Estreia de André Esteves na

Estreia de André Esteves na 'diplomacia privada' com Trump é pautada por Brasil, Venezuela e data centers

Fonte: Bandeira da fonte

O encontro de André Esteves (BTG) com o presidente americano, Donald Trump, na tarde deste sábado noticiada por Igor Gadelha, do Metropóles, e confirmada pelo Valor, não deveria surpreender.
O que surpreende é que o encontro de um presidente bilionário, com seis bilionários na sua equipe, cujo governo prefere a “diplomacia privada” à tradicional, num país em que os lobbies privados são legalizados e naturalizados, com o banqueiro que é o quarto na lista de bilionários brasileiros (Forbes), não tenha acontecido antes.

Esteves, no relato de interlocutores do banqueiro, encontrou um Trump bem-humorado e aberto a ouvi-lo sobre a América Latina.
No continente, primeiro veio o interesse no Brasil e nas perspectivas eleitorais de outubro, sobre as quais o banqueiro pouco tem compartilhado, a não ser a visão de que o resultado, seja qual for, provirá de um sistema eleitoral confiável.
Não ouviu queixas de Trump, nem em relação ao Brasil nem sobre quaisquer dos candidatos em disputa.

Depois Trump demonstrou interesse sobre a visão de Esteves da Venezuela, país com o qual os EUA, na véspera, haviam fechado um acordo para controlar 20% de suas reservas de petróleo.
A Eneva, empresa na qual Esteves é o maior acionista, tem interesse em entrar na exploração de petróleo no país, que tem as maiores reservas inexploradas no mundo.
O acordo de Trump com a presidente venezuelana, Delcy Rodriguez, tem tornado mais difícil a expansão das concessões de empresas do grupo J&F, liderado por outro interlocutor do Trump, Joesley Batista, e do grupo Galápagos naquele país.

O encontro, porém, não adentrou minúcias.
Esteves estava interessado em mostrar que não havia razão para o continente, pela proximidade geográfica e histórica, ter sido deixado pra trás nas prioridades dos investimentos americanos face à Ásia.
“Somos todos americanos”, disse, e, num apelo para cativar o inquilino da Casa Branca, explicou que, por isso, a afinidade seria maior do que com a China ou com a Europa, que têm ultrapassado os EUA nos investimentos estrangeiros no continente.

A “diplomacia privada” na qual Esteves estreou junto à Casa Branca passou ao largo do tarifaço, nos relatos colhidos por interlocutores do banqueiro.
O banqueiro brasileiro deu seu testemunho sobre o compromisso em curso no Brasil no combate ao crime organizado, que levou os EUA ao carimbar o PCC e o CV de “organizações terroristas estrangeiras”.

O foco maior foi na possibilidade de parcerias com investidores americanos.
Discorreu, por exemplo, sobre as potencialidades energéticas do Brasil face à demanda crescente e intensiva dos data centers americanos.
O tema está quente no Brasil.
Os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos), e do Senado, Davi Alcolumbre (União), receberam uma carta nesta segunda da Amcham e de entidades empresariais pedindo a conclusão do Redata, programa de incentivos ao setor no país.

Esteves avisou ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva do encontro.
Um dos convidados do presidente e candidato à reeleição na noite desta segunda no Palácio do Alvorada, no jantar para dez banqueiros e empresários, Esteves deve ser convidado a expor suas impressões sobre o encontro com o presidente americano ao grupo que, além do anfitrião, do vice-presidente Geraldo Alckmin e do ministro da Fazenda, Dario Durigan, reunirá Roberto Setúbal (Itaú), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), Fabio Moraes (Votorantim), Joesley Batista (J&F), José Luis Cutrale (Cutrale), André Gerdau Johannpeter (Gerdau), Rubens Ometto (Cosan), Rubens Menin (MRV), Jose Seripieri Filho (Amil).