O presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Kevin Warsh, disse nesta segunda-feira (31) aos líderes financeiros do G20 que o mundo está testemunhando um aumento global de investimentos que está ajudando a impulsionar o crescimento, revertendo os excessos de poupança do passado que mantiveram o capital em instrumentos de baixo rendimento em meio à escassez de oportunidades de investimentos.
Warsh, participando de sua primeira reunião internacional de política econômica desde que assumiu o comando do banco central dos EUA em maio, disse na sessão plenária de abertura do G20 que estava ansioso para aprender mais sobre as perspectivas de crescimento entre as demais economias do grupo dos 20 maiores.
O presidente do Fed afirmou que, durante reuniões anteriores do G20, mesmo antes da crise financeira global de 2008 e nos anos seguintes, os participantes discutiam um "excesso global de poupança", mas a situação se inverteu.
"Se eu tivesse que caracterizar este momento, diria que é o de uma onda global de investimentos", disse Warsh na reunião em Asheville, Carolina do Norte.
A noção de estagnação secular, a ideia de que o crescimento será muito mais lento devido à falta de inovação, não se aplica mais à economia atual, afirmou.
Em uma rara declaração pública como presidente do Fed em uma reunião do G20 ou G7, Warsh veio diretamente da conferência anual de banqueiros centrais em Jackson Hole, Wyoming, onde afirmou que o Fed teria "mais trabalho a fazer" se os formuladores de políticas do banco central americano não obtivessem confiança de que a inflação está caindo para a meta de 2%.
Em suas primeiras declarações substanciais sobre a economia, Warsh se aproximou mais do que nunca de admitir que aumentos nas taxas de juros podem ser necessários para aliviar as pressões inflacionárias.
Warsh disse aos ministros das finanças e governadores dos bancos centrais do G20 em Asheville que está considerando se os EUA e as economias de outros países do G20 podem crescer mais rápido do que o previsto por analistas tradicionais, como o Escritório de Orçamento do Congresso dos EUA (CBO) — cerca de 1,8% ao ano, com crescimento "moderado" da produtividade.
"A questão fundamental é qual o potencial de crescimento subjacente e, em particular, o que está acontecendo com a produtividade", disse Warsh.
A mudança no comportamento da poupança criou uma espécie de impasse para o Fed e o Tesouro dos EUA.
O excesso de poupança, inicialmente destacado no começo dos anos 2000 pelo então presidente do Fed, Ben Bernanke, canalizou os recursos para investimentos relativamente seguros e de baixo retorno, como os títulos do Tesouro dos EUA.
Essa tendência ajudou a manter baixos os custos de empréstimo do governo americano e permitiu hipotecas baratas para compradores de imóveis nos EUA.
Mas o surgimento de outras opções, como o financiamento de emissões maciças de títulos para a construção de data centers e infraestrutura de inteligência artificial, vem absorvendo o excesso de poupança e é visto como um dos fatores para o aumento dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e o maior endividamento do país.
O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, disse à Reuters em entrevista no domingo (30) que o crescimento econômico mais forte foi um fator para manter os rendimentos elevados, mas descartou preocupações sobre a saúde do mercado de títulos do Tesouro ou sobre a dívida pública americana, que ultrapassou os US$ 40 trilhões no início de agosto.
Presidente do Fed, Kevin Warsh
Al Drago/Bloomberg
