A Espanha anunciou a mobilização das suas forças armadas para restabelecer a ordem na fronteira com Marrocos, em Ceuta.
As autoridades locais de Ceuta haviam solicitado reforços ao governo central em Madrid para gerenciar a crise na fronteira, que vinha se agravando antes de explodir nessa quinta-feira (30), com grandes multidões rompendo a cerca da fronteira.
O governo espanhol afirmou que enviará as Forças Armadas para auxiliar a Guarda Civil 'na manutenção da segurança na cidade de Ceuta'.
O Ministério do Interior espanhol informou nesta sexta-feira (31) que cerca de 49 mil migrantes entraram no enclave de Ceuta, no norte da África, nas últimas 24 horas, chegando por mar e por terra vindos de Marrocos.
A região, localizada na África, faz parte da Espanha e seria uma entrada para chegar até o território espanhol ou para conseguir cidadania.
O número de mortes de migrantes que tentam nadar até Ceuta, partindo de Marrocos, está aumentando.
As autoridades informaram que foram confirmadas 27 mortes.
Rachid Sbihin, chefe da associação que representa os oficiais da Guarda Civil espanhola em Ceuta, disse anteriormente que muitas pessoas se afogaram, enquanto outras morreram em um tumulto.
Centenas de imigrantes tentam entrar em Ceuta, enclave espanhol na África.
Lucia Diaz/AFP
Em meio a isso, a imprensa local de Ceuta relata que grupos de imigrantes que entraram estavam pensando em retornar aos seus países por causa da incerteza e do medo de ficarem abandonados sem transporte, recursos ou assistência em Ceuta.
Com os centros de acolhimento sobrecarregados, muitos não tiveram outra opção a não ser dormir nas ruas, em parques e praças, ou nas praias onde chegaram.
Voluntários da Cruz Vermelha e de ONGs estão distribuindo alimentos, roupas secas e água, mas as necessidades superam em muito os recursos disponíveis.
O número de pessoas que retornam ao Marrocos aumenta a cada hora.
Em muitos casos, são os próprios soldados, mobilizados ontem pelo governo nacional para apoiar a Guarda Civil, que acompanham aqueles que solicitam o auxílio até as passagens de fronteira.
Alguns, no entanto, estão até optando por voltar a nado.
E muitos relatam violência, ataques e maus-tratos por parte de moradores de alguns bairros, que em diversos casos teriam sido apedrejados e ameaçados com armas.
Em meio a isso, o ministro do Interior francês, Laurent Núñez, afirmou que os controles de fronteira com a Espanha serão reforçados e que está em contato com o governo espanhol para receber atualizações sobre a crise causada pelo fluxo maciço de migrantes vindos de Marrocos.
Imigrantes entram em enclave espanhol na África, Ceuta.
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Espanha mobiliza forças armadas para evitar entrada de imigrantes na fronteira com Marrocos
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