Muito mais do que uma despedida simbólica de uma era.
É assim que Andrezza Cruz, de 46 anos, enxerga O Último Voo da Nave, turnê de despedida de Xuxa, que traz de volta o cenário icônico que virou símbolo dos programas da Rainha dos Baixinhos nos anos 1980 e 1990 na Globo.
Ex-paquita e integrante da equipe do espetáculo, a carioca acompanha a turnê de um lugar privilegiado: entre o palco, os bastidores e as memórias de uma história que ajudou a construir.
Hoje diretora artística, Andrezza voltou a conviver de perto com um universo que marcou sua trajetória e que continua mobilizando fãs de diferentes idades.
“A Xuxa ultrapassa as fronteiras que alguém criou para separar as diferentes gerações", elogia.
Andrezza acredita que a força da artista — atualmente com 63 anos -- está justamente na capacidade de continuar conectada ao público ao longo do tempo, seja pela música, pela TV, pelas redes sociais ou pelas causas sociais que abraça.
A ex-paquita afirma, ainda, que existe algo curioso na relação do público com esse repertório, já que as músicas continuam presentes nas festas e, mesmo quem diz não gostar, acaba entrando na dança.
"É o ontem vestido de hoje, falando sobre amanhã", define.
Xuxa
Reprodução/Instagram
Andrezza Cruz na turnê O Último Voo da Nave
Reprodução/Instagram
Leia a entrevista completa:
O Último Voo da Nave tem despertado muita emoção no público.
Como tem sido para você reviver essa fase tão marcante da sua trajetória?
Faz 26 anos que "pendurei a farda" de paquita e, mesmo sem ter me afastado do showbiz, minha jornada como diretora em TV, shows e festivais é no backstage.
Então, entrar no palco de um estádio lotado, receber aquele impacto de carinho do público mexe demais comigo.
É diferente dos shows que participávamos nos anos 90, tanto pela maturidade que nos ajuda a entender melhor esses sentimentos, quanto pela chance que temos de parar um pouco a rotina para visitar uma memória que ficou guardada por muitos anos e que se transforma em uma catarse dentro de um estádio lotado.
Para mim, isso foi ainda mais intenso.
Vi essa tour nascer e sei da importância dela para muita gente, inclusive para a Xuxa.
Então olho para o palco e vejo a Billa, minha irmã, junto com a Ana, cuidando do balé.
E olho para a plateia e vejo meu filho [Lucas, de 12], que agora pode entender o que significa ser paquita para muitas gerações.
Além de subir ao palco, você também faz parte da equipe do espetáculo.
Como é conciliar esses dois papéis?
Fiquei muito feliz com o convite para integrar a equipe criativa e operacional da 30e, podendo mais uma vez ajudar a realizar um momento incrível da carreira de um dos maiores ícones da cultura pop e porta-voz de tantas causas sociais importantes.
Conciliar minha profissão com essa tour permitiu também a minha participação no palco com as paquitas.
É um desafio grande, porque esse é um espetáculo musical que nunca foi desenvolvido e envolve muitos recursos e pessoas, que precisam estar em sintonia e funcionar como uma engrenagem.
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
Xicão Jones/Divulgação
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
Xicão Jones/Divulgação
O que o público não imagina sobre os bastidores da turnê?
O que se vê no palco é resultado desse encontro nos bastidores.
Particularmente neste projeto, tenho um pouco de dificuldade de circular pela arena, e é curioso ter de fazer isso com figurino de paquita.
E muitos que me conhecem já imaginam que devo ficar dançando ao ouvir algumas músicas e me segurando para não invadir o palco (risos).
Você e as outras ex-paquitas mantêm uma amizade que atravessa décadas.
Como é reencontrá-las nesse projeto?
Até hoje, mantenho uma relação muito próxima da minha geração, estendendo essa amizade para as nossas famílias, e também com algumas meninas que nos sucederam, deram continuidade ao trabalho e fizeram com que mais pessoas se identificassem com as paquitas.
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
Xicão Jones/Divulgação
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
Xicão Jones/Divulgação
Que histórias ou momentos divertidos costumam relembrar juntas?
Nessa tour, eu e a Caren estamos representando nossa geração, e parte do que somos agora tem um pouco de cada uma daquelas meninas e do que vivemos naquela época.
Por isso, antes de entrar no palco, mandamos mensagens e vídeos no grupo, e é sempre emocionante.
Essa tour ainda permitiu dividirmos o camarim, os ensaios, os bastidores e o palco com as gerações anteriores.
Eu era muito fã das paquitas.
Meu sonho era receber o chapéu e também os conselhos delas em 1995, e isso está sendo realizado agora.
A descontração dos bastidores e o cuidado umas com as outras, mesmo entre mulheres com muitas diferenças, é uma identidade das paquitas.
Depois de tantos anos de convivência, como é a Xuxa longe dos holofotes? Existe alguma característica dela no dia a dia que costuma surpreender quem só a conhece pela TV?
A Xuxa é uma mistura de todas as emoções, aprendizados, conquistas, desafios e expectativas criadas sobre a maior artista da cultura pop do Brasil dos últimos 40 anos e uma pessoa normal.
Ou melhor, quase normal, porque tem uma sensibilidade enorme e uma espiritualidade que muitos não entendem.
Como profissional, além de uma energia impressionante, muitos projetos nascem da cabeça dela.
Essa tour é um sucesso pela persistência dela.
E, no meio de tudo isso, também é mãe, irmã, esposa, empresária, voluntária de muitas causas sociais e alguém que te convida para comer brigadeiro vegano que ela mesma prepara e ainda faz quentinha para você levar.
Se a nossa vida adulta é intensa, imagina a dela.
Por isso, não há muitos encontros, mas nunca vou esquecer quem passou a madrugada comigo e meu marido quando meu filho nasceu e precisou de uma atenção especial.
Quando contei que estaria nos bastidores dessa tour, ela soltou um bom palavrão.
Então, às vezes não parece, mas ela é mesmo deste planeta.
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
Xicão Jones/Divulgação
O que você acredita que faz esse universo da Xuxa continuar emocionando diferentes gerações?
A Xuxa ultrapassa as fronteiras que alguém criou para separar as diferentes gerações.
Não se comunica apenas com os nascidos entre as décadas de 70 e o início dos anos 2000.
Até hoje suas músicas tocam em qualquer festa.
E mesmo quem diz que não gosta, dança.
Ela continuou seguindo seu público, contando histórias só para baixinhos e participando de conteúdos, inclusive nas redes digitais.
Passou dos 60 anos com uma saúde admirável.
Continua a se envolver de forma genuína com diferentes causas sociais, sendo porta-voz de diversos públicos.
Isso tudo ajuda no sucesso dessa tour, que soube abordar a nostalgia com tecnologia.
É o ontem vestido de hoje, falando sobre amanhã.
É uma oportunidade rara para um encontro de pessoas diferentes, que podem simplesmente se divertir, brincar e se vestir como quiser, sem ligar para julgamentos.
É como um portal para viajar até um tempo em que a gente era feliz e sabia.
Qual é o momento do espetáculo que mais mexe com você pessoalmente?
Meu momento preferido? Essa é a pergunta mais difícil (risos).
Mas posso destacar a homenagem às paquitas, a resposta do público com o bloco do Planeta Xuxa e o voo da nave.
É realmente um espetáculo imperdível para todos que puderem embarcar nessa viagem.
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
Xicão Jones/Divulgação
Andrezza Cruz integrou o grupo das Paquitas Nova Geração, também chamado de New Generation
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