Estado do Rio registrou mais de 56 mil mortes violentas em dez anos; número supera a população de metade dos municípios fluminenses, aponta Firjan - QTU Questões do Universo

Estado do Rio registrou mais de 56 mil mortes violentas em dez anos; número supera a população de metade dos municípios fluminenses, aponta Firjan

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O estado do Rio registrou 56.838 mortes violentas nos últimos dez anos.
Os dados foram reunidos no estudo Panorama da Segurança Pública no Estado do Rio de Janeiro, produzido pela Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan) e divulgado nesta quarta-feira.
O levantamento considera os casos de homicídio doloso, morte por intervenção de agentes do Estado, latrocínio e lesão corporal seguida de morte.
Segundo o estudo, o total de ocorrências registradas entre 2015 e 2025 supera a população de 56 dos 92 municípios fluminenses.
Ou seja, é como se toda a população de cidades do porte de Paraty ou Guapimirim "tivesse sido extinta pela violência ao longo desses dez anos", aponta o relatório.
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O estudo elaborado pela Firjan tem como base os dados históricos do Instituto de Segurança Pública (ISP) e busca analisar a violência sob uma perspectiva regional, além de acompanhar o comportamento dos municípios nos principais indicadores de criminalidade.
O relatório, divulgado nesta quarta-feira, identificou dois movimentos marcantes ao longo da última década: "reduções expressivas nos crimes que dependem de presença física no espaço público, como o roubo de rua e, de forma heterogênea, a letalidade violenta, e o crescimento consistente e generalizado do estelionato e da extorsão".
Segundo o relatório da Firjan, em 2015, o estelionato representava menos da metade dos registros de roubo de rua no estado.
Dez anos depois, em 2025, o número de ocorrências passou a ser 2,6 vezes maior.
O movimento, já apontado pelo Anuário Brasileiro de Segurança Pública, não é exclusivo do Rio e se repete em diversas partes do país, refletindo uma mudança no perfil da criminalidade.
"Os crimes que dependem de presença física, de violência direta e de exposição no espaço público perderam intensidade na maior parte do território ao longo da década.
Já os crimes praticados por meios digitais e por fraude cresceram em todas as regiões, sem exceção, e o estado do Rio avança no estelionato em ritmo superior à média nacional", afirma o estudo da Firjan.
A federação também destaca que o Rio é um dos três estados brasileiros que não separam, nas estatísticas oficiais, os casos de estelionato praticados por meios eletrônicos — ao lado de São Paulo e Ceará.
Para a entidade, essa falta de segregação compromete a análise do peso das fraudes digitais nos indicadores de criminalidade.
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Roubo de rua
Em 2025, o estado do Rio registrou uma taxa de roubo de rua 36% menor do que a observada em 2015.
No ano passado, foram contabilizados 56.865 registros nas delegacias fluminenses, contra 85.280 em 2015.
Segundo o estudo, "a queda é real e generalizada, mas esconde uma concentração territorial que já era acentuada em 2015 e se intensificou ao longo da década.
Capital, Caxias e Região, Nova Iguaçu e Região e Leste Fluminense respondem hoje por 99% de todos os registros do estado".
Estelionato
Enquanto os roubos de rua apresentam queda, os registros de estelionato seguem em alta no estado.
Em 2025, foram contabilizados 146.981 casos, o equivalente a uma taxa de 853,4 ocorrências por 100 mil habitantes.
O número representa um aumento de 297% em relação a 2015, quando foram registrados 35.595 casos.
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A Firjan destaca, no entanto, que esse crescimento não ocorreu de forma uniforme entre as regiões do estado.
Segundo o estudo, "a Capital, que ainda concentra metade dos registros estaduais, apresenta o ritmo de crescimento mais lento, enquanto as regiões Centro-Sul Fluminense, Centro-Norte Fluminense e Serrana registram aumentos de até 497% e 709%".
A federal destaca que as regiões menos urbanizadas foram as que registraram os maiores aumentos nos casos de estelionato.
Segundo a federação, o cenário revela que o risco de golpes e fraudes "deixou de ser um fenômeno concentrado na metrópole e passou a crescer de forma mais rápida justamente onde a infraestrutura de segurança, tradicionalmente voltada ao enfrentamento da violência de rua, tem menor experiência acumulada com esse tipo de crime".