Ex-assessor do Lula: oposição sai na frente ao conseguir associar termos como

Ex-assessor do Lula: oposição sai na frente ao conseguir associar termos como 'Marcola' e 'Lulinha' à 'corrupção’

Fonte: Bandeira da fonte

Após a repercussão, nesta terça-feira (4), do empréstimo realizado pelo ex-assessor do presidente Lula (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, com a empresária Roberta Luchsinger, amiga de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente, a oposição ao governo, encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL), saiu na frente nas redes sociais ao conseguir associar termos como “Marcola”, “Lula”, “Lulinha”, “INSS” e “corrupção” dentro de um mesmo campo narrativo.
Enquanto, do lado do petista, a reação foi concentrada em comentários, marcando a ausência de posicionamento de ministros, deputados e influenciadores sobre o tema.

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De acordo com o cientista de dados e CEO da AtivaWeb Datalab, Alek Maracajá, a oposição “venceu” as primeiras horas da disputa digital sobre o caso.
Em quatro horas, o assunto alcançou cerca de 42,3 milhões de usuários em seis plataformas (X, Instagram, Facebook, Tiktok, YouTube e Telegram), e registrou 68,4% de repercussão negativa ao governo, 21,7% neutras e 9,9% conteúdos positivos ou defensivos, segundo o levantamento da AtivaWeb, empresa que realiza análises de rede.

— A oposição não ganhou apenas no volume, ganhou no tempo, na organização e na capacidade de definir o significado do caso antes da reação do governo A oposição atuou de forma coordenada e veloz.
O campo governista respondeu de forma tímida e fragmentada, grande parte vinda da Revista Fórum, não de parlamentares ou ministros — analisa Maracajá.

Segundo o levantamento, foram cerca de 5,8 mil compartilhamentos e republicações ligados à oposição, contra 320 a favor do presidente.
A oposição conectou termos distintos em um único tópico narrativo, provocando um desgaste na visão do governo.
Dentre as comunidades detectadas, 42% dos conteúdos contra o governo partiram de bolsonaristas, com retweets dos termos "corrupção no gabinete" e "roubo dos aposentados".

— O problema já não é apenas o fato noticiado, mas a narrativa que se consolidou em torno dele.
Sem uma resposta rápida, coordenada e baseada em documentos, o governo corre o risco de permitir que a oposição transforme uma controvérsia pontual em símbolo permanente de desgaste — destaca Maracajá.

Entenda
O ex-assessor do presidente, o Marcola, que foi chefe de gabinete do início do governo Lula até duas semanas atrás, contraiu um empréstimo com Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em apurações relacionadas ao lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
Marcola afirma que o valor foi um empréstimo pessoal, que a dívida já foi quitada, e que não teve qualquer relação com suas funções no governo.
Representantes da oposição usaram as redes sociais, nesta terça-feira, para disseminar críticas ao governo de Lula após a divulgação do empréstimo.
O senador e candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que o caso representa a entrada do "roubo dos aposentados do INSS" no gabinete presidencial.
Em publicação no X, o parlamentar compartilhou reportagem sobre o caso e escreveu que a lobista do Careca do INSS "mandou dinheiro" para Marcola.
Em nota, Marcola afirma que recebeu "com surpresa" a repercussão do caso e sustenta que "um empréstimo pessoal contraído e já quitado" está sendo tratado como se fosse ilegal.
"Nunca tive nenhuma relação que caracterize qualquer ilegalidade no exercício de minha função", diz.
O ex-assessor deixou a chefia de gabinete, em 21 de julho, para integrar a equipe de coordenação de campanha, onde vai cuidar da agenda de Lula, junto com Gilberto Carvalho.
*Estagiária sob supervisão de Cibelle Brito