EUA revelarão hoje novas sanções para ‘Dia D econômico’ contra o Irã enquanto rial atinge mínima histórica - QTU Questões do Universo

EUA revelarão hoje novas sanções para ‘Dia D econômico’ contra o Irã enquanto rial atinge mínima histórica

Fonte: Bandeira da fonte

O governo dos Estados Unidos prepara um novo pacote de medidas econômicas contra o Irã, em uma mudança de estratégia de Washington, que passa a priorizar sanções mais duras após ameaças de ataques militares.
O secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, deve apresentar nesta segunda-feira detalhes de um plano para ampliar o isolamento da República Islâmica, em uma entrevista coletiva marcada para o início da tarde.

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Em artigo publicado no Financial Times no domingo, Bessent afirmou que “o Dia D econômico está chegando para o Irã”, acrescentando que a medida será “a maior ofensiva financeira já mobilizada contra um adversário”.
Ele disse, ainda, que o objetivo dos EUA é “cortar todas as linhas de sustentação econômica que mantêm o regime tirânico até que Teerã fique isolado”.
Ainda não está claro quais medidas serão anunciadas.
O novo pacote, porém, poderá afetar alguns dos principais parceiros comerciais do Irã, incluindo China, Turquia e Índia.
Bessent também ameaçou países que mantêm relações econômicas com Teerã e afirmou que aqueles que compram e transportam petróleo iraniano, permitem transferências de combustível por via marítima ou utilizam seus bancos de forma ilícita estão contribuindo com o regime.
“Em suma, esses países calculam que apaziguar o regime é o caminho mais seguro.
Mas fariam bem em considerar as consequências de sustentá-lo”, escreveu.
O secretário afirmou que, caso o Irã responda militarmente às medidas econômicas dos EUA, o presidente americano, Donald Trump, “responderia de forma rápida e decisiva”.
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Pequim, por sua vez, afirmou que quaisquer sanções dos EUA apenas agravarão as tensões com o Irã e não servirão aos interesses de nenhum dos lados.
O país, que compra a maior parte do petróleo iraniano, “tomará as medidas necessárias para proteger seus direitos e interesses legítimos”, disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês, Lin Jian.
Também nesta segunda, em artigo publicado no jornal iraniano Ettela’at, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, afirmou que as relações com a China “adquiriram dimensões mais profundas, mais estruturais e mais amplas”.
Até agora, os esforços americanos para isolar o Irã se concentraram em atores de menor destaque no setor petrolífero, com sanções contra pequenas refinarias privadas, portos e agentes.
Mínima histórica
A nova ofensiva ocorre enquanto Washington tenta pressionar Teerã a aceitar o fim da guerra nos termos americanos, após uma ampla campanha militar não ter alcançado esse objetivo.
A economia iraniana já enfrenta forte pressão, com um bloqueio naval dos EUA restringindo as exportações de petróleo.
Na semana passada, o presidente do Banco Central do Irã, Abdolnaser Hemmati, afirmou que as exportações de petróleo bruto do país “praticamente pararam”.
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Os Emirados Árabes Unidos disseram na semana passada que haviam cortado todos os laços econômicos com Teerã, enquanto os aliados dos EUA no Golfo dão impulso à estratégia de Washington.
A moeda iraniana também atingiu uma mínima histórica em relação ao dólar.
O rial caiu 4,5% desde que Trump anunciou, na semana passada, que pretendia ampliar a pressão econômica sobre Teerã.
A inflação anual está acima de 80%, aumentando a pressão sobre a população.
O Irã já demonstrou no passado ser capaz de resistir às sanções, e a medida dos EUA corre o risco de ser respondida com uma nova rodada de ações militares.
Teerã, que bombardeou aliados dos EUA no Golfo Pérsico com milhares de mísseis e drones após o início da guerra, no fim de fevereiro, prometeu retaliar contra qualquer país que apoie os planos de Washington.
“O Irã considerará a participação ou o apoio de qualquer país à guerra econômica dos Estados Unidos contra o povo iraniano como um ato de guerra”, escreveu Mohsen Rezaee, secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, no X no domingo.
O resultado será que “nem uma única gota de petróleo será exportada, nem pelo Estreito de Ormuz nem de qualquer outro ponto do Golfo Pérsico”, acrescentou ele.
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Enquanto isso, o Ministério das Relações Exteriores iraniano advertiu os países a se absterem de aderir à campanha econômica dos EUA.
Em entrevista coletiva, o porta-voz da pasta, Esmail Baqai, disse que “qualquer cumplicidade com os EUA na execução de suas ações agressivas contra o Irã terá suas próprias consequências”.

Esforços diplomáticos
Bessent publicou no X que a medida econômica contra o Irã ocorre depois de os EUA terem “desmantelado as capacidades militares do Irã, destruído quase 100% de suas fábricas militares e enterrado seu programa nuclear”.
Em resposta, o vice-ministro das Relações Exteriores iraniano, Kazem Gharibabadi, afirmou que “a narrativa não se sustenta”, indicando que a ação contra o Irã exige a mobilização de “todas as instituições e poderes” dos EUA: “Isso é uma vitória ou o reconhecimento da derrota dos Estados Unidos?”, escreveu.
A Marinha britânica disse que um navio-tanque foi atingido por um projétil de origem desconhecida nesta segunda-feira, a cerca de 63 milhas náuticas a oeste de Yanbu, porto saudita no Mar Vermelho, provocando um incêndio no convés principal.
Toda a tripulação está em segurança, sem impacto ambiental.

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Enquanto isso, os esforços diplomáticos para reduzir as tensões continuam.
O chefe do Exército do Paquistão, Asim Munir, um dos principais interlocutores nas negociações para pôr fim à guerra, visita Teerã nesta segunda-feira para conversas com autoridades locais de alto escalão, informou o setor de comunicação das Forças Armadas em comunicado.
Munir está acompanhado pelo ministro do Interior, Mohsin Naqvi.
O ministro das Relações Exteriores de Omã visitará Teerã no dia seguinte para negociações entre os dois países que fazem fronteira com o Estreito de Ormuz, disse o porta-voz do ministério iraniano.
EUA e Israel desencadearam a guerra no Oriente Médio com uma onda de ataques contra o Irã em 28 de fevereiro, provocando retaliações iranianas em toda a região.
Um cessar-fogo iniciado em 8 de abril pôs fim a quase 40 dias de intensos bombardeios, mas o controle do Estreito de Ormuz logo surgiu como um ponto crítico central do conflito.
O Irã controla essa via vital para o comércio desde o início da guerra.
A reabertura do estreito tornou-se uma prioridade para os Estados Unidos, mas Teerã insiste que ele permanecerá fechado até que Washington suspenda o bloqueio naval aos portos iranianos, elimine as sanções ao petróleo e descongele os ativos iranianos no exterior.
(Com AFP)