O Banco Central (BC) tem preocupação com a concentração do mercado de prestadoras de serviços em inteligência artificial (IA) contratados por instituições do Sistema Financeiro Nacional (SFN), disse Carlos André de Melo Alves, coordenador no Departamento de Regulação do Sistema Financeiro (Denor) da autoridade monetária.
Durante o Zetta Summit 2026 – "Estabilidade, cidadania financeira e competitividade", realizado em Brasília, Melo Alves declarou que um eventual problema em uma prestadora relevante no mercado poderia colocar em risco a estabilidade financeira.
O coordenador defendeu que os grandes bancos, em especial do segmento 1 (S1), estão implementando internamente modelos em sistemas de IA a largos passos, inclusive com práticas de governanças.
Afirmou, porém, que há assimetrias no mercado, com cooperativas singulares e instituições de pagamento que ainda precisam evoluir no uso dessa tecnologia.
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"Tem alguns pontos que são importantes de mapeamento dentro deste resultado preliminar.
Há preocupação com o terceiro, a contratação de empresas prestadoras de serviços.
Quanto mais se contrata uma empresa de TI (tecnologia da informação) pronta, e se isso for feito em manada por várias entidades reguladas, pode-se gerar um risco de concentração", disse o coordenador.
Na prática, Melo Alves avalia que um eventual problema na prestadora de serviços poderá afetar várias instituições do sistema financeiro.
"Isso pode trazer implicações para a estabilidade financeira, que é, dentro dos objetivos estratégicos do BC, algo a ser alcançado.
Tudo que afeta a estabilidade financeira é uma preocupação para o Banco Central e pode gerar estudos e análises de impacto regulatório", disse.
Melo Alves disse que não há regulações sobre a inteligência artificial no país, mas o BC tem acompanhado o mercado no sistema financeiro.
O BC entende ser regulador setorial caso seja aprovado o marco legal da inteligência artificial (IA), segundo o coordenador do departamento.
Aprovado em 2024 no Senado após dois anos de discussões, o PL 2.338/2023 é um substitutivo a diversos projetos de lei apresentados por deputados e senadores entre 2019 e 2024 e está sendo analisado na Câmara dos Deputados.
O PL 2.338/2023 cria o Sistema Nacional de Regulação e Governança de Inteligência Artificial (SIA), responsável por supervisionar a implementação e o uso responsável de sistemas de IA no país.
O SIA será coordenado pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD).
O Conselho Monetário Nacional (CMN) também teria papel de regulador setorial.
Tanto o BC quanto o conselho têm expertise relacionada ao conhecimento das especificidades dos sistemas financeiros e de pagamento, segundo o coordenador do Departamento de Regulação do Sistema Financeiro do BC.
"A gente considera muito importante a especialização do regulador setorial em conhecer os segmentos como sendo fundamental para fechar esse quebra-cabeça regulatório que vem com o advento do novo marco", disse o coordenador .
"O Banco Central não conversa apenas com autoridades públicas nacionais, mas também com reguladores congêneres de outras jurisdições.
Por exemplo, no âmbito do Brics (grupo formado por onze grandes países emergentes), o BC conversa sobre o tema regulação de IA no sistema financeiro.
É muito importante esse intercâmbio", acrescentou Melo Alves.
Ele avalia que o projeto está "bem encaminhado" na Câmara.
Outro tema em análise do BC são os modelos de gerenciamento de riscos, que não significa que são específicos em caso de uso de IA.
"Há a necessidade de verificar como entidades que atuam na parte de modelagem de risco estão se apropriando das especificidades relacionadas aos riscos decorrentes do uso da IA", disse Melo Alves.
