O ex-governador do Rio Cláudio Castro e o empresário Ricardo Magro, dono da Refit, antiga Refinaria de Manguinhos, tinham relações próximas que indicavam convivência e essa proximidade teria resultado em facilidades para beneficiar a empresa, tida como a maior devedora de impostos do país, segundo um relatório da Polícia Federal que embasou a última das três operações da PF contra Castro, em agosto.
Segundo o relatório da PF, Castro considerava Magro “um amigo”.
O sigilo policial que embasou a operação da PF de agosto caiu nesta quinta-feira (3).
Castro e Magro foram alvos de uma primeira operação envolvendo a Refit, em maio deste ano.
O ex-governador passou por buscas e apreensões, enquanto o empresário, que teve pedido de prisão determinado pelo Supremo Tribunal Federal (STF), não foi localizado e está foragido.
Em uma das mensagens enviadas por Magro obtidas pelos investigadores da PF, o empresário felicitava o então governador pelo aniversário dele.
Em outra, Magro agradeceu a presença de Castro em um evento em Nova York, também no ano passado:
"Governador, quero do fundo do coração agradecer a sua presença.
Sei o nível de desgaste, a quantidade de eventos e o próprio desgaste da agenda.
Mesmo assim ter sua presença é uma grande honra pra mim.
Meu muito obrigado", disse Magro.
Ao que Castro respondeu: "Ricardo eu que agradeço.
Aqui vc tem um amigo.
Saiba disso."
Mensagens extraídas de celulares do ex-governador, apreendidos pela PF em maio na Operação sem Refino, foram incluídas em um dos relatórios da instituição.
Na operação, foram expedidos mandados de busca e apreensão na casa de Castro e do desembargador Guaraci de Campos Vianna, do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
Em outro trecho do relatório, aparece conversa entre o ex-governador e Marcos Joaquim Gonçalvez Alves, um advogado associado à Refit.
"Registros públicos indicam que Marcos Joaquim atuou como advogado em demandas relacionadas à então Refinaria de Manguinhos (...) no contexto de reorganização jurídica e estratégica da companhia", diz a PF.
“Em diversas oportunidades, Marcos Joaquim tratou diretamente com Cláudio Castro de demandas administrativas da refinaria perante o Estado do Rio de Janeiro, recebendo orientações sobre protocolos, reuniões e tramitação de expedientes administrativos”, afirma a corporação.
A PF destaca que, em outubro de 2020, Marcos Joaquim convidou Castro para um café da manhã com Dirceu Amorelli, na época um dos diretores da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
De acordo com a instituição, Amorelli era investigado na ocasião pelo Ministério Público Federal (MPF) por "supostamente receber propina mensal de Ricardo Magro para manter uma rede de proteção aos seus negócios".
Procurado pelo Valor, o advogado de Castro, Carlo Luchione, disse que seria preciso entrar em contato com a assessoria do governador, que não respondeu à reportagem até o momento.
Ao Globo, a defesa de Castro negou todas as acusações relacionadas a “lavagem de dinheiro, recebimento de vantagem indevida ou favorecimento a terceiros”, que são feitas no relatório da PF.
“Os contatos com representantes da Refit foram institucionais e não resultaram em qualquer benefício.
Durante a sua gestão, o Estado adotou medidas para cobrar valores devidos pela empresa”, disse a defesa ao Globo.
E prosseguiu: “A defesa já requereu ao ministro Alexandre de Moraes que Cláudio Castro seja ouvido pela Polícia Federal para esclarecer todos os pontos da investigação e apresentar a documentação comprobatória.
O pedido aguarda decisão”, disse a defesa na nota ao Globo (com O Globo).
