Força-Tarefa da Casa Branca para a Copa do Mundo da FIFA de 2026.
Carlos Cordeiro durante discurso em evento para a Fifa.
Divulgação/Fifa
Ele agora lançou uma crítica direta ao plano de vender 20% de uma nova subsidiária que comercializa os direitos da Copa do Mundo para investidores privados em um empreendimento avaliado em US$ 20 bilhões, questionando o processo e as finanças.
'O futebol tem sido fundamental na minha vida e, após mais de 35 anos no setor bancário, compreendo tanto o valor desse ativo quanto as consequências de ceder parte dele.
É por isso que esta proposta deve ser rejeitada'.
'A FIFA já tem acesso a recursos financeiros extraordinários.
A organização possui bilhões de dólares em reservas e nenhuma dívida.
O próprio presidente da FIFA destacou os US$ 15 bilhões em receita gerados entre 2022 e 2026.
Se as Associações Membro acreditam que investimentos adicionais são necessários para o desenvolvimento do futebol, a FIFA já tem capacidade financeira para fornecer esse apoio com seus recursos existentes.
Nesse contexto, vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para arrecadar US$ 4,2 bilhões faz pouco sentido.
É hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificativa convincente', continuou.
O agora ex-assessora afirmou que se preocupa com a falta de respostas para perguntas como o por que o acordo e por que estaria saindo agora.
'Quem se beneficia? Houve um processo competitivo? Que governança será implementada? O que os investidores ganharão no final das contas e a que custo para o futebol?', questionou.
Cordeiro completou dizendo que a proposta virou 'uma questão crucial para o futuro da FIFA'.
Por isso, ele decidiu pela renúncia.
'A responsabilidade da FIFA não é maximizar os lucros comerciais a qualquer custo.
É proteger e fortalecer o futebol para as gerações futuras.
Quando esses princípios entram em conflito, o futebol deve vir em primeiro lugar', declarou.
Copa do Mundo da Fifa 2026
William Volcov/Brazil Photo Press/Agencia O Globo
