Ex-agente de David é chefe do tráfico do ES, diz polícia, que achou mensagens suspeitas do atacante:

Ex-agente de David é chefe do tráfico do ES, diz polícia, que achou mensagens suspeitas do atacante: 'mereceu tomar uns tiros'

Fonte: Bandeira da fonte

Mensagens enviadas pelo atacante David Corrêa ao seu ex-agente, Édson Vander da Silva Júnior, que atuava como chefe do tráfico de drogas em Serra (ES), levantaram as suspeitas da Polícia Civil do Espírito Santo sobre possível envolvimento do atleta do Vasco com o crime.
Nos diálogos, DVD, como é apelidado, foi informado sobre uma tentativa de homicídio, e respondeu "Ele mereceu tomar uns tiros mesmo".
Por isso, a polícia investiga se David financiava o tráfico de drogas na cidade da Região Metropolitana de Vitória.
As trocas de mensagens sobre uma tentativa de homicídio ocorrida na região aconteceram em março de 2024.
Em meio à disputa pelo domínio do tráfico de Serra, um homem foi sequestrado e baleado pela desconfiança de membros da facção de que ele estaria passando informações para um grupo rival.
Ele conseguiu fugir.

A prisão dos suspeitos levou a polícia a encontrar os registros das conversas com o jogador no celular de Edson, apreendido durante as investigações, o que deu início à Operação A Tropa.
Em um dos trechos divulgados pela polícia, o ex-agente e amigo de David enviou informações sobre o crime e o estado de saúde da vítima.

Em resposta, o atacante escreveu: "Ele mereceu tomar uns tiros mesmo".
Outra conversa entre eles, três dias após o crime, também chamou a atenção da polícia.
Nas mensagens, o ex-agente enviou um áudio do suspeito de ser o atirador , identificado como Ruan de Freitas Camargo Cruz, de 27 anos.

Nesse áudio, Ruan pediu a Édson que David o ajudasse financeiramente a trocar o veículo utilizado no crime, pois o Fiat Argo estaria “queimado”, expressão usada pelos envolvidos para indicar que o carro estava comprometido.
Segundo a polícia, o pedido era para que o atacante enviasse dinheiro em espécie para a compra de um novo veículo.
— Essas mensagens chamaram a nossa nossa atenção sobre um possível financiamento do tráfico de drogas no bairro Serra Dourada 3 por parte do investigado (David) — destacou o chefe da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) da Serra, delegado Rodrigo Sandi Mori, em entrevista coletiva nesta quinta (3).
Segundo o delegado, Édson e Ruan assumiram o controle do tráfico de drogas na região.

Em outro diálogo, Edon teria enviado a David uma foto de uma pistola.
A Polícia Civil afirma que, em resposta, o atacante escreveu: “tem que matar um para ver de qual é”.
Busca e apreensão na casa de David
Na segunda-feira (31), equipes da Polícia Civil do Espírito Santo, com apoio de agentes do Rio, estiveram na casa de David, em um condomínio na Barra da Tijuca, e apreenderam dois celulares do atacante.
David acompanhou as buscas e, depois, seguiu para o centro de treinamento do Vasco, em Jacarepaguá, onde também havia um mandado de busca e apreensão.
Em depoimento à Polícia Civil, o atacante admitiu ter conhecidos no Espírito Santo, onde cresceu, ligados à investigação, mas negou qualquer participação em tráfico de armas e drogas, segundo apuração do blog do Diogo Dantas.
David reforçou que, apesar de ter conhecimento sobre possíveis investigados no estado vizinho, não tem noção alguma sobre possíveis crimes cometidos e quem estaria envolvido em cada caso apurado.
Advogados do Vasco que tiveram acesso ao depoimento afirmam que David não tem nenhuma implicação no caso, mas o clube mantém o suporte jurídico.
O empresário André Cury, que cuida atualmente da carreira de David Corrêa, já havia negado ao blog qualquer envolvimento do jogador com o crime.
— Não tem nada.
Não há qualquer risco para ele.
David é profissional.
Para pedir esclarecimentos não precisava mandar busca e apreensão, fazer toda essa tempestade — lamentou André Cury.
Segundo o empresário, David tem origem humilde como quase todos os jogadores de futebol no Brasil e veio da periferia, o que não quer dizer que ele tenha envolvimento com o crime organizado.
— Parece que foram lá para prender os caras de uma facção.
O jogador nasce na periferia, os amigos são de lá, os que não viram jogador viram o que? Normalmente, 30% dos amigos vão pro lado errado.
O cara não fez p...
nenhuma — completou Cury.
A Operação A Tropa investiga crimes de tráfico interestadual de drogas e armas e lavagem de dinheiro.
A investigação também apura o possível envolvimento de outros atletas profissionais e empresários com o grupo criminoso.
O nome da operação(C foi dado em referência à autodenominação utilizada pelos próprios investigados ao se referirem ao grupo criminoso.

O que dizem David e o Vasco
O Vasco acompanhou o cumprimento do mandado no centro de treinamento e afirmou que está colaborando com as autoridades.
O diretor de futebol do clube, Admar Lopes, disse que David seguirá trabalhando normalmente e continuará disponível para jogar enquanto a investigação estiver em andamento.
O jogador, inclusive, entrou em campo contra o Vitória, pela Copa do Brasil, na noite desta quarta-feira (2).
“Queria oficialmente comunicar em nome do Vasco, vários colegas questionaram em relação ao que ocorreu em relação ao nosso atleta David Correia, dizer que o Vasco está colaborando com as autoridades.
Até haver uma resolução por parte das autoridades, o Vasco não vai tecer qualquer comentário.
E dizer que o jogador continua a trabalhar normalmente nos próximos dias e está disponível para jogo”, afirmou.
(Com informações do G1)